terça-feira, 5 de maio de 2015

‘A gente achava que o criminoso estava do outro lado do balcão’, diz empreiteiro da Lava Jato


Imagem: Reprodução / Youtube
Em depoimento à Justiça Federal em Curitiba, base das investigações da Operação Lava Jato, nesta segunda-feira, 4, o ex-presidente Dalton Avancini e o ex-vice-presidente Eduardo Leite, ambos da Camargo Corrêa, disseram que estão arrependidos. Eles confessaram que pagaram propina a ex-diretores da Petrobrás, em um esquema de corrupção instalado na estatal petrolífera.

“A gente achava que o criminoso estava do outro lado do balcão e não que éramos os dois lados do balcão, efetivamente”, afirmou Eduardo Leite. “Eu acho que isso é a grande lição e aprendizado. Isso é um mercado que não tenho mais interesses em me aproximar novamente na minha carreira, mais à frente, se é que eu vou ter mais carreira.”

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A Camargo Corrêa, segundo a força tarefa da Operação Lava Jato, fez parte do cartel de empreiteiras que se apossou de contratos bilionários na Petrobrás.

Eduardo Leite e Dalton Avacini foram presos no dia 14 de novembro de 2014. Eles são acusados formalmente por corrupção e lavagem de dinheiro. Os dois fizeram acordo de delação premiada em março. Foram ouvidos e receberam o direito a cumprir prisão preventiva em regime domiciliar, no âmbito do acordo, mas monitorados com tornozeleira eletrônica.

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, perguntou então: “O sr. está arrependido, então, senhor Eduardo, é isso que o sr. quis dizer?”

“Eu estou.”


Dalton Avancini afirmou que a propina era colocada como regra do jogo pelos ex-diretores da Petrobrás. Ele contou que se tornou diretor do setor de Óleo e Gás da Camargo Corrêa em 2008, momento em que soube dos pagamentos ao ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e ao ex-diretor de Serviços Renato Duque.

“Não havia uma preocupação de falar: eu vou ser responsabilizado. Eu era o líder da unidade e nós fazíamos. Uma atitude talvez até insana de não se preocupar com isso”, disse Avancini.

Ouvidos pela primeira vez pelo juiz federal Sérgio Moro, os empreiteiros da Camargo Corrêa confirmaram o esquema de cartel, corrupção e propina na Petrobrás. Segundo os processos da Lava Jato, PT, PMDB e PP dividiam as indicações políticas nas diretorias da estatal, para arrecadar de 1% a 3% de propina nos contratos com empresas do cartel.

Ao final do depoimento, questionado por Moro se teria algo mais a dizer, Avancini declarou: “Só um profundo arrependimento de ter deixado isso chegar a esse ponto.”


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Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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