segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Presidente da Petrobras admite que já sabia de propina paga por empresa


Imagem: Adriano Ishibashi/Frame/Folhapress
A presidente da Petrobras, Graça Foster, admitiu, nesta segunda-feira, que já tinha, desde meados do ano, a informação de que a SBM Offshore fez pagamento de propina a "empregado ou ex-empregado da Petrobras", admitida pela própria fornecedora, sediada na Holanda.

Até então, a Petrobras não havia comunicado oficialmente que tinha recebido tal informação.

O que vinha sendo dito – e foi repetido na última sexta-feira, quando a Petrobras voltou ao tema por meio de um comunicado – era que uma comissão de apuração criada em fevereiro, quando as denúncias tornaram-se públicas, havia investigado internamente, durante 45 dias, mas nada havia sido descoberto. E que, depois disso, a apuração continuou, e relatórios complementares haviam sido enviados à Controladoria Geral da União e o Ministério Público Federal.

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O comunicado da semana passada foi emitido no contexto do acordo fechado entre o Ministério Público holandês, que investigava o caso, e a SBM.

"Passadas algumas semanas, alguns meses [da investigação interna da Petrobeas], eu fui informada de que havia, sim, pagamentos de propina para empregado ou ex-empregado de Petrobras. Imediatamente, e imediatamente é 'imediatamentemente', é que informamos a SBM de que ela não participaria de licitação conosco enquanto não fosse identificada a origem, o nome de pessoas que estão se deixando subornar na Petrobras. E é isso que aconteceu, tivemos uma licitação recente, para plataformas nos campos de Libra e Tartaruga Verde, e a SBM não participou.

A SBM foi eliminada das licitações em maio.

Graça disse que não tem informação de quanto foi recebido nem de quem.

"Fomos à Holanda, aos Estados Unidos, sem sucesso. Até hoje não sabemos nem nem quanto. Quem paga é a SBM quem paga não está participando das licitações", disse.

Pelo acordo fechado com o Ministério Público holandês, a SBM comprometeu-se a pagar US$ 240 milhões para encerrar as investigações.

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Em relatório, os procuradores holandeses dizem que a empresa não encontrou provas concretas de pagamento de propinas, mas as investigações do Ministério Público teriam confirmado tais pagamentos.

Na semana passada, o presidente da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, havia afirmado que as investigações do órgão levavam a "fortes indícios" de recebimento de propina por parte de seis diretores da Petrobras. Outros 14 funcionários estariam sob investigação.

A CGU também abriu processo contra a fornecedora de plataforma.

Por enquanto, a SBM é a única empresa que parou de negociar com a Petrobras em decorrência de denúncias de corrupção, por ter admitido terem ocorrido as irregularidades.

"De imediato isso é uma prova avassaladora. Se existe isso dito pela empresa, a empresa teve de esclarecer este ponto. Infelizmente, só teve a informação da semana passada, mas a empresa continua não atendendo a nós", disse o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, José Formigli. 

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Samantha Lima e Lucas Vetorazzo
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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