segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Revista Forbes pergunta se Brasil pode se tornar mais do que uma potência de faz-de-conta


Imagem: Fernando Bizerra / Efe
Passado quase um mês das eleições, o mercado agora olha para o que deve ser o segundo mandato de Dilma Rousseff. Na edição de hoje da revista Forbes, há destaque para uma reportagem em que trata dos desafios dos próximos quatro anos para a presidente reeleita em um artigo chamado "Can Brazil be more than a Pretend Power?". O artigo está disponível na edição desta segunda-feira (24) da revista. 



Segundo a publicação, o Brasil tem um grande futuro e sempre terá. "Este País populoso, cheio de recursos e de dimensões continentais tem feito enormes progressos depois de passar por uma crise financeira desastrosa no final dos anos 1990. A inflação crônica foi interrompida e os regulamentos antiempresariais diminuíram. Combinado com o boom global de commodities da última década colocaram o Brasil na linha de frente até 2010. Parecia que o Brasil havia feito o salto para o desenvolvimento e caminhou, em termos de tamanho de sua economia, pronto para ultrapassar países como a Grã-Bretanha e França", afirma a Forbes.

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Contudo, ressalta a revista, tudo parou. O crescimento do Brasil era muito dependente de commodities e, hoje, em meio a uma inflação voltando a ameaçar e a moeda perdendo valor, o País entrou agora em recessão. O IED (Investimento Estrangeiro Direto) está encolhendo, assim como as despesas de capital de empresas com sede no Brasil. A corrupção é florescente. 

A Forbes afirma que, em meio a esse cenário, há uma grande questão: Dilma virará o jogo das políticas que afligem a economia do Brasil ou se aproximará de vez do "caminho para a perdição da Venezuela e da Argentina", com estagnação, encolhendo a liberdade política e onde a demagogia política e corrupção são a norma. 

Para a revista, se o Brasil quer realmente se tornar uma grande potência, ela deve ir em linha com o que prega o relatório do Banco Mundial Doing Business, ranking com 189 economias que mede "os regulamentos que estimulam os negócios e os que restringem. "O Brasil está classificado na 120ª posição e quatro categorias se destacam em que o Brasil falha. 

O primeiro ponto é a dificuldade em começar um negócio, levando em média 83,6 dias. Segundo a revista, não se admira que o País tenha uma enorme economia informal. E sugere que Dilma se inspire na Nova Zelândia, em que abrir um negócio pode levar um dia e com um computador, varrendo assim uma enorme fonte de corrupção. Em segundo lugar, está a obtenção de alvarás de construção, levando na média 426,1 dias para se conseguir ante 149,5 nos países desenvolvidos.

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Em terceiro, está o registro de propriedades que necessita, na média, de 13,6 procedimentos, ante média de 7 na América Latina e Caribe. Em quarto lugar, está o pagamento de impostos, com a estimativa de que se precisa trabalhar 2.600 horas para pagar impostos no Brasil, que ocupa a 177ª posição entre os 189 países neste quesito como negativo para os negócios. A revista ressalta que simplificar a tributação iria diminuir a corrupção e trazer empresas da sombra para a economia real, citando Hong Kong e Singapura como exemplos que Dilma deveria examinar. 

"Claro, existem outros dragões para matar, incluindo cartéis internos que sufocam a concorrência e regras que restringem o investimento estrangeiro direto. Finalmente, há uma área absolutamente crucial que pode fazer ou quebrar o Brasil - ou qualquer outro país: a política monetária", ressalta a revista. 

"Uma das ideias mais destrutivas da era moderna é a noção keynesiana de que você pode dirigir uma economia como um carro com um volante - manipulando o valor da moeda de um país. É colocar a carroça à frente dos bois". O dinheiro mede o valor de produtos e serviços e facilita o comércio. A idéia de que imprimir mais dinheiro estimula o crescimento econômico sustentável é insípida, afirma a revista, destacando que a inflação tem sido a ruína da economia do Brasil.

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Lara Rizério 
Infomoney
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