segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Suíça diz que banco Credit Suisse falhou no caso de Petrobras, Venezuela e Fifa


Imagem: Arnd Wiegmann / Reuters
As autoridades suíças anunciaram na manhã desta segunda-feira, 17, medidas contra um dos maiores bancos do mundo, o Credit Suisse. A Autoridade de Supervisão do Mercado Financeiro (Finma) concluiu que o banco falhou no combate à lavagem de dinheiro em casos de corrupção envolvendo a Petrobras, a estatal venezuelana PDVSA e mesmo os cartolas da Fifa. 

No total, a Operação Lava Jato identificou 38 contas no Credit Suisse e seus bancos associados, entre eles o Clariden Leu. Em 2015, o consultor Julio Gerin Camargo, um dos delatores da Operação Lava Jato, entregou à Justiça Federal os extratos bancários de suas contas na Suíça, por onde passaram US$ 10 milhões destinados ao ex-diretor de serviços Renato Duque e ao seu braço direito, o ex-gerente de engenharia Pedro Barusco no esquema de corrupção e propina na Petrobrás. Uma das contas usadas estava no Credit Suisse. 

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O lobista Jorge Luz, apontado como operador de propinas do PMDB, foi um dos envolvidos que também usou o banco. Ele entregou ao juiz federal Sérgio Moro os nomes de supostos beneficiários de parte dos repasses que fez por meio do uso de offshores no exterior.

Em uma planilha juntada aos autos da ação em que é réu na Lava Jato por sua defesa, ele identifica US$ 418 mil dos R$ 11,5 milhões em propinas que confessou ter intermediado aos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Jader Barbalho (PMDB-PA), ao ex-ministro de Minas e Energia do governo Lula, Silas Rondeau, e ao deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE). O dinheiro era pago a partir de uma conta no Credit Suisse. 

O operador do MDB Mário Miranda também confessou crimes e deixou à disposição da Justiça US$ 7,2 milhões em valores repatriados – montante oriundo, segundo ele próprio disse, de práticas ilícitas em contratos da Petrobrás. Mais de US$ 5 milhões estariam no Credit Suisse. 

Sem multas
O orgão de controle do sistema financeiro anunciou medidas para corrigir a atuação do banco, o fortalecimento de regras de combate à lavagem de dinheiro e a criação de uma comissão independente para monitorar a implementação das medidas dentro do banco. Nenhuma multa, porém, será aplicada. 

Desde 2015, a Finma abriu investigações contra mais de 25 bancos relacionados com o escândalo da Lava Jato. Três deles já haviam sido punidos: BSI, PKB e o Banque Heritage. “O objetivo desses inquéritos era o de estabelecer se clientes de bancos suíços estavam envolvidos e se bancos estavam cumprindo as regras, em especial sobre o combate à lavagem de dinheiro”, disse a entidade, num comunicado.

No caso do Credit Suisse, a Finma encomendou uma investigação que fez um levantamento do comportamento do banco entre 2006 e 2016. Um processo, portanto, foi aberto em 2017, diante das semelhanças que as autoridades encontraram entre a Petrobrás, os cartolas da Fifa e a PDVSA, estatal petroleira da Venezuela. 

Agora, a conclusão foi de que o banco “infringiu suas obrigações de supervisionar o combate à lavagem de dinheiro em todos os três casos”. As falhas ocorreram ao não identificar propriamente os clientes, não determinar os beneficiários de contas em nome de offshores e ainda de não identificar riscos de uma relação comercial. 

O banco também falhou ao não realizar esclarecimentos necessários e pedir informações aos clientes sobre a origem dos recursos. De acordo com as autoridades, as falhas ocorreram “de forma repetida durante vários anos, em especial antes de 2014”. Um número de falhas acima da média ainda foi identificado no Clariden Leu, um dos bancos do Credit Suisse. 

A Finma também concluiu que o banco não avaliou de forma suficiente os eventuais riscos de abrir contas em nome de pessoas politicamente expostas. Nesse aspecto, também foi concluído que o banco falhou em lutar contra a lavagem de dinheiro. “Para combater a lavagem de dinheiro, cada departamento dentro do banco deve ser capaz de conhecer a relação de um cliente de forma instantânea e automática”, disse. Para as autoridades, isso não tem ocorrido de forma suficiente dentro do banco. 

Resposta

Num comunicado, o banco insiste que colaborou com as investigações e que estabeleceu uma série de medidas para corrigir os problemas identificados. A instituição financeira ainda aponta que muitos dos casos foram “herdados” quando o banco adquiriu outros negócios. O Credit Suisse ainda deixou claro que a medida anunciada pela Finma não exige o pagamento de multas e nem a devolução de benefícios feitos com o dinheiro que havia sido depositado. 

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Jamil Chade
O Estado de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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