quarta-feira, 10 de junho de 2015

Tumulto interrompe votação da PEC da maioridade penal


Imagem: Luis Macedo / Câmara dos Deputados
A votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da maioridade penal foi interrompida na tarde desta quarta-feira, 10, após tumulto envolvendo estudantes e a polícia legislativa. Os parlamentares que falavam a favor da redução da maioridade começaram a ser vaiados pelos manifestantes, que os chamaram de "fascistas". 

Houve bate-boca e empurra-empurra e a sessão foi temporariamente interrompida. Três manifestantes foram detidos a polícia legislativa usou spray de pimenta para esvaziar o plenário da comissão. 

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Mais cedo, o relator da comissão especial que discute a PEC da redução da maioridade penal, Laerte Bessa (PR-DF), negou que ele e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estejam atropelando o trabalho do colegiado para garantir a aprovação do texto. Normalmente, a votação do relatório acontece após 40 sessões. Neste caso, o texto será votado na 22ª. Além disso, Cunha já disse que o parecer será apreciado em plenário no próximo dia 30.

"Tem 22 anos que esta PEC está sendo discutida na Casa. Eram até 40 sessões. Realizamos 22 sessões, que estava dentro do nosso cronograma. Não há atropelo nenhum. Estamos cumprindo a legislação e acho que está na hora de ser reconhecida a vontade do povo", afirmou Bessa.

A sessão foi marcada por bate-bocas entre deputados favoráveis e contrários à redução. Durante a fala de Glauber Braga (PSB-RJ), alguns parlamentares faziam contagem regressiva para que ele encerrasse seu pronunciamento. 

O deputado Alessandro Molon (PT-RJ) disse que muitos integrantes da comissão ainda não têm opinião formada e defendeu o adiamento da votação do relatório. "Não é razoável acabar com os debates", afirmou Molon, que também criticou Eduardo Cunha. "O presidente da Casa pode muito, mas não pode tudo". "Queremos mais dez, 12 sessões para informar mais", disse o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), sob protesto de parlamentares favoráveis à redução. "Quem aqui votar favoravelmente vai ter que se explicar", afirmou.

"A espera tem mais de 20 anos. Não é possível que alguns ainda queiram esconder o que aí está. A questão que estamos tentando trazer aqui é a do jovem bandido, do jovem de 16, 17 anos que fez a escolha para ser bandido. Não estamos falando do jovem de bem", afirmou o deputado Delegado Éder Mauro (PSD-PA). "Temos que pensar que alguma coisa tem que ser feita", afirmou o deputado Sandes Júnior (PP-GO), favorável ao texto do relator. "O meu voto é para que não seja adiada de forma alguma o exame desta matéria no dia de hoje", disse sob alguns aplausos. "Temos que ouvir a voz das ruas e também nos preocupar com o que vem ocorrendo", afirmou.

Vice-presidente da comissão, a deputada Margarida Salomão (PT-MG), se disse contrária ao texto do relator e defendeu a revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "É uma falsa solução para um problema real que é a violência", disse a deputada Maria do Rosário (PT-RS). A deputada petista se mostrou favorável à ampliação do período de internação de menores infratores. O PSDB apresentou duas propostas. A do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, amplia de três para oito anos. A do senador José Serra (SP), para dez anos. 

A sessão foi acompanhada por dezenas de manifestantes ligados a entidades como União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes). "Somos contra a redução da maioridade penal porque não é o que vai acabar com o problema da violência. Jovens são as maiores vítimas e não os maiores autores", afirmou a presidente da Ubes, Bárbara Melo, 20 anos. "Somos irredutíveis. Qualquer uma das alternativas é um retrocesso".

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Daniel Carvalho
O Estado de S. Paulo
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