sexta-feira, 29 de maio de 2020

General Heleno retruca: ‘Tem um monte de fake news publicadas diariamente em vários jornais, e não acontece nada’





O ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Augusto Heleno, conversou com jornalistas ontem, na saída do palácio do Alvorada, e falou sobre as dificuldades de se caracterizar o que é fake news. 



Questionado se alteraria sua Nota à Nação Brasileira, Heleno disse que não há o que alterar, só cabe aguardar as decisões do Ministério Público e do Judiciário. O general apontou o problema das fake news, mostrando que a velha imprensa viu “rumores de intervenção militar” em uma nota em que ele denunciou uma agressão à normalidade institucional. O general Heleno disse: “Eu não falei em Forças Armadas, não falei em intervenção militar. A imprensa está fomentando tanto isso que vai vir uma geração de jovens com isso na cabeça. Que bacana é fazer intervenção militar. Ninguém está pensando isso, prevendo isso, pensando em golpe…  O que está dito ali é que aquela atitude não se justifica, que a maior autoridade do país tenha o celular apreendido a troco de coisas que não têm o menor sintoma de crime. Apreender o celular do presidente da República? Não faz sentido. Só isso que eu disse: isso é uma agressão à normalidade institucional”. 


Alguns repórteres tentaram insistir na narrativa de que as manifestações de apoio ao presidente pediriam intervenção militar, e questionaram se o general vê perigo de se criar uma geração que acredite nisso. Heleno disse: “Se essa geração vier achando que intervenção militar resolve alguma coisa, vamos formar uma geração completamente deturpada. Intervenção militar não resolve nada! E ninguém está pensando nisso. Não houve esse pensamento nem da parte do presidente, nem de nenhum dos ministros. Isso só tem na cabeça da imprensa. A imprensa está contaminada. Não sei quem contaminou vocês com isso”. 

O general explicou aos repórteres que todas as pessoas têm o direito de manifestar suas ideias e opiniões, quaisquer que sejam elas. Heleno disse: “Nas manifestações, eles podem falar o que quiser, podem prever um regime soviético no Brasil. A manifestação é livre, espontânea, permitida. Outra coisa são vocês, que são institucionais. Vocês são a instituição imprensa nacional. Então, vocês têm uma responsabilidade enorme. Por isso que é muito difícil caracterizar fake news. Tem um monte de fake news publicadas diariamente em vários jornais, e não acontece nada. Que causam prejuízo ao país, causam prejuízo à condução do país, e tá lá, e fica. E é fake news. Vai processar tudo que é jornalista que publicar fake news? Poxa, é difícil”. 

Um jornalista questionou se não seria responsabilidade do Poder Executivo “baixar a temperatura” política. O general disse: “Todos nós queremos que as coisas se normalizem. O país está vivendo uma crise. Nós precisamos caminhar para a solução dessa crise, uma crise da qual não sabemos exatamente quais serão as futuras consequências, do ponto de vista econômico, social, até educacional. Então, ninguém está querendo incendiar nada. Tem que ver os dois lados, então. Vamos combinar, vamos manter o equilíbrio entre os poderes, limitar as decisões às atribuições dos respectivos poderes. No momento em que há uma manifestação de uma possibilidade de alguém apreender o celular do presidente da República, se nós ficarmos calados (eu principalmente), parece que eu estou concordando. E sou absolutamente contra isso. Isso não pode nem ser ventilado. Qual a razão de apreender o celular do presidente Bolsonaro? Me dê uma razão plausível disso aí. Então, é preciso que, dos dois lados, seja buscado o equilíbrio, o bom senso, a harmonia, o respeito entre os poderes”. 

Enquanto defendia a independência e o respeito entre os poderes, o ministro foi interrompido com uma pergunta sobre a reunião ministerial de 22 de abril, cujo vídeo foi tornado público pelo ministro Celso de Mello. O general Heleno disse: “Chega de revelar reuniões secretas, reservadas, botar isso no ventilador. Isso é outra coisa que tá errada, totalmente errada”.

Heleno comentou a saída do ex-ministro Sergio Moro, explicando: “se supervalorizou, e se está perdendo um tempo enorme, com a troca de um funcionário de segundo escalão, cuja nomeação e exoneração são atribuições exclusivas do presidente da República. Fora isso, é fake news!”. O general acrescentou: “o presidente não tem que ter motivo para exonerar o diretor-geral da PF. É atribuição dele! Os motivos podem ter sido reservados, sigilosos. São dele!”

Sobre a saída de Moro, Heleno disse: “Faltou a esse ministro entender o que é hierarquia e entender que era atribuição do PR. Colocou a coisa numa situação dramática que não existia. A coisa foi levada para um lado que não deveria ter sido levada. E é direito, também, do ministro, sair a hora que ele quiser. A gente está transformando a estrutura funcional e administrativa em coisas dramáticas. Não tem drama!”

O general ainda foi cobrado pelos jornalistas, que queriam que o Gabinete de Segurança Institucional proibisse os cidadãos de criticarem a imprensa, ali na frente do palácio do Alvorada. O general disse: “nossa intenção é pacificar isso aí. Vocês têm que trabalhar em paz e os manifestantes têm que ter liberdade”. O general disse que a segurança vai agir para impedir agressões físicas, mas não tem como nem por que impedir agressões verbais. 

Heleno disse: “a expressão de voz é um direito do cidadão”. O general comparou: “o juiz é xingado de tudo, a torcida tem até música para xingar a outra torcida. E daí?”. E lembrou aos jornalistas que “a liberdade de expressão vale para todo mundo”. Por fim, o general Heleno explicou: “estivesse em outro país, tivesse um regime de força, não teria nem isso aqui nem vocês estariam aí”.

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