domingo, 24 de agosto de 2014

'Alô, mineiros, o que deu em vocês? Querem mais consultorias fantasmas milionárias?', questiona Constantino


Imagem: André Coelho/O Globo
O colunista Rodrigo Constantino, da Revista Veja, questionou, nesta semana, as razões pelas quais o candidato petista ao governo de Minas Gerais, Fernando Pimentel, estaria em primeiro na disputa para o cargo de governador em Minas Gerais.


Constantino relembra o histórico de Pimentel e usa de referências a texto de Guilherme Fiuza no intuito de expor a sua posição a respeito do candidato. Leia abaixo e comente com sua opinião a respeito:

Deu no GLOBO esses dias: PT só lidera em um dos dez maiores colégios eleitorais
Há 12 anos no comando político do país e tendo a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, liderando a disputa ao Palácio do Planalto, o PT enfrenta este ano grandes dificuldades nos principais estados brasileiros e que concentram quase 80% do eleitorado nacional. Nos dez maiores colégios eleitorais do país e no Distrito Federal, o partido da presidente lidera a disputa aos governos locais em apenas um deles: Minas Gerais. Em dois, não apresentou candidato e, nos demais, varia entre a segunda e a quarta posição.
Embora em Minas o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do governo Dilma Fernando Pimentel lidere com folga, o estado é reduto do presidenciável Aécio Neves. De acordo com pesquisa do Instituto Datafolha divulgada ontem e realizada entre os dias 12 e 13 deste mês, Pimentel tem 29% das intenções de voto, contra 16% do candidato do PSDB, Pimenta da Veiga. A eleição neste estado, no entanto, tende a se acirrar com o início da propaganda eleitoral de TV, na próxima semana. Apesar de mineiro, Pimenta estava radicado há 20 anos em Brasília e retornou a Minas a pedido de Aécio para disputar a eleição. O tucano conta com a força do ex-governador para subir.
Está certo que a escolha do PSDB no estado é estranha, uma vez que Pimenta da Veiga estava um tanto apagado e longe dos holofotes da vida pública nos últimos anos. Mas o que deu nos mineiros? Bem na terra de Aécio Neves vão escolher justo um camarada de Dilma?
Já esqueceram que Pimentel é o homem da consultoria fantasma milionária, aquela que recebeu dois milhões, mas que ninguém viu o que foi entregue em troca – ou viu, mas é impróprio para menores?
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Como recordar é viver e acabei relendo sobre o caso no livro novo de Guilherme Fiuza, para escrever a resenha publicada hoje no GLOBO, vamos refrescar a memória dos nobres colegas de Minas Gerais:
Se Palocci faturou R$ 20 milhões e saiu porque quis, Pimentel, que faturou R$ 2 milhões, pode considerar o Ministério do Desenvolvimento praticamente um lar. Só sai de lá por motivo de tédio profundo. O Brasil cordial sancionou seus métodos.
Além de declarar que o novo milionário Palocci não é mais ministro porque não quer, Dilma Rousseff afirmou que a consultoria de Fernando Pimentel “não tem nada a ver com o seu governo”. Pura modéstia.
Mesmo não tendo todo o charme de Palocci, Pimentel também chegou a uma arrecadação formidável, fazendo seu primeiro milhão com um único e certeiro palpite sobre a conjuntura para a Federação das Indústrias de Minas Gerais. Tanta virtude assim, e tão bem paga, é o que distingue um consultor comum de um consultor bem relacionado. A Fiemg teria economistas melhores para contratar, mas nenhum com a graduação de Pimentel nos corações de Lula e Dilma. Que outro consultor decolaria tão rapidamente para a coordenação da campanha presidencial, e em seguida para a Esplanada dos Ministérios?
De consultor privado da indústria, Fernando Pimentel passou a gestor público da indústria. Se o leitor ficar confuso sobre quem é cliente de quem nessa história, esqueça. Clientela é assunto particular, como explicou Dilma, ao considerar “estranho que o ministro preste satisfações ao Congresso de sua vida privada”.
[...]
Ao contrário da maioria das pessoas, Fernando Pimentel não é um indivíduo não governamental. Seu universo particular em expansão alcança zonas do poder público – especialmente em Belo Horizonte e em Brasília.
Foi por isso que em 2009 e 2010, quando estava sem mandato, Pimentel deu um show como consultor econômico – faturando de cara R$ 2 milhões e deixando de queixo caído a concorrência muito mais experiente do que ele.
Os consultores normais, PhDs e especialistas em geral podem ser muito bons, mas são privados demais.
No período em que prestou suas consultorias, Pimentel tinha grande influência na prefeitura de BH e no partido do presidente da República – que inclusive o escolheu na época para coordenar a campanha sucessória. 
[...]
Antes de criticar Fernando Pimentel, ponha-se no lugar dele. Você termina seu mandato de prefeito da capital mineira e ainda falta um ano para a campanha presidencial, que você vai coordenar às custas do seu partido. A vitória na eleição é bem provável, mas ainda faltarão dois anos para você virar ministro. Nesse momento de insegurança, que alternativa lhe resta a não ser prestar uma consultoria milionária?
[...]
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Um consultor bem-sucedido também precisa ter sorte. Pimentel conseguiu arranjar o sócio perfeito: outro excelente profissional, capaz de conciliar o trabalho na consultoria com um cargo na prefeitura de BH – conseguido, aliás, pelo próprio Pimentel. Aí vêm as coincidências da vida: pouco depois de pagar cerca de R$ 500 mil aos consultores, uma construtora conseguiu um contrato de quase R$ 100 milhões com a prefeitura. Sem dúvida, uma consultoria pé-quente.
Mas o Brasil é um país de invejosos, e já estão querendo derrubar o ministro Pimentel. Antonio Palocci sabe bem o que é isso: você passa a vida fazendo assembleia, chega ao poder com o suor do seu rosto, monta com o partido a sua carteira de clientes, mas não pode fazer o primeiro milhão que já querem puxar seu tapete.
Pois é, só rindo mesmo, para não chorar. Onde os mineiros estão com a cabeça? Vão mesmo ser os únicos a dar o poder estadual para o PT? Qual o objetivo: permitir com que Pimentel faça mais “consultorias” para chegar ao patamar de Palocci? Acorda, Minas Gerais! (Rodrigo Constantino)



Ana Barroso
Folha Política
Editado por Folha Política
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