sábado, 29 de novembro de 2014

'Pago IPTU pra ter isso?', pergunta comerciante paulistano


Imagem: Moacyr Lopes Junior / Folhapress
Descontente com as frequentes altas nos impostos, o dono de uma loja de cartuchos para impressoras na praça da Sé, no centro de São Paulo, afirma que pensa em se mudar para outra cidade.

Francisco de Moraes, 56, não gostou nada de saber que em 2015 o IPTU subirá 30% em média para os comerciantes do coração paulistano.


"Nossa família trabalha neste salão há 53 anos, mas estamos quase desistindo", afirma, ao sugerir que pretende abrir uma loja em Indaiatuba (a 98 km de SP).

"Lá tudo é bem mais barato e não tem esse cheiro de xixi que estamos sentindo, que só não está pior porque choveu. O pior é que pago o IPTU todo ano para ter isso."

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A reportagem permaneceu em frente à loja dele durante uma hora e meia na tarde desta sexta-feira (28) e ninguém entrou para comprar nada.

Moraes disse que os problemas de limpeza na região são responsáveis por afastar parte dos clientes dele.

"Aqui está abandonado. Você vê pela cara de frustração dos turistas que conhecem pela primeira vez. Eles querem conhecer a praça da Sé, mas muitas vezes desistem ao ver a degradação de longe. Há placas destruídas e moradores de rua pedindo esmolas em todos os cantos."

O bairro da República, também na região central, terá o maior aumento médio do IPTU no próximo ano: 30,1%.

O dono de um comércio em frente à praça Roosevelt, localizado no bairro, Renato Orbetelli, 67, chorou durante entrevista à Folha.

"Eu fico assim porque hoje mesmo eu estava sentado em um banco na praça da República e me lembrei o quanto aquele lugar era maravilhoso", afirmou o comerciante.

"Agora só tem usuários de drogas e bandidos, ninguém consegue andar sossegado. É muito triste", completa.

Ele reclama que a praça Roosevelt, em frente ao comércio dele, está em péssimas condições dois anos após reforma de R$ 55 milhões.

"Quebraram os banheiros e os bancos. Fora que as pessoas vivem com medo de serem atropeladas por skates e bicicletas enquanto passeiam no local. Com esses aumentos absurdos e descuido, só vai querer morar no centro quem invadir prédios ou tiver muito dinheiro."

O técnico em audiovisual José Átila Alves Pereira, 51, também mora na República, mas acha justo um aumento maior de IPTU para quem mora na região.

"Por que alguém que mora na periferia, sem nenhuma estrutura, teria de pagar o mesmo que eu? Aqui temos teatros, galerias e diversas opções de lazer. Se você quer morar num lugar onde tem de tudo, tem de pagar por isso".

Ele conta que conhece pessoas que criticaram a prefeitura pelo aumento do imposto mas não se importam com outros reajustes.

"Quase nunca reclama da gasolina ou cigarro. Tudo aumenta e temos apenas de vigiar para que não sejam abusivos", afirma Alves Pereira.

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Janary Júnior
Agência Câmara
Editado por Folha Política
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