quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O que Lula foi tratar com o ditador da Guiné Equatorial que bancou a Beija-Flor?


Imagem: Reprodução
Marlos Ápyus, do site Implicante.org, comenta a vitória da Beija-Flor no carnaval carioca, com o patrocínio do ditador da Guiné Equatorial, e aproveita a ocasião para relembrar algumas viagens de Lula à África, que antecederam grandes contratos de empreiteiras brasileiras para realização de obras no continente. Ápyus aponta que as empreiteiras responsáveis por essas obras são as mesmas que hoje estão sendo investigadas no escândalo do petrolão. 


Leia abaixo o texto de Ápyus:
Sempre acompanhado do adjetivo “polêmico”, os principais portais do país noticiam hoje a vitória da Beija-Flor no carnaval carioca. A polêmica reside no fato de o enredo vencedor ter sido bancado em pelo menos R$ 10 milhões pelo ditador da Guiné Equatorial. Segundo a Anistia Internacional, Teodoro Obiang, que está há 35 anos no poder, é acusado de brutais violações de direitos humanos, com tortura e morte de opositores. Mas não é de hoje que essa nação de população menor que a de Aracaju chama a atenção no noticiário brasileiro.
Em junho de 2013, enquanto o Brasil já vivia seus primeiros protestos contra o aumento das tarifas de ônibus, o ex-presidente Lula, financiado pela Odebrecht, visitava o ditador na própria Guiné Equatorial – e com auxiliado do Itamaraty.
A primeira parada de Lula foi Malabo, capital da Guiné Equatorial. Segundo o Itamaraty, a agenda foi acertada entre o Instituto Lula, o Cerimonial da Presidência da República local, a Odebrecht, que financiou a viagem de Lula, e a embaixada brasileira. Lula teve audiência de duas horas com o ditador Teodoro Obiang, no poder desde 1979.
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A visita não era inédita. Em 2011, novamente em polêmica, Lula já havia viajado ao 144º IDH do mundo, mas em missão oficial para a presidente Dilma Rousseff. Desta vez, a controvérsia estava na companhia de Alexandrino Alencar, um diretor da Odebrechet que não constava na lista oficial enviada ao Itamaraty.
A Odebrecht entrou na Guiné Equatorial após a visita de Lula, sendo favorita para obras na parte continental, onde está sendo construída uma capital administrativa. (…) Hoje Alencar é o responsável pelo Desenvolvimento de Negócios da Odebrecht. A relação dele com Lula é antiga.
Para entender a importância de Alencar, é preciso retomar o escândalo do Petrolão. Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, recentemente confirmou que recebeu propina da Odebrecht e da SBM em contas no exterior. Uma auditoria interna desta última mostrou que, ao menos de 2007 a 2011, a empresa já havia subornado autoridades e políticos em algumas nações africanas, entre elas a Guiné Equatorial.
A empresa esclarece que os pagamentos, no valor de 145 milhões de euros, que foram feitos a intermediários em Angola, Guiné Equatorial e no Brasil são legítimos e normais, mas acrescenta que uma parte desse valor, que ainda não conseguiu identificar, pode ter ido parar, em forma de suborno, a pessoas com ligações diretas ou indiretas a autoridades governamentais de Angola e da Guiné Equatorial.
A Odebrecht anda tensa com essa história toda. Mesmo sem representantes presos pela operação Lava Jato, vem sendo investigada por um esquema de pagamento de propina no exterior. É aqui que o nome de Alencar volta a figurar nas páginas policiais:
O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa contou ter recebido 23 milhões de dólares da Odebrecht numa conta aberta na Suíça. A polícia suspeita que Alexandrino Alencar, um dos diretores da empreiteira, foi o responsável pelo pagamento. Entre 2008 e 2012, Alexandrino encontrou-se diversas vezes com Rafael Angulo Lopez, envolvido no escândalo. Lopez contou aos investigadores que indicava contas no exterior e o diretor fazia depósitos. 

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Corre nos bastidores que Lula já está na mira dos investigadores graças aos serviços prestados a empreiteiras como a Odebrecht. Mas também na de alguns investigado presos, como os executivos da OAS. Em idade avançada, sentem-se excluídos pelos políticos que os meteram no esquema e pensam em aderir à delação premiada para reduzir as longas penas que devem cumprir. O problema é que só poderão ganhar o benefício se apresentarem algum fato novo. E este fato novo seria os nomes de Dilma Rousseff e Lula como cabeças do esquema.
O alvo é o topo da cadeia de comando, em que, segundo afirmam reservadamente e insinuam abertamente, se encontram o ex-presidente Lula e Dilma Rousseff. “Era uma coisa só, o que demonstra que os pagamentos na Petrobras não sedavam por exigência de funcionários corruptos e chantagistas, como o governo quer fazer crer. Era algo mais complexo, institucionalizado”, diz um dos investigadores que atuam no caso.
Segundo a reportagem, o diretor internacional da OAS, Agenor Medeiros, aos 66 anos de idade, exalta-se na carceragem da polícia federal em Curitiba: “Se tiver de morrer aqui dentro, não morro sozinho”. Que caia atirando antes que atirem nele. Amém.
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