sábado, 25 de janeiro de 2014

Ministro de Dilma chama ativistas de 'moleques' e diz que viu 'ingratidão' da população nas manifestações de junho


Gilberto Carvalho. Imagem: Reprodução/Augusto Nunes
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse que integrantes do governo ficaram "perplexos" com a eclosão dos protestos de junho e sentiram "ingratidão" da população naquele momento.


A declaração foi dada nesta sexta-feira (24) em um evento do Fórum Social Temático, em Porto Alegre, em que Carvalho discursou para movimentos sociais. Ele fez um balanço dos dez anos de governo petista e disse que "a direita fez festa" com os protestos do meio do ano passado.

"Quando acontecem as manifestações de junho, da nossa parte houve um susto. Ficamos perplexos. Quando falo nós, é o governo e também todos os nossos movimentos tradicionais. [Houve] uma certa dor, uma incompreensão, e quase um sentimento de ingratidão. [Foi como] dizer: fizemos tanta (sic) por essa gente e agora eles se levantam contra nós."

Neste momento, uma pessoa da plateia gritou: "Ah, sai daí". Adiante, o ministro falou que há uma nova "cultura" na internet de rapidez que influenciou o fenômeno. "O moleque que rapidamente no computador faz acontecer um monte de realidades virtuais tende a imaginar que também a realidade tem que ser mudada com muito mais velocidade."

Ontem, um protesto contra o aumento da tarifa de ônibus em Porto Alegre teve atos de vandalismo no centro da cidade. No início do discurso, o ministro fez ainda referência ao processo do mensalão.

"Trataram de criminalizar toda a nossa conduta, nos transformando quase em inventores da corrupção, enquanto nós sabemos que o problema nosso foi reeditar, infelizmente, em parte aquilo que eram os usos e costumes da política. Falo sobretudo do financiamento privado das campanhas eleitorais."

'ROLEZINHO'

A jornalistas o ministro do Palácio do Planalto também comentou a reunião agendada com a associação de shoppings para os próximos dias na qual irá tratar dos "rolezinhos".

Ele disse que pretende mostrar a "necessidade da convivência" aos lojistas. "Se tivermos capacidade de compreensão, de oferecer alternativas aos jovens e abrirmos o diálogo, não vai haver tanta tensão, nem tanta massificação."

O ministro afirmou que os adolescentes que promovem esses encontros são consumidores dos próprios estabelecimentos que agora tentam barrar o fenômeno. Para ele, os shoppings "saíram do centro" das cidades e foram para as periferias.

Sobre as liminares obtidas por shoppings pelo país, disse que não há como diferenciar na porta do centro comercial quem é o consumidor e quem é "o menino que vai fazer o rolezinho". "Acho que o Judiciário já percebeu que não é por aí."


Felipe Bächtold
Folha de S. Paulo
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