sábado, 26 de setembro de 2020

Superintendente de Bolsonaro desabafa e publica texto impactante mostrando processo sinuoso e burocrático para privatização de imóveis



Por meio de suas redes sociais, Marcio Furtado, superintendente do Patrimônio da União no Governo Bolsonaro, relatou o processo dispendioso para privatizar bens imobiliários da União e explicou por quais motivos a equipe do Ministério da Economia comemora cada venda.

Leia a íntegra do texto do superintendente:

“Quão difícil e trabalhosa é a venda de um simples imóvel federal (por isso, vale cada minuto de comemoração quando vendemos):

1: Pegamos uma gestão patrimonial cuja esmagadora maioria dos 650 mil imóveis estava com seu cadastro em nosso sistema desatualizado; 

2: Valor do imóvel sem atualizar desde 1970, tamanho do terreno errado, edificações e benfeitorias inexistentes ou não averbadas, estavam “em estoque”, porém cedidos a outros órgãos, etc. Navegar pelo sistema era impossível; 

3: Sabendo disso não houve outra alternativa senão visitar pessoalmente os imóveis indicados pelo conhecimento pessoal dos servidores de carreira do Ministério. Esses sim sabem pelo ofício da profissão quais são da União. Só que isso leva tempo. Muito tempo; 

4: Em muitos estados, os imóveis relevantes e de potencial interesse da iniciativa privada estão a quilômetros de distância das capitais. Então, para conhecer 1 imóvel, você leva 3 dias na viagem de carro; 

5: A partir da visita pessoal, você começa a jornada de atualizar a avaliação financeira do ativo. Nós temos engenheiros e arquitetos de primeiríssima linha para essa atividade. Só que também leva tempo para produzirem os laudos; 

6: A partir do laudo pronto (10 a 45 dias dependendo do imóvel), você parte para as requisições de certidões cartoriais e municipais. Aí que começam outras histórias a serem contadas por cada ente. Débitos da era de Pedro Álvares de Cabral podem surgir (rs); 

7: Se o prefeito for contra essa nossa política de Desestatização Imobiliária (e muitos no Brasil são), eles podem atrasar sobremaneira a emissão das certidões nesse ponto; 

8: Mais uns 40 dias (sendo otimista) nas etapas de Cartório e Prefeitura e você está quase pronto para abrir o processo licitatório para a concorrência de compra. Mas ainda temos atores na peça a entrar: vereadores + deputados estaduais + deputados federais + senadores + associações de bairros; 

9: Levando em conta que você também se dedicou a outras tarefas do dia a dia do Ministério, tranquilamente já temos 6 meses desde o início da visita ao imóvel; 

10: Estados e municípios, pelo pacto Federativo, podem solicitar e receber gratuitamente imóveis federais para instalarem órgãos, secretarias, sedes, delegacias, etc; 

11: Quando você está na cara do gol para lançar o Edital de Venda, algum dos novos atores acima faz uma capciosa solicitação do imóvel com viés social: “acho que nele cai bem uma praça pública ao invés da venda”; 

12: Pronto. Após essa solicitação oficial seu processo de venda se trava por pelo menos mais 60 dias, pois existe a mobilização política e social e os órgãos de controle entram em cena e pedem mais informações sobre o motivo de você querer vender o imóvel ao invés de aceitar o pedido; 

13: As câmaras municipais e Assembléias aproveitam para te chamar para uma audiência pública para “prestar mais esclarecimentos à sociedade” sobre a venda do imóvel ao invés de cedê-lo ao pedido; 

14: Entre conflitos de agenda, explicações, alguém importante tira férias nesse meio tempo, imprensa, outros temas e rotinas você já está há uns 10 meses no mesmo imóvel tentando vendê-lo; 

15: Quando finalmente houve exaustão do tema e você de fato tem o caminho livre para a venda, você lança o Edital e começa a despertar e receber o interesse da iniciativa privada; 

16: Por isso, tenham paciência quando nós comemorarmos uma transação concluída nas redes sociais, rsrs! 🎉Pra nós e para o Brasil 🇧🇷 é uma vitória hercúlea!”.


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