sexta-feira, 10 de abril de 2015

Manifestantes prometem protesto "ainda maior" no próximo domingo


Imagem: Fernando Bizerra Jr / EFE
Protagonista dos atos anti-governistas que ganharam as ruas do país em 15 de março, o Movimento Brasil Livre (MBL) prepara para domingo (12) uma nova manifestação nacional, que, conforme promete em seus chamados via redes sociais, "vai ser ainda maior". Segundo os organizadores, os protestos serão realizados em pelo menos 378 cidades brasileiras, atingindo um número de manifestantes superior ao registrado nos protestos de março.


No Rio Grande do Sul, estão sendo preparadas manifestações em 31 municípios. Além do MBL, o grupo Vem pra Rua, que conta com mais de 460 mil curtidas no Facebook, também está convocando seus seguidores para os atos.

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– O foco fundamental é o impeachment. Não acreditamos que a Dilma (Rousseff) tenha condições políticas, jurídicas e morais para seguir na Presidência da República. Mas também temos outras nove bandeiras – explica Fábio Ostermann, membro da coordenação nacional do MBL, que projeta a participação de entre 50 e 100 mil pessoas na manifestação marcada para as 14 horas de domingo, no Parque Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

Além do impeachment, o MBL quer a redução do número de ministérios pela metade, o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, a saída do ministro Dias Toffoli do colegiado julgador da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), entre outras medidas que, acredita, ajudariam a moralizar a gestão pública. As propostas ainda incluem a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o fim da alocação de verbas estatais em publicidade.

Organização dita código de conduta

Porta-voz MBL no Rio Grande do Sul, Rafa Bandeira adianta que, assim como no protesto de março, por questões de segurança o trajeto a ser percorrido na Capital só será divulgado no momento da saída dos manifestantes. Segundo o ativista, embora o movimento conte com o apoio de empresários, nenhuma entidade comercial ou industrial já manifestou apoio formal ou mesmo financeiro à causa:

– Não estamos aqui por grandes interesses de corporações. Lógico que grandes setores também sofrem com a paralisação do consumo, porque a economia está parando. Mas quem está sofrendo mesmo são as camadas mais pobres, que estão pagando a conta de luz, sentindo a inflação no supermercado – afirma Bandeira.

Na semana que antecede as manifestações, os organizadores divulgaram um guia de conduta, com orientações para quem pretende participar da mobilização. Bandeiras de partidos políticos, por exemplo, não serão permitidas. A sugestão é que os manifestantes evitem roupas pretas, que "lembram os black blocks", e vistam-se de verde e amarelo. "Confeccione faixas, cartazes. Leve bandeiras do Brasil, use nariz de palhaço. Leve cornetas, apitos, faça barulho! Leve também balões azuis, amarelos e verdes", diz um dos itens do guia.

As pautas
O que o MBL busca com a mobilização

1. Impeachment: "a reforma política no Brasil começa com a saída de Dilma Rousseff".
2. Redução do número de ministérios pela metade: "o exemplo de austeridade deve vir do alto escalão da República".
3. Fim da fraude orçamentaria: "a Lei de Responsabilidade Fiscal precisa ser levada a sério para que o Brasil volte a crescer".
4. Saída de Dias Toffoli do colegiado julgador da Lava-Jato no STF: "não podemos ignorar seu histórico de parcialidade e adesão ao projeto político do PT".
5. CPI do programa Mais Médicos: "escandaloso esquema de financiamento da ditadura cubana com dinheiro dos nossos impostos que precisa ser urgentemente investigado".
6. CPI do BNDES: "abertura da caixa preta dos empréstimos concedidos pela instituição ao longo da última década".
7. Ajuste fiscal sem aumento de impostos: "o Brasil precisa de cortes orçamentários responsáveis e enxugamento da máquina pública".
8. Repúdio ao Foro de São Paulo: "é inaceitável a cooperação de partidos políticos brasileiros com organizações terroristas (Farc) e governos ditatoriais (Cuba e Venezuela)".
9. Concessão de asilo político a Leopoldo López: "o governo brasileiro deve repudiar oficialmente a violência do governo Venezuelano contra seu povo".
10. Fim das verbas de publicidade estatal: "devemos dar um fim a este claro instrumento de cooptação e censura à imprensa livre e independente". 

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Marcelo Monteiro 
ZH Notícias
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