segunda-feira, 12 de maio de 2014

Trabalhadores da Ambev podem fazer greve nacional durante a Copa do Mundo


Imagem: Divulgação
Funcionários da Ambev, maior empregadora do setor de bebidas do Brasil, ameaçam entrar em greve nacional durante a Copa do Mundo, caso a empresa não queira atender reivindicações sobre a prevenção e redução de acidentes de trabalho nas fábricas. De acordo com dados do Ministério da Previdência Social (MPAS), entre 2010 e 2012, foram registrados 16.848 acidentes no setor, com 42 mortes no mesmo período. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA Afins), a Ambev também ainda não deu uma resposta a categoria sobre a abertura de negociações em todo o país. 


Diante da situação, operadores e auxiliares da filial da Ambev de Manaus oficializaram estado de greve ontem, com possibilidade de paralisação na próxima quarta-feira, caso a empresa não atenda as novas reivindicações. De acordo com a CNTA Afins, a pauta nacional de reivindicação dos trabalhadores, que inclui piso salarial nacional de R$ 1,5 mil, será centralizada na atual negociação de acordo coletivo de Manaus (AM). 

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Durante assembleia realizada na última quarta pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Bebidas em Geral de Manaus (Stibam), com a presença da CNTA Afins, os trabalhadores votaram pela nova pauta de reivindicação para a categoria: reajuste salarial com aumento real de 10% sobre os salários já reajustados em maio de 2014, remuneração de horas extras com adicional de 100% (segunda a sábado) e de 120% (domingos e feriados), adicional noturno de 50% em relação à hora normal, implantação do programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), adicional de insalubridade e periculosidade, entre outros pontos.

Para o presidente da CNTA Afins, Artur Bueno de Camargo, desde março, a entidade busca a abertura de negociação em nível nacional com a Ambev, a qual resiste até o momento. "Esse tipo de dificuldade já era prevista e, uma vez que a Ambev não negocia em nível nacional, as reivindicações locais dos trabalhadores não são atendidas. Por isso, eles acabam ficando revoltados. Atendidas essas novas reivindicações, o objetivo é, nas unidades da Ambev que não tenham os mesmos benefícios, fazer com que todos sejam aplicados, tornando-se, assim, o atendimento das reivindicações nacionais por negociação local”, explica Bueno. “A possibilidade de uma greve nacional e boicote aos produtos e marcas da companhia não estão descartadas”, conclui.

Procurada pelo em.com.br, a Ambev informou que "trata-se de uma negociação local e restrita a uma única fábrica na cidade de Manaus, sem qualquer relação com as demais unidades da companhia".

Marina Rigueira
Estado de Minas
Editado por Folha Política
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