terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Cientista político faz alerta sobre sistema cubano de dominação e implantação de ditaduras


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
O cientista político boliviano e ativista pela democracia Carlos Sanchez Berzaín, em artigo publicado em diversos jornais de língua espanhola, explica que as ditaduras bolivarianas latino-americanas não são casos isolados. Para Berzaín, trata-se de um grupo transnacional estruturado, que, sob o comando de Cuba, vem tomando o poder na América Latina. O cientista político alerta que, se o verdadeiro inimigo não for reconhecido, a derrota será certa. 

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Leia o texto de Carlos Sanchez Berzaín: 

Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia estão sob o jugo de ditaduras do mesmo grupo. A comunidade internacional trata cada caso em separado, como individual e isolado, enquanto a realidade demonstra que são ditaduras que integram um grupo controlado por Cuba. Para recuperar a democracia, é vital a identificação certa do inimigo, que não se reduz ao ditador local. Trata-se de reconhecer e combater o “grupo transnacional estruturado” que opera sobre cada país afetado e sobre todos em conjunto. 
O reconhecimento das ditaduras foi e é penosamente tardio por parte de governos democráticos, organismos internacionais e até da imprensa. Os regimes que concentram todo o poder, que reprimem os direitos humanos e as liberdades individuais em Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia, e, em seu momento, no Equador, com Rafael Corrêa, foram processos que desvirtuaram as eleições livres e justas, desmontaram o estado de direito, liquidaram a separação e independência de poderes, acabaram com a livre associação política e a liberdade de imprensa, até impor um sistema de leis infames para dar aparência de legalidade à ditadura. 
Em relação a Cuba, não há dúvida de que é uma ditadura de 60 anos, mas muitos governos democráticos, organismos internacionais, instituições, líderes e meios de comunicação não a tratam como ditadura e até omitem essa denominação como política interna. Isto permite que a ditadura mais antiga das Américas se apresente com traços de legalidade enquanto estende, sustenta e gerencia regimes com seus métodos criminosos. 
Para reconhecer que a Venezuela é uma ditadura, aparentemente não foram suficientes os presos políticos, as perseguições, crimes e concentração total do poder de Hugo Chávez até a sua morte, a tal ponto que há quem veja como ditador apenas Nicolás Maduro e não Chávez. Venezuelanos e membros da comunidade internacional indicam que Maduro será “ilegal” se tomar posse como presidente no dia 10 de janeiro, quando na verdade ele é ilegal e ilegítimo desde que tomou o poder, como provam 4 informes da OEA e a Carta Democrática Interamericana (CDI), ativada há anos, massacres públicos, assassinatos políticos filmados e transmitidos, presos políticos, torturados, exilados, crise humanitária, narcoestado e mais!
A ditadura de Daniel Ortega e Rosario Murillo na Nicarágua é visível para o mundo desde abril de 2018, com os massacres que assassinaram cerca de 500 pessoas, feriram mais de 2.500, prenderam milhares e torturaram um número indeterminado. A ditadura já tem vários anos, desde quando Ortega fraudou, controlou todos os poderes, acabou com o Estado de Direito, usou os tribunais de justiça para sua eleição indefinida, tirou opositores do Congresso e mais. Agora - antes tarde do que nunca - discute-se a aplicação da Carta Democrática Interamericana e os ditadores gritam democracia. 
Insistem em ver a Bolívia fora do grupo de ditaduras e insistem no eleitoralismo manipulado de Evo Morales. Assim como na Venezuela e na Nicarágua, com falsificações, crimes e massacres, Morales liquidou a República e a suplantou por um estado plurinacional, impondo sua constituição, a qual descumpre ao desconhecer o referendo de 21 de fevereiro de 2016 (21F), que disse NÃO mais reeleições. É candidato porque tribunais controlados por ele permitem reeleição indefinida como “seu direito humano”. Presos políticos, mais de 20 massacres, mais de 1.200 exilados, greves de fome, denúncias no tribunal internacional de Haia, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, à OEA e mais, ainda não foram suficientes para que Morales seja marcado como ditador, como não aconteceu oportunamente com Castro em Cuba, Chávez e Maduro na Venezuela, nem Ortega na Nicarágua. 
Nenhuma destas ditaduras é nacional, não são processos locais nem autônomos. São o resultado da ditadura cubana com o Foro de São Paulo, o socialismo do século 21, o castrochavismo com dinheiro da corrupção e do tráfico de drogas. São ditaduras agrupadas e controladas por Cuba, cujos funcionários atuam nos serviços de inteligência, governos, torturas, repressão, relações internacionais, desestabilização e mais, em e para 14 países, como denunciou o Secretário-Geral da OEA. 
A democracia das Américas enfrenta um grupo estruturado de crime organizado transnacional, um inimigo que busca aliados globais no crime e no terrorismo para se sustentar. Não se pode continuar tratando a ditadura de Cuba à margem do que ocorre nas e com as ditaduras de Venezuela, Nicarágua e Bolívia, e vice-versa, e a todas e cada uma, sem reconhecer que são integradas e articuladas. Quem errar ao identificar seu inimigo será derrotado. 
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Gazeta Social
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