terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Jornalista interrompe e Sergio Moro rebate insinuação de parcialidade para prejudicar o PT; Caso Marielle Franco





Em entrevista a jornalistas no programa Roda Viva nesta segunda-feira, Sergio Moro, ministro da Justiça do Governo Bolsonaro, rebateu uma insinuação da jornalista Malu Gaspar, da Revista Piauí, a respeito de uma suposta parcialidade no que concerne à liberação de depoimentos e delações.




Conforme a jornalista, Moro teria divulgado a delação de Palocci dias antes do primeiro turno das eleições, o que prejudicaria o PT. No ensejo, ela disse que Moro teria adiado um depoimento de Lula pelo risco de interferência nas eleições. Na interpretação da jornalista, o depoimento poderia beneficiar o PT.

Após a jornalista questionar se seria um caso de “dois pesos e duas medidas”, Moro retrucou: “Olha, esse episódio do depoimento do Palocci é totalmente superdimensionado. O próprio Palocci já tinha prestado depoimento algum tempo atrás. O que ele falou nessas audiências públicas é o que está naquele depoimento por escrito. Não tinha nenhuma novidade ali”.

Moro acrescentou: “Nós pegamos aquele documento que correspondia a um conteúdo que já tinha vindo a público no passado, há pouco tempo atrás, e foi colocado no processo. Aí, se fez toda uma exploração em cima daquele depoimento, mas já tinha sido publicizado lá atrás”.

A jornalista interrompeu o ministro, dizendo que o depoimento trazia informações sobre Caixa 2. O ministro retrucou: “Sim, que ele já tinha falado anteriormente. Eu tinha que usar porque, se não fizesse, a defesa poderia arguir nulidade, argumentando que eu teria ocultado um depoimento ao qual a acusação teria tido acesso”.

A jornalista interrompeu Moro novamente, afirmando: “Quer dizer que o senhor se preocupa com a eleição na questão do depoimento, o senhor estava preocupado na questão de Lula…”.

A seguir, Moro rebateu: “Não, veja, há uma diferença de grau enorme. Quando fizemos o primeiro depoimento judicial do ex-presidente Lula, teve mobilização, ameaça de tumulto, correligionários ameaçavam, tivemos que montar todo um aparato, aquilo galvanizou o país, as principais revistas e jornais deram ampla cobertura. No caso do Palocci, ele já havia dado o depoimento antes. Aquilo foi determinante para as eleições? Não interferiu em nada, ele já tinha falado lá atrás”.

No que concerne ao caso Marielle Franco e a posição do Governo Bolsonaro, Sergio Moro comentou: “A situação é muito clara. Houve esse caso terrível. Houve uma investigação na polícia civil do Rio de Janeiro, isso ainda em 2018. Por volta do final de 2018, a então procuradora-geral, Raquel Dodge, entendeu que estava havendo uma obstrução, uma fraude na investigação, e requisitou ao ministro Jungmann que fosse instaurado inquérito na Polícia Federal para apurar uma possível manipulação da investigação”.

O ministro prosseguiu: “O inquérito foi instaurado e correu, boa parte, no governo do presidente Bolsonaro. Foi colocado que seria um caso para o qual se daria prioridade para elucidar este fato. Confirmou-se que havia sido introduzida uma testemunha fraudulenta dentro da investigação no âmbito da Polícia Civil, do Ministério Público Estadual”. 

Ademais, Moro relatou a contribuição da Polícia Federal para o caso: “Excluiu-se a testemunha fraudulenta que estava conduzindo a investigação...Demos todo o apoio possível para que o trabalho fosse realizado. A Raquel Dodge, entre seus últimos atos, requereu a federalização. Entendeu que não havia condições de a polícia do Rio continuar. No primeiro momento, até me posicionei no sentido de ser melhor ir para a Polícia Federal. Claro que a estadual tem a sua qualidade, mas houve esse episódio anterior que levantava uma série de dúvidas”.

No ensejo, ele explicou por que passou a defender a não-federalização do inquérito: “Quando externei publicamente, familiares da Marielle falaram que não queriam que fosse federalizado. E levantaram - com todo o respeito - de uma forma não muito justa, que o Governo Federal poderia obstruir as investigações, o que era falso. Agora, se a família da vítima não quer, se há essa colocação de que o governo poderia fazer algo de errado, minha posição é de que é melhor a gente se afastar”.

Inquirido sobre a posição do presidente Jair Bolsonaro no que respeita a este caso, Moro foi taxativo: “Esse assunto foi comentado com o presidente e ele sempre apoiou, sempre entendeu que precisava ser elucidado, nunca houve qualquer interferência indevida do presidente”.

Após um breve intervalo, Moro sublinhou: “O Governo Federal é o maior interessado em elucidar este crime. Envolveram fraudulentamente o nome dele na investigação. Nós somos cobrados internacionalmente por este caso. Em que pese a minha opinião de que a PF poderia apurar este fato, se os familiares da vítima se posicionam contra, é melhor que fique no Rio de Janeiro. Eventualmente, nós damos o suporte possível”.

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