sexta-feira, 18 de julho de 2014

Lula desafia PSDB e diz que, no governo dele, as pessoas tinham que ser honestas


Imagem: Roney Domingos / G1
Em cima de um carro de som na Praça da Sé, no centro de São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafiou o PSDB nesta sexta-feira (18) a "provar" se algum chefe do Executivo federal criou mais mecanismos de combate à corrupção do que ele. Padrinho político da presidente Dilma Rousseff e do ex-ministro Alexandre Padilha, Lula afirmou que os militantes petistas costumam abaixar a cabeça para as provocações dos tucanos de que o PT é "corrupto".

"O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já escreveu dois artigos contra meus discursos. Eu vou continuar falando. Nós temos que combater a corrupção neste país. E temos de debater encarando o debate. Eu duvido, eu desafio eles [integrantes do PSDB] a provarem se algum presidente da República neste país criou mais mecanismos de investigação, de apuração e de mandar prender corrupto do que eu criei em oito anos", discursou Lula durante ato político que marcou o lançamento oficial da candidatura de Padilha ao Palácio dos Bandeirantes.

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"No meu governo, só tinha uma forma de a pessoa não ser policiada: ser honesta. No tempo deles [do PSDB], se roubasse ou não roubasse, não tinha denúncia, porque tinha um tapete muito grande para jogar toda a sujeira embaixo, e ela [a sujeira] não aparecia. Eu desafio quem foi que mais contratou policiais federais, quem mais investiu na inteligência, quem mais criou mecanismos de investigação à lavagem de dinheiro nesse país, quem mais puniu funcionário público", complementou o petista, referindo-se, sem citar nomes, ao ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro, que chefiou o Ministério Público durante o governo FHC.

Em meio ao seu discurso, Lula também criticou a militância petista, reclamando que o partido costuma baixar a cabeça para as acusações do PSDB de que o PT é corrupto. Segundo ele, o Partido dos Trabalhadores foi criado para permitir que o povo pudesse andar de "cabeça erguida".

"Eles vivem dizendo que o PT é corrupto e, muitas vezes, a gente baixa a cabeça. Nós temos que avisar para cada petista: nós criamos esse partido para fazer o povo pobre andar de cabeça erguida nesse pais. Não nascemos para ser iguais à podridão da política desse país. Portanto, se alguém nosso errar, tem de pagar o preço. Estou disposto a discutir em qualquer lugar porque tenho certeza de que nenhum deles [tucanos] chega perto de nós em termos de cuidar do partimônio público", declarou o ex-presidente da República, um dos fundadores do PT.

Antes do discurso, Lula havia participado, ao lado de Padilha, de uma caminhada por ruas da área central de São Paulo. O prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) também prestigiou o ato político. 

A caminhada começou por volta do meio-dia na Praça do Patriarca. Padilha e Lula se encontraram na Praça da Sé. Ao chegar ao ato, Haddad justificou sua presença dizendo que aproveitou sua hora do almoço para participar do encontro.

Campanha de Padilha

No primeiro ato de campanha oficial de Padilha, Lula disse acreditar que o petista tem chances de crescer nas pesquisas eleitorais e recomendou que seu antigo ministro invista na campanha de rua. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (17) aponta o ex-ministro da Saúde na terceira colocação na disputa estadual, com 4% das intenções de voto.

Candidato à reeleição, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), apareceu na pesquisa com 54% das intenções de voto. Já o segundo colocado no levantamento eleitoral do Datafiolha foi o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf (PMDB).

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"Eu vim preocupado porque ontem à noite [quinta] vi uma pesquisa e nós, que fazemos política, muitas vezes falamos que não acreditamos em pesquisa quando a gente está por baixo, e a gente acredita quando está por cima. Mas depois que a gente adquire a experiência que eu adquiri perdendo três eleições, acho que a pesquisa serve apenas como referência do que a gente precisa fazer quando recebe a informação", ressaltou Lula no ato de campanha.

"Nada é mais importante do que você começar a andar nas ruas", disse Lula a Padilha. "Enquanto isso não acontecer, a campanha vai ficar encruada. Quem elege governador é o povo trabalhador e o setor médio da sociedade paulista. É para essa gente que você precisa construir um discurso, porque os tucanos estão no poder há mais de 20 anos e nem água para beber eles estão garantindo", recomendou Lula, fazendo a menção à crise de abastecimento de água do estado.

Gestão Haddad

Apontando para Fernando Haddad, Lula afirmou que, nesta mesma época de 2012, o atual prefeito da capital paulista tinha 3% das intenções de voto. "Você já tem 1% a mais de voto do que o Haddad tinha em junho", disse o ex-presidente a Padilha. "Estou convencido de que nós temos a melhor possibilidade desde que o PT foi fundado de ganharmos as eleições neste estado", complementou.

O ex-presidente orientou Haddad a defender melhor seu governo. Ele destacou que o prefeito paulistano acabou com a aprovação continuada no sistema de ensino paulistano e passará a exigir que as crianças sejam submetidas a provas.

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Lula disse ainda que o Bilhete Único Mensal teve baixa adesão porque não permite que a empresa desconte o dia caso o trabalhador falte. O Bilhete Único Mensal, válido por 30 dias, custa R$ 140, e o Vale Transporte para 22 dias custa R$ 132.

"Acho que o movimento sindical precisa fazer uma luta para que todos os empregadores de São Paulo adotem o Bilhete Único Mensal. Se não fizer isso, o que esse moço vai ter de fazer? Vai ter de aumentar o Vale Transporte para ficar mais caro que o Bilhete Único Mensal", ponderou Lula.

O ex-presidente da República também destacou as faixas exclusivas para ônibus. "Eu, às vezes, estou em uma fila com um monte de carro e vejo a faixa vazia. Eu fico xingando ele. O que é grave é que eu posso xingar porque estou de carro, mas quem está dentro do ônibus, que está ganhando pelo menos 40 minutos por dia para chegar em casa, não está defendendo ele. É preciso explicar para a população o que está acontecendo", disse Lula.

Roney Domingos
G1
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