terça-feira, 6 de maio de 2014

Câmara vai gastar R$ 210 mil para trocar celulares de deputados; ligações são ilimitadas


Imagem: Divulgação
Com gastos ilimitados de telefone celular, deputados da cúpula da Câmara podem passar a circular com aparelhos top de mercado para substituir os que atualmente carregam no paletó.

A Câmara vai abrir na próxima quinta-feira (8) uma cotação para a compra de 75 novos celulares que deverão ser oferecidos a integrantes da Mesa Diretora e aos líderes dos partidos na Casa.


Os técnicos da Câmara escolheram para os congressistas modelos como Iphone 5S, Nokia Lumia 1020 e Sansung S4, além de acesso para internet 4G. Os aparelhos custam entre R$ 1,5 mil e R$ 2,7 mil. Também serão avaliados os custos de 50 smartphones de modelos mais simples para a Secretaria de Comunicação da Casa. A previsão de custo da que está sendo chamada de "bolsa smartphone" é de R$ 210 mil.

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Desde 2011, os parlamentares utilizam aparelhos que foram fornecidos por duas operadoras, sem custos para a Casa. Os aparelhos são da Nokia, modelo E-72, mas muitos optam por comprar os próprios aparelhos e usam apenas o chip.

A Câmara fixou no ano passado duas regras de uso para os telefones dos celulares. Os integrantes da cúpula e os líderes partidários têm direito a duas linhas sem limite de gastos e custo para o parlamentar, que permitem ligações locais, regionais e internacionais.

Já cada um dos 513 deputados tem direito a seis linhas de telefone, sendo que as despesas entram na verba para exercício da atividade parlamentar, que varia de R$ 21 mil a R$ 44 mil, dependendo do Estado de origem. Além de telefone, essa verba cobre ainda gastos com aluguel de escritório, carro, gasolina, alimentação, entre outros.

No ano passado, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) foi o campeão de gastos com telefone, com a média de R$ 11 mil por mês em ligações, entre celulares e fixo. Ele gastou o total de R$ 132 mil, sendo que uma conta de celular do deputado chegou a R$ 10,2 mil em janeiro.

A Câmara informou que, como se trata de um pregão para registro de preço, a Casa não terá obrigação de efetuar a comprar dos celulares, que serão adquiridos "conforme a necessidade". A instituição disse que os valores previstos no edital são apenas referência de mercado e normalmente são reduzidos durante a concorrência.

A Casa informou ainda que considera vantajosa a troca da permuta dos celulares pela aquisição porque "o custo do pacote de telefonia pode ser reduzido".

Márcio Falcão
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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