sábado, 19 de setembro de 2020

Senador, deputados e jornalistas reagem contra ‘objetivos espúrios’ de Moraes e Toffoli, do STF, após publicação de revista



O site Crusoé afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, utiliza os inquéritos que conduz em segredo de Justiça para descobrir se a Lava Jato investiga ministros do próprio STF. Segundo o site, que afirma ter tido acesso a um dos inquéritos, um desembargador assistente de Moraes requisitou cópia do inquérito que mencionava que o apelido “amigo do amigo do meu pai” se referia a Toffoli, tendo sido prontamente atendido. 

Segundo o site, o inquérito foi utilizado para ouvir um ex-diretor jurídico da Odebrecht, que foi questionado sobre quais informações sobre membros do Supremo poderiam ser de conhecimento dos procuradores da Lava Jato. O depoimento teria sido imediatamente enviado ao ministro Alexandre de Moraes. O inquérito teria sido utilizado da mesma forma para ouvir outras pessoas envolvidas na Lava Jato, inclusive um auditor fiscal da Receita Federal e o empresário Jacob Barata Filho. 

Após as revelações, o Senador Lasier Martins avaliou: “SUPREMO EM CAUSA PRÓPRIA. Segundo reportagem da Revista Crusoé, o inquérito das Fake News foi usado pelos homens de Alexandre de Moraes para apurar clandestinamente se a Lava Jato tinha ministros do STF na mira”. 

Neste contexto, ele conclamou: “Parece que alguns ministros não têm limites. O Supremo precisa ser reformado”.

O Deputado Daniel Silveira, aliado do presidente Jair Bolsonaro, repercutiu o caso: “Revista aponta que o ‘inquérito do fim do mundo’, instaurado por Alexandre de Moraes, tinha como objetivo descobrir segredos da Operação Lava Jato sobre Toffoli”.

O Deputado Filipe Barros, por sua vez, criticou: “Para surpresa de zero pessoas, o Inquérito AI5 do nem tão supremo tribunal federal foi criado e utilizado  para objetivos espúrios e nada republicanos: censurar investigações que tinham por objeto supostos crimes cometidos por ministros”.

O diretor jurídico do Instituto Nacional de Advocacia (INAD), o advogado Pierre Lourenço fez uma grave admoestação: “Os inquéritos da Fake News e dos Atos Antidemocráticos escondem em seus nomes uma tentativa clara de censura, perseguição política e ataque a democracia por parte de alguns min. do STF, onde nem na época do império ou do regime militar tivemos pessoas tão autoritárias no poder”.

A organização não-governamental internacional “Transparência Internacional - Brasil”, especializada em promover a transparência e o combate à corrupção, aquilatou: “Instaurado de ofício pelo então presidente do STF Dias Toffoli, o inquérito das ‘fakenews’ foi usado para acessar secretamente investigações em que aparecia seu próprio nome. O inquérito é um dos atos mais autoritários do Supremo desde a redemocratização do Brasil”.

Por seu turno, Fábio Talhari, advogado, professor e Editor da Revista Vida Destra, pontuou: “O inquérito é ilegal e inconstitucional. E esse uso indevido dele é muito grave”.

A deputada Bia Kicis reproduziu texto da matéria: “Um dos piores capítulos da história do Supremo, a pretexto de proteger a corte e a democracia, acabou por avançar sobre o livre funcionamento das instituições. Virou um instrumento de autoproteção não apenas contra ameaças de militantes voluntariosos, como o discurso oficial fazia crer, mas também para que as excelências soubessem, de antemão, se estavam expostas a riscos de outra ordem” 

No ensejo, o filósofo Olavo de Carvalho repercutiu, em suas redes sociais, um comentário de Sarita Coelho a respeito do caso: “A turma que apoiou a perseguição política a conservadores por meio de um inquérito ilegal está arrependida ou fazendo de conta?”. Anteriormente, ele havia comentado: “O STF é um órgão do Foro de São Paulo, nada mais”.


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