quinta-feira, 13 de junho de 2013

Resposta a distorções de "ADG" ( aquele que "humilhou o Brasil" ou Alexandre "High Torque")



Alexandre "High Torque" ou "ADG". Imagem: Reprodução
Infelizmente, a divulgação por mim realizada em matéria para a Folha Política gerou, no mínimo, uma interpretação errônea por parte do autor do vídeo, Alexandre "High Torque", o qual se dirigiu a mim com ataques, difamações, distorções e manipulações em recente vídeo. 

Infelizmente, só vim a saber da existência de tal vídeo por indivíduos que realizaram ataques agressivos e infundados à minha pessoa em meu perfil no Facebook e na página da Folha Política nesta rede social. Não fui consultada antes de sua elaboração, tampouco avisada sobre o vídeo.


Tendo isso em vista, creio que são necessários alguns esclarecimentos, de modo a dirimir e esclarecer tais distorções, além de responder a ataques realizados, de modo totalmente infundado e irresponsável, por "ADG" contra a minha pessoa e ao portal de notícias.

Tenho consciência da limitação do efeito de minha resposta, tendo em vista que muitos dos que tiveram acesso à matéria têm aversão à leitura, preferindo vídeos e imagens, ou sofrem de analfabetismo funcional (condição que atinge ao menos 75% da população brasileira), além de não lerem textos longos. No entanto, sugiro a leitura, pois creio que pode servir de aprendizado a muitos, por mais limitada que possa ser a minha pessoa. Peço desculpas pela utilização deste espaço para uma defesa pessoal, mas tais fatos precisam ser esclarecidos, tamanha a manipulação.
Não postarei o vídeo relacionado para evitar conceder publicidade a este sujeito, pois há uma grande chance de tais deturpações terem sido realizadas justamente com este objetivo.

Alexandre "High Torque" ou "ADG". Imagem: Reprodução

Resposta a distorções, mentiras e manipulações de "ADG" ou Alexandre "High Torque"

Como foram muitos os ataques, responderei por tópicos, tentando ser breve. Primeiro, esclareço que a divulgação do vídeo foi, como em todos os meus outros artigos - qualquer um pode acessar neste site - promover o debate. 

1 - "ADG" atacou: "Essa tal de Lígia, que se diz analista de sócio-mecanismos. Ela é tão analista que nem sequer prestou atenção no vídeo e na pessoa que tava fazendo o vídeo. Ela colocou 'Brasileiro residente nos EUA humilha'. Nem prestou atenção no vídeo e na pessoa que estava fazendo o vídeo. Primeiro que eu não sou residente. Depois ela muda para 'Brasileiro em viagem nos Estados Unidos'..."

Primeiramente, cabe ressaltar que a Folha Política não é um tablóide, tampouco um jornal "social", tal como uma Revista Caras. Não temos interesse em divulgar a vida das pessoas, mas ideias, posições e discursos políticos, axiológicos, valorativos, morais, de modo a estimular o debate entre os cidadãos, permitindo o crescimento pessoal dos mesmos. Não interessa se a pessoa trabalha ou não, viaja ou mora, se a viagem é a trabalho, para empresa, visitar familiares ou o que seja. Portanto, não me preocupei em pesquisar toda a sua vida pessoal, apenas inferi tal condição pelo que você mesmo diz no vídeo.

No seu vídeo, você dirige o veículo e não fala que é alugado, dando a entender que é seu. Além disso, disse "não vejo a hora de me mudar definitivamente para cá e nunca mais voltar para essa m.... de país". Fiz a pressuposição de que você era um residente com visto temporário nos EUA, por falar "mudar definitivamente", além de toda a autoridade com que você falou sobre o país, dando a entender ser um grande conhecer do mesmo, não apenas um visitante em viagem rápida a trabalho. 

De todo modo, há a distinção entre residente temporário e definitivo. Por você estar lá, coloquei como residente pelo fato de você estar "residindo" no país enquanto fazia o vídeo, ainda que não "morasse" lá.

Em momento algum você falou que era apenas uma viagem, de modo a contextualizar o vídeo e tornar essa posição evidente para quem o assiste. Ademais, isso é irrelevante para o caso, de modo que acabo por pressupor que você realizou tal crítica de modo gratuito, apenas para despertar polêmica e chamar a atenção, fazendo-se de "vítima caluniada" para se promover.

A razão de colocar esta condição no título foi justamente a de favorecer o seu vídeo e despertar a curiosidade das pessoas quanto ao que seria exposto no mesmo. Diariamente, centenas de milhares de brasileiros criticam o país sob diversas condições e quanto aos mais variados temas. O fato de associar os EUA e o fato de você estar lá tratou-se justamente de abordar, de um modo resumido e que coubesse na manchete, que você faria comparações e que tinha conhecimento de causa a respeito dos Estados Unidos da América, por estar lá. 

Se eu quisesse ter depreciado o seu vídeo, a manchete poderia ter sido algo como "Brasileiro iludido em viagem nos EUA fala besteiras e gera polêmica", "Brasileiro critica o Brasil de modo ridículo", "Brasileiro fala palavrões em crítica ao Brasil, por não ter argumentos", "Brasileiro que nunca lutou por nada faz crítica àqueles que lutam por seus direitos", "Brasileiro covarde quer abandonar o Brasil por estar encantado com os EUA", como, inclusive, muitos jornais o fizeram, após minha reportagem, e você provavelmente viu.

De todo modo, tendo em vista a minha honestidade e a da publicação, logo após um seguidor seu declarar que você estava apenas viajando, eu alterei o título imediatamente e coloquei uma errata, de forma a admitir o título anterior, o qual poderia gerar equívocos, a despeito de não interferir em praticamente nada, tendo em vista que o intuito era mostrar que você conhecia, ainda que de modo possivelmente equivocado e distorcido, os EUA.

2 - "Eu não humilhei ninguém"

Primeiro, você parte do pressuposto de que humilhar é algo necessariamente ruim e negativo. Você pode humilhar um político, expondo a ele publicamente todos os seus crimes e os efeitos desses na saúde e na educação, humilhar alguém que se sente superior por falar besteiras sem fundamento, apontando os seus erros etc. Como exemplo, veja a matéria que realizei sobre críticas de uma professora a políticos, deixando-os sem resposta: "Professora humilha políticos em depoimento sobre a educação no Brasil" - http://www.folhapolitica.org/2013/06/debate-professora-humilha-politicos-em.html

Além disso, não é preciso mentir para humilhar. Em verdade, a maior parte das humilhações tem base em fatos verdadeiros. Humilhar é diferente de criticar. Quanto a uma pessoa obesa, você pode criticá-la construtivamente ("Seria razoável que você tivesse um maior controle alimentar, tendo em vista a sua saúde, assim como é bom que você procure um tratamento, tendo em vista a necessidade de ajuda") ou humilhá-la ("Seu gordo de m...., obeso do car......, você só come bo...., deveria ter vergonha, nem olhe para a minha cara, não aguento mais ver essa cara imunda, olhe aquele ali, é forte, malhado, tem saúde e conquista todas as garotas"). Não quero me alongar nisto, mas creio que é nítida a diferença e com qual discurso o seu se pareceu muito mais e a razão da escolha da palavra "humilhar".

Humilhar é rebaixar, mostrar algo como vergonhoso, digno de vergonha, colocar o humilhado em uma posição inferior pelo que se fala ou diz. E foi justamente isso que você fez ao abordar o Brasil, mostrando todos os fatos que você vê como defeitos e comparando-o aos EUA, mostrando o país norte-americano como "melhor em tudo". Isso não é necessariamente negativo. O intuito de divulgar o seu vídeo foi justamente para dar ensejo ao debate livre entre os cidadãos, permitindo que houvesse discussões a respeito do tema, tendo em vista tantas disparidades entre ambos os países.

3 - Afirma "essa especialista em análise aí"

Em momento algum eu afirmei ser especialista em qualquer coisa. Neste ponto, você parece querer "desenhar" minha imagem como a de alguém arrogante e prepotente, que "se diz especialista", sendo que em momento algum eu afirmei isto. Age de forma desonesta e irresponsável.

4 - "Na folhinha dela, naquela materiazinha sem vergonha, o que ela tem de curtida na sua fanpage, em todo tempo o tempo eu tenho mais visualizações que ela em um só dia". Em outro vídeo, afirma ser a média de 60 mil visualizações por dia.

Neste ponto, a sua desonestidade é evidente. Em primeiro lugar, eu não sou proprietária da Folha Política, apenas faço a redação após pesquisa de muitos colaboradores e sugestões de centenas de seguidores.

Não há razão em comparar likes de fanpages com visualizações por dia. No Facebook, nossas postagens têm uma média de 90 mil visualizações por dia e no site uma média de 150 mil visualizações por dia, apesar de termos iniciado nossos trabalhos há cerca de 3 semanas apenas. Neste ponto, parece querer nos diminuir pelo fato de termos menos seguidores, "assassinando" a matemática e o bom senso, pela seguintes razões:

a) O seu canal tem cerca de 7 anos e tinha, no momento, 74 mil seguidores. Considerando-se 50 semanas por ano, você obteve uma média de 1480 seguidores por semana. Em três semanas, tivemos 48 mil seguidores, o que demonstra uma média de 16 mil por semana. Se tivéssemos 7 anos, teríamos, por essa média, 5,6 milhões de seguidores. 

b) Além disso, você fala de automóveis e usa vídeos, enquanto falamos de política e sociedade, usando textos. A comparação já começa absurda, pelo gênero e pelo modo dos mesmos, além de comparar visualizações, que tendem a ser sempre maiores - nem todos que visualizam se inscrevem -, além de não citar o seu número de seguidores.

c) Vale ressaltar que, no Facebook, você detinha apenas 7 mil seguidores, mostrando mais uma vez o quanto você é tendencioso e manipula informações.

5 - "Ela coloca 8 comentários contra e 2 a favor [fazendo gestos agressivos no vídeo]. Olha o quanto ela é imparcial". 

Neste ponto, por estar me acusando, creio que você quis dizer parcial, isto é, aquele que mostra uma parcela apenas, somente uma parte, em vez de imparcial (que não tem partes). Há a hipótese de ter sido irônico, mas não foi o que pareceu pelo tom do seu discurso.

Provavelmente, você não leu o texto ou leu apenas um parte dele. Eu abordei a repercussão do seu vídeo em outras mídias sociais, como sites automotivos, em que a grande maioria foi contra a sua posição. Justamente por isso interessei-me em divulgar o seu vídeo, por saber que muitas pessoas de páginas parcerias da Folha Política, como MCC, QFC e outros, que somam 2 milhões de seguidores e 12 milhões de visualizações por dia, tinham posições favoráveis às suas. Além disso, combinei a divulgação com as páginas parceiras justamente por você ter - exceto pela ridicularização de outros movimentos sociais - falado muito do que se fala nas mesmas há anos.

Eu inseri 8 comentários após algum tempo, pois algumas comentários na página diziam que "não tinha como ser contra, ninguém foi contra". Eu relatei, após a publicação, que em nossa divulgação a maior parte foi a favor (como faria antes de ter publicado?), assim como nos movimentos parceiros da página. Mesmo tendo colocado 8 contrários, os quais divulguei de modo a promover o debate, tendo em vista que disponibilizamos a você quase 10 minutos para falar e temos de ser imparciais na divulgação de opiniões, além de estimularmos o debate apresentando diferentes opiniões. A sua distorção é ridícula: por termos sido imparciais, mostrando argumentos e posições de ambos os lados, teríamos sido parciais. Pelo que aparenta, você se sentiu incapaz de responder àqueles que o criticaram e, por esta razão, desviou o tema para me criticar apenas por ter dado voz aos mesmos, além de ter dado, antes de tudo, a você. Como jornalista, tenho de mostrar todos os lados da questão. Sinto se você e seus "seguidores" sentiram-se ofendidos por eu ter veiculado comentários contrários e com outras posições. Além disso, você é desonesto em ocultar todos os comentários contra o que você diz em seu vídeo, banindo os usuários (você mesmo admitiu isso em recente vídeo). Não banimos ninguém nem ocultamos comentário algum, de modo a promover o debate. Você oculta e bane, deixando apenas os favoráveis a você, de modo a fazer parecer ser uma unanimidade e manipular a opinião pública.

Além disso, coloquei os likes que os comentários ao seu favor receberam, os quais somavam  136 likes, alé dos 2 que comentaram. Isso quer dizer que mostrei 138 pessoas que lhe apoiavam, enquanto mostrei 8 que criticavam. Apenas não transcrevi mais comentários de apoio para não sobrecarregar a página com imagens, pois se resumiam a "É isso aí", "Falou tudo", "Mandou bem", "É tudo verdade", em nada contribuindo para o debate. Colocá-los seria perda de tempo e atrapalharia a matéria. O número de likes, fora as afirmações sobre seguidores de movimentos que lhe apoiaram, foram mais do que suficientes para demonstrar o apoio que você recebeu por muitas pessoas. Além disso, não sei a razão de você ter se focado tanto nisso, se tanto criticou Dilma ("essa p... dessa Dilma", "esse socialismo de m..." - a qual é constantemente denunciada e noticiada aqui  - sendo que ela tem a aprovação da maioria da população. Maioria é algo bom quando se aplica a você e não quando se aplica a quem você critica? Ademais, isto é uma falácia de "Ad numerum": "A maior parte das pessoas me apóia, logo estou certo". Dilma está certa?

6 - "Teve uma explosão de visualizações"

O seu vídeo já tinha cerca de uma semana e 37 mil visualizações quando publiquei. Em um dia, passou a 400 mil. Você crê que não há relação? Está enganado.

Logo após a publicação da matéria, o vídeo passou a ter 67 mil visualizações, antes mesmo de 10 minutos completos. Temos parcerias, como comentei, com páginas que somam 2 milhões de seguidores. O intuito foi justamente o de lhe dar voz, mas você parece não perceber que teria sido ignorado sem a nossa divulgação. Disto resultou a repercussão de seu vídeo. O restante da mídia o ignorou, ao menos até a minha publicação.

Divulgamos em páginas que já realizam diversas das suas críticas, exceto aos movimentos sociais e temas do gênero, há anos. O intuito era mostrar, em vídeo, um resumo, ainda que mal feito, de tais opiniões, promovendo o debate. Se o intuito fosse "escrachá-lo", teríamos postado em páginas das marchas da maconha, passeatas gays e outros. Divulgamos justamente onde você teria mais apoio, por serem nossas parcerias, de modo a disponibilizar às pessoas um vídeo com diversas opiniões que inundam o Facebook em comentários todos os dias.

Além disso, você falou "direito inútil", "marcha da p... que pariu", depois falou que eram direitos respeitáveis, mas que o importante era o "básico". Foi covarde em negar o que disse e qualquer um que assistir ao vídeo percebe a diferença entre ambos. Em momento algum critiquei seu vídeo. Se o tivesse feito - posso fazê-lo, caso você queira realizar um debate -, pode acreditar que teria sido muito diferente da reportagem - que vem de reportar, relatar - que realizei. Ademais, você nem mesmo leu minhas matérias no site, as quais dão embasamento a todas essas críticas que circulam nas redes sociais há tempos. Distorceu a realidade, tentando me expôr como alguém contrária, para se fazer de "perseguido pela mídia" e angariar adeptos, inflamando ódio contra a minha pessoa e contra o Folha Política.

Lígia Ferreira é analista de sócio-mecanismos.
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