quarta-feira, 4 de julho de 2018

'Vocês querem que eu fique sem televisão?', diz Bolsonaro sobre aliança com PR


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O deputado e pré-candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, reagiu a questionamentos à negociação de aliança com o PR dizendo que as críticas a uma coligação com o PR tem o objetivo de evitar que ele consiga tempo de televisão na campanha. Até então, o deputado vinha minimizando a falta de tempo de TV e sustentando que faria sua campanha apenas com redes sociais.

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— Vocês querem que eu fique sem televisão, é isso? Eles têm R$ 1,7 bilhão para me ferrar. Está todo mundo contra mim, o centrão e a esquerda, estou sozinho. É R$ 1,7 bilhão que vai ser usado pela campanha deles pra dar porrada em mim. Eu vou ficar com 8 segundos de televisão e as mídias sociais? No Facebook, até poucos meses, qualquer postagem chegava a 1 milhão, agora para chegar a 100 mil é um sacrifício — afirmou Bolsonaro ao jornal O Globo.

O R$ 1,7 bilhão a que o candidato se refere vem do fundo público criado para a eleição. Seu partido, o PSL, deve ficar com até R$ 10 milhões do fundo, mas Bolsonaro já disse que não vai usar esse dinheiro na sua campanha.

O presidenciável diz ser tratado como um "leproso ao contrário" e reclama que os questionamentos éticos que lhe são dirigidos sobre a coligação com o PR, que lhe renderia mais 45 segundos em cada bloco na TV, não são repetidos às alianças e aos partidos dos adversários.

— Quando fala do PR, vocês da mídia falam: partido do mensaleiro condenado. Quando fala do Alckmin ninguém fala do Aécio Neves, quando fala do PMDB, ninguém fala da bandidagem lá. Só eu que, segundo vocês, estou indo com um partido que atenta contra tudo — disse Bolsonaro.

Ele sustenta que sua negociação no PR é apenas com o senador Magno Malta (ES), convidado para ser seu vice. Reafirmou que já há aval do partido para a aliança. Bolsonaro diz que vai nomear seus ministros pela competência e que pode acatar nomeações do PR se forem pessoas que se enquadrem nesse perfil.

— Se o Magno Malta ou o PR quiser indicar, vou ter 15 ministros, se ele indicar 15 caras competentes, a gente bota. Se tem alguém melhor que o Paulo Guedes, a gente tira o Paulo Guedes. Tem alguém melhor que general Augusto Heleno para a Defesa? Se tiver, a gente troca — disse o presidenciável.

Bolsonaro disse que não há divergências entre ele e seu conselheiro econômico, Paulo Guedes, já anunciado como ministro da Fazenda em um eventual governo. O economista tem defendido um amplo programa de privatizações, mas Bolsonaro ressalta ter preocupação com empresas que considera estratégicas serem assumidas por chineses.

— Sem problema privatizar, mas não quero estatizar para a China. Vocês tem que abrir o olho pra China. A China tomou conta de Angola, de parte da África e está comprando o Brasil. A China, se comprar terras agricultáveis aqui, a nossa segurança alimentar vai ficar nas mãos deles. Eles têm 1,4 bilhões de bocas para sustentar. O chinês pensa 100 anos pra frente, aqui, no máximo dois anos — disse o presidenciável.

O pré-candidato do PSL diz ainda que estatais lucrativas devem ser mantidas sob a administração do governo, enquanto que algumas empresas podem simplesmente ser extintas.

— Tem privatização que nem faz, tem que extinguir. Tem poucas estatais que dão lucro. Essas, no meu entender, não seriam nem privatizadas, estão dando lucro — disse.

Bolsonaro não quis dizer se colocaria dentro de um programa de privatizações empresas como a Petrobras e a Eletrobras.

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Eduardo Bresciani 
O Globo
Editado por Política na Rede
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