quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Ministra dá 'faniquito' no TCU após relatório que mostrou problemas nos programas sociais de Dilma


Imagem: Fotos Públicas
A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, reclamou pessoalmente com o presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), ministro Augusto Nardes, do relatório do órgão sobre os programas sociais do governo votado na semana passada. Integrantes da reunião consideraram a abordagem da ministra "agressiva" e "descortês".


Conforme a Folha informou, o tribunal elogiou as conquistas dos programas sociais alcançadas pelo governo, como a redução da miséria. Mas mostrou que há uma defasagem no valor das linhas que separam miseráveis e pobres da classe média, devido ao aumento da inflação e do dólar nos últimos anos; e também criticou a falta de critérios do governo para medir como as famílias deixam o programa Bolsa-Família, a chamada porta de saída.

Leia também: 

Após a divulgação do relatório, o Ministério do Desenvolvimento Social divulgou uma nota classificando o trabalho do tribunal como "político", "errado" e "preconceituoso".

Em audiência nesta terça-feira com o presidente do TCU e técnicos do órgão, a ministra Campello usou pessoalmente os mesmos termos que já havia utilizado numa nota da semana passada para desqualificar o trabalho.

Segundo relato de dois integrantes da reunião ouvidos pela Folha, a ministra estava com voz alterada e falava em tom agressivo. Na definição de ambos, a ministra deu "um faniquito".

O advogado-geral da União, ministro Luis Inácio Adams, acompanhou o encontro. Segundo os participantes, ele tentou em vários momentos contemporizar as ações da ministra, mas em vão.

Durante a audiência com o presidente do TCU, Tereza pediu duas vezes para atender o telefone. Na primeira, disse que era um telefonema da presidente Dilma Rousseff. Na segunda, informou ser uma chamada do ex-presidente Lula.

A ação da ministra acabou criando uma reação dura do Tribunal. Na semana passada, após a nota do Ministério do Desenvolvimento Social, o presidente do TCU evitou o confronto com o MDS fazendo uma nota em tom técnico para responder às acusações do ministério contra a auditoria.

Mas ontem, por causa da visita da ministra, todos os integrantes do TCU decidiram fazer desagravos aos técnicos e ao relator do processo, ministro Augusto Sherman, condenando a atitude do ministério do Desenvolvimento Social.

"A presidência não poderia deixar de manifestar seu repúdio, de forma veemente, às injustas e indevidas críticas dirigidas ao Tribunal, seus ministros e a todo o corpo técnico. Não houve qualquer equívoco, ignorância, desconhecimento, simplismo, preconceito ou posicionamento político no trabalho produzido pela mais alta Corte de Contas do país", diz a nota do presidente.

O relator Sherman também leu nota repudiando a atitude do ministério, chamando-a de "incivil", "indelicada" e "desrespeitosa":

"Quanto às palavras ofensivas ao quadro técnico da Casa, estas merecem o nosso pleno repúdio. Por isso, vimos manifestar, neste momento, nossa profunda repulsa à maneira incivil, indelicada e desrespeitosa, com que o MDS se dirigiu ao corpo técnico desta Corte de Contas".

Ex-presidente do TCU, o ministro Benjamin Zymler tentou contemporizar afirmando que o processo acabou contaminado por ter sido divulgado próximo ao período eleitoral e que os integrantes do TCU devem estar acostumados a críticas de quem sofre as fiscalizações do órgão.

Informado pela Folha sobre a reportagem, o MDS disse em nota que "respeita o trabalho do Tribunal de Contas da União e sua contribuição para o aperfeiçoamento das políticas publicas. As questões que exigem esclarecimentos adicionais por parte do MDS, relativas ao relatório sistêmico, serão tratadas tecnicamente em momento oportuno". 

Dimmi Amora
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
Leia mais notícias do poder e da sociedade em Folha Política
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...