sábado, 29 de dezembro de 2018

Em carta dramática, cientista político boliviano explica por que Bolsonaro precisa desconvidar narcoditadores


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
Carlos Sánchez Berzaín, um conhecido advogado, cientista político e diretor do Instituto Interamericano pela Democracia, pede, em uma carta aberta ao presidente eleito do Brasil, que retire o convite a Evo Morales para participar de sua posse, assim como fez com os ditadores de Cuba, Venezuela e Nicarágua. No texto, Berzaín explica os motivos pelos quais Bolsonaro precisa desconvidar o ditador. 



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Leia a íntegra da carta:

"26 de Dezembro de 2018

Senhor

JAIR MESSIAS BOLSONARO

Presidente Eleito da República Federativa do Brasil.

“Regimes que violam as liberdades de seus povos e atuam abertamente contra o futuro Governo do Brasil, por afinidade ideológica com o grupo derrotado nas eleições, não estarão na posse”  (Jair M. Bolsonaro)

Senhor Presidente:

Tenho a honra de me dirigir V. Sa. com o propósito de pedir-lhe a gentileza de revisar e revogar o convite enviado ao Chefe do Estado Plurinacional da Bolívia, para sua posse como Presidente da República Federativa de Brasil.

O que me motiva é o precedente de que convites semelhantes aos governantes de Cuba, Venezuela e Nicarágua foram retirados, e o regime boliviano incorre em violações tão ou mais graves e atua abertamente contra o Brasil e o seu futuro governo, conforme passo a recordar. 

1.- Em relação à violação das liberdades do povo boliviano - em apertado e incompleto resumo - Evo Morales lidera um regime de crime organizado: 

1.1.- Extinguiu a Constituição Política do Estado por meio de falsificações e ações de fato, liquidou a República da Bolívia, suplantando-a com o Estado Plurinacional. Hoje, na Bolívia, os direitos humanos são violados como parte da metodologia de controle político introduzida e controlada por Cuba e Venezuela; não há divisão e independência de poderes, não há estado de direito, a perseguição política judicializada se institucionalizou e, por consequência, há mais de cem presos políticos e mais de 1.200 exilados políticos (a maioria dos quais refugiados no Brasil). Evo Morales realizou mais de 20 massacres, como em Porvenir, Hotel las Américas, Cochabamba, e La Calancha, com 89 assassinatos.

1.2.- Eleito para um mandato de 5 anos sem direito à reeleição, vai completar 13 anos contínuos como Chefe de Estado, com título de presidente mas comportamento de ditador. Para governar todo esse tempo, além dos crimes resumidos no ponto anterior, Morales pretende ser candidato nas eleições de 2019 para prorrogar seu mandato indefinidamente, ignorando o resultado do referendo que ele próprio convocou em 21 de fevereiro de 2016, quando a Bolívia disse NÃO a mais reeleições. Com o apoio infame do Tribunal Constitucional e manipulações do Tribunal Supremo Eleitoral - ambos controlados por ele - Morales se habilitou como candidato.  Hoje há na Bolívia mais de 200 cidadãos em greve de fome e mobilizações populares exigindo respeito ao resultado do plebiscito. 

1.3.- Transformou a Bolívia em um narcoestado, aumentando as áreas ilegais de cultivo de coca de 3.000 hectares em 2003 para mais de 50.000 hectares, além de aumentar desnecessariamente a área legal. Evo Morales é o líder perpétuo dos sindicatos de coca ilegal do Trópico de Cochabamba (Chapare) que são a sua base política, e que praticamente integraram ao cultivo da coca a produção de droga. O jornalista brasileiro Leonardo Coutinho, em seu livro “Hugo Chávez o Espectro” documenta a “ponte aérea da cocaína”, o tráfico oficial Bolívia-Venezuela e o “narcobolivarianismo” que tem o Brasil como uma de suas vítimas. 

1.4.- O senador Roger Pinto, perseguido pelo regime de Evo Morales, ficou refugiado por 15 meses na embaixada do Brasil em La Paz, e, graças à ação humanitária do diplomata brasileiro Eduardo P. Saboia, pôde fugir para o Brasil, onde conseguiu refúgio político. Roger Pinto morreu no exílio, em um “acidente aéreo”, mas deixou muito clara a violação dos direitos humanos de Evo Morales na Bolívia, inclusive contra um senador em exercício. 

2.- Evo Morales, além de ter plena afinidade ideológica com o grupo derrotado nas eleições em que o povo do Brasil o elegeu presidente, é parte do projeto transnacional “Foro de São Paulo”, sobre o qual me permito algumas observações: 

2.1.- Tudo o que mencionei no item anterior e mais foi feito e se sustenta sobre o marco do “Foro de São Paulo” e do eixo “Caracas-Havana”, que, sob os nomes de Alba, projeto bolivariano, socialismo do século XXI, e agora, simplesmente “castrochavismo”, controlou a América Latina até pouco tempo atrás. 

2.2.- Evo Morales humilhou as Forças Armadas da Nação da Bolívia, reivindicando e fazendo monumentos a Che Guevara, que invadiu a minha Pátria, chamou Fidel Castro de “papai”, é um declarado seguidor de Hugo Chávez, defensor implacável dos ditadores de Cuba, Venezuela e Nicarágua, e assim procede com os votos e a representação da Bolívia em todos os foros internacionais. Eles mantêm o programa de “médicos escravos”, milhares dos quais estão na Bolívia, e ofereceu publicamente emprego aos que abandonaram o programa “mais médicos” de Brasil.

2.3.- No âmbito da corrupção, o escândalo da “lava jato” foi e é cuidadosamente encoberto - até o momento - para evitar que apareçam as ligações de Evo Morales. Apenas como exemplo, permita-me recordar que Lula promoveu pessoalmente a construção da estrada que viola a reserva indígena e natural de “TIPNIS” na Bolívia. A pouca informação que a opinião pública boliviana tem sobre o caso vem dos casos revelados no Peru. Evo Morales e seu regime são responsáveis pela morte de José María Bakovic, Diretor do Serviço Nacional de Estradas, que foi perseguido até o túmulo. É urgente, senhor Presidente, que todas as questões relativas a contratos, sobrepreços, subornos e implicações de funcionários da Bolívia e do Brasil, desde que o PT chegou ao poder, sejam tornadas públicas, já que, com a permanência de Evo Morales no poder, elas continuarão sendo encobertas. 

2.4.- O aumento da produção de coca e cocaína, como política de estado do regime de  Evo Morales inundou a região de drogas, sendo que o Brasil é o país mais afetado devido a sua extensa fronteira com a Bolívia e sua grande população. O aumento da prevalência de consumo de cocaína no Brasil, com o consequente aumento da criminalidade e o enriquecimento de perigosos grupos criminosos, ameaçam a estabilidade brasileira e provêm da produção de drogas do território controlado por Evo Morales, que por sua vez, é amigo declarado das FARCs da Colômbia, patrocinadas por Cuba, outra fonte de ameaça direta e por meio do eixo em que a Venezuela se transformou. 

Sem dúvida, senhor Presidente, o senhor conhece estes fatos e muitos mais. Também sabe que as ditaduras castrochavistas nas Américas são Cuba, Venezuela, Nicarágua e BOLÍVIA, que, com os mesmos mecanismos e crimes, combinados e articulados entre eles, oprimem seus povos e ameaçam democracias como a do Brasil. 

O povo da Bolívia está lutando por sua liberdade e para recuperar a democracia. Evo Morales é um ditador que não tem nenhuma intenção de deixar o poder, porque precisa da impunidade e atua segundo a estratégia de Cuba, Venezuela e Nicarágua, como se comprova com a recente reunião dos ditadores Castro-Díaz Canel, Maduro, Ortega e Morales em Havana.

Que três ditadores de Cuba, Venezuela e Nicarágua não seja convidados para a posse do presidente democrático do Brasil, mas Evo Morales seja, seria um prêmio e um grande benefício ao ditador, que seguirá simulando uma legitimidade democrática que não tem. 

Atenciosamente,

CARLOS SANCHEZ BERZAIN

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Gazeta Social
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