sexta-feira, 11 de março de 2016

Le Monde diz que impunidade dos políticos brasileiros se tornou 'insuportável'


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O jornal Le Monde que chegou às bancas de Paris na tarde desta quinta-feira (10) repercute a denúncia do Ministério Público de São Paulo, ocorrida na quarta-feira, contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por quatro crimes: estelionato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa. Em artigo na seção de opinião do diário, o jornalista Paulo Paranaguá destaca a reação da opinião pública brasileira, para quem "a corrupção se tornou insuportável".
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Paranaguá afirma que a corrupção não é um fenômeno novo na América Latina. A grande novidade, segundo o jornalista, é que a opinião latino-americana aceita cada vez menos as irregularidades, "especialmente em período de crise econômica".

Utilizando a operação contra Lula na semana passada como exemplo, o jornalista escreve que não existem mais tabus para a Justiça brasileira. Além disso, a população está saturada dos escândalos de corrupção, que, segundo Paranaguá, não se restringem à direita ou à esquerda, e que se tornaram inaceitáveis.

O artigo afirma que o terremoto é ainda maior para o Partido dos Trabalhadores (PT) porque seus dirigentes, durante muito tempo, pretenderam fazer política de uma outra forma, "apontando os erros dos adversários". Para piorar, afirma Paranaguá, a legenda não tirou lições do escândalo de corrupção anterior, o Mensalão, em 2005.

O jornalista escreve que, em toda a América Latina o crime organizado e a corrupção política transformaram a velha prática do suborno: "Evoluímos do artesanato a uma escala industrial, destinada a garantir um projeto de poder". O processo começou na construção de Brasília e continuou durante a ditadura militar (1964-1985), que consolidou a opacidade das obras públicas e das superfaturações. O resultado é que hoje, segundo Paranaguá, "a democracia brasileira descobre o tamanho do desastre".

O artigo do Le Monde também cita o presidente da organização Transparência Internacional, o peruano José Ugaz, para quem o caso Petrobras demonstra que a corrupção não distingue ideologia nem classe social. "Lula foi um presidente de esquerda conhecido por seus avanços sociais, mas essa herança não servirá como justificativa", avalia Ugaz.

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