quarta-feira, 3 de junho de 2020

General Mourão retruca Celso de Mello, ministro do STF, e manda recado sobre ações ilegais




O vice-presidente, General Hamilton Mourão, publicou um artigo, intitulado “Opinião e princípios”, no jornal O Estado de S.Paulo. No artigo, o vice-presidente condena a apresentação de ataques ilegais ao patrimônio como se fossem “manifestações”. Segundo Mourão, não são democráticos atos que ferem pessoas e o patrimônio público e privado, todos protegidos pela democracia. 

O general Mourão lembra que os “movimentos” são umbilicalmente ligados ao extremismo internacional, e acrescenta: “É um abuso esquecer quem são eles, bem como apresentá-los como contraparte dos apoiadores do governo na tentativa de transformá-los em manifestantes legítimos. Baderneiros são caso de polícia, não de política”.

Hamilton Mourão afirma que seu artigo não é dirigido aos participantes diretos dos atos ilegais, mas sim àqueles que “os usam, querendo fazê-los de arma política; aos que, por suas posições na sociedade, detêm responsabilidades institucionais”. Mourão questionou os objetivos dos que fomentam atos como esses, e afirmou: “Isso pode servir para muita coisa, jamais para defender a democracia. E o País já aprendeu quanto custa esse erro”.

Mourão questionou ainda os valores por trás de ataques realizados a pretexto de protestar contra uma suposta “ameaça às instituições”, questionando se seria lícito usar crimes para, supostamente, defender a democracia. O vice-presidente afirma: “Não é admissível que, a título de se contrapor a exageros retóricos impensadamente lançados contra as instituições do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, assistamos a ações criminosas serem apoiadas por lideranças políticas e incensadas pela imprensa. A prosseguir a insensatez, poderá haver quem pense estar ocorrendo uma extrapolação das declarações do presidente da República ou de seus apoiadores para justificar ataques à institucionalidade do País”.

A “importação de problemas” também foi questionada por Hamilton Mourão, que, após lembrar que o Brasil já tem os próprios problemas, disse: “É forçar demais a mão associar mais um episódio de violência e racismo nos Estados Unidos à realidade brasileira. Como também tomar por modelo de protesto político a atuação de uma organização nascida do extremismo que dominou a Alemanha no pós-1.ª Guerra Mundial e a fez arrastar o mundo a outra guerra. Tal tipo de associação, praticada até por um ministro do STF no exercício do cargo, além de irresponsável, é intelectualmente desonesta”.

Mourão também ironizou a atitude da velha imprensa, que atribui ares “ditatoriais” ao governo, e voltou a alfinetar a atitude de membros do Judiciário, sem citá-los nominalmente. Mourão disse: 

Lendo as colunas de opinião, os comentários e até despachos de egrégias autoridades, tem-se a impressão de que sessentões e setentões nas redações e em gabinetes da República resolveram voltar aos seus anos dourados de agitação estudantil, marcados por passeatas de que eventualmente participaram e pelas barricadas em que sonharam estar.
Não há legislação de exceção em vigor no País, nem política, econômica ou social, nenhuma. As Forças Armadas, por mais malabarismo retórico que se tente, estão desvinculadas da política partidária, cumprindo rigorosamente seu papel constitucional. Militares da reserva, como cidadãos comuns, trabalham até para o governo, enquanto os da ativa se restringem a suas atividades profissionais, a serviço do Estado.

O vice-presidente conclui o artigo lembrando da necessidade de se lidar com os problemas reais do Brasil, agravados pela pandemia que assola o mundo todo. Mourão disse: 

Se o País já enfrentava uma catástrofe fiscal herdada de administrações tomadas por ideologia, ineficiência e corrupção, agora, diante da catástrofe social que se impôs com a pandemia, a necessidade de convergência em torno de uma agenda mínima de reformas e respostas é incomensuravelmente maior. Mas para isso é preciso refletir sobre o que está acontecendo no Brasil.

Quando a opinião se impõe aos princípios, todos perdem a razão. Em todos os sentidos.

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