sábado, 11 de agosto de 2018

Adriana Ancelmo teve regalias no presídio: ceia delivery no Natal e servidores com proibição de revistá-la


Imagem:  Alessandro Buzas / Futura Press
O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), do Ministério Público estadual do Rio de Janeiro pediu à Justiça, nesta quinta-feira (9), o afastamento de Rita de Cássia Antunes, diretora da cadeia pública Joaquim Ferreira de Souza, na Zona Oeste do Rio.


De acordo com investigações, Rita de Cássia e o então secretário de administração penitenciária Erir Ribeiro Costa Filho garantiram regalias à ex-primeira-dama do RJ, Adriana Ancelmo nos quatro meses em que ela ficou detida no Complexo Penitenciário de Gericinó.

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A mulher do ex-governador Sérgio Cabral cumpre prisão domiciliar desde dezembro do ano passado por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na ação civil pública, os promotores relatam "privilégios injustificáveis" à Adriana Ancelmo entre 6 de dezembro de 2016 e 29 de março de 2017:

  • Ceia de Natal e Ano Novo fora dos padrões da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap)
  • Regras de tratamento exclusivo por parte dos servidores
  • Proibição de revista na cela


Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que tomou conhecimento do fato nesta sexta-feira (10), através da remessa de cópia da ação pública feita pelo Ministério Público e, mesmo sendo fatos que ocorreram na administração anterior, a servidora foi afastada de sua função.

Ainda de acordo com o órgão, é praxe da atual administração não manter um funcionário em cargo de confiança se o mesmo estiver respondendo a qualquer tipo de investigação ou envolvido em alguma denúncia. A Seap vai aguardar o transcurso da apuração até que o caso seja esclarecido.

Homem usou carro clonado para levar ceia

As investigações do MP mostram que no dia 25 de dezembro de 2016, um homem se identificou na portaria do Complexo de Gericinó como Gilson Avelino da Silva, servidor da Secretaria Estadual de Saúde, cedido à Secretaria de Segurança.

Após passar pela portaria do complexo ele foi até a entrada do presídio onde estava Adriana Ancelmo com a ceia de Natal para a detenta.

Não havia ninguém com este nome cadastrado para visitar Adriana Ancelmo. Para os promotores isso representava uma "violação aos princípios de moralidade e igualdade".

O homem, que chegou dirigindo o seu carro particular, disse levar uma encomenda para ser entregue à "doutora Adriana". Apesar da proibição de quatro servidores, ele dizia que "teria que dar entrada, pois, seria uma ordem do 01", numa referência ao então secretário Erir Costa Filho.

Apesar da resistência dos servidores veio a autorização do coronel Erir. Três servidores relataram o caso no livro de ocorrência da unidade.

Ao investigar o tal servidor, os promotores do Ministério Público descobriram que não há no Rio de Janeiro nenhum funcionário com este nome lotado na Secretaria de Segurança.

Entre todos os servidores do Estado há dois homônimos que foram chamados a depor. Um não compareceu mas não possuía qualquer registro no Detran, logo se descartou que soubesse dirigir.

O outro se mostrou surpreso com as perguntas e afirmou "total desconhecimento dos fatos".

Ao investigarem o veículo, um automóvel VW, modelo Bora, de cor preta, os promotores descobriram que a placa era fria e que na verdade pertencia a uma S10, de propriedade de um ex-presidiário.

Para surpresa dos promotores, a Seap não tem armazenadas as imagens de câmeras do Complexo Penitenciário de Gericinó neste dia de Natal.

Nem a entrada do veículo consta de anotação da portaria do complexo. Neste 25 de dezembro de 2016 há registro apenas da entrada de quatro carros da Polícia Civil e do veículo de um advogado.

A prática de enviar para Adriana Ancelmo uma ceia diferente da que seria servida à outras presas se repetiu no Réveillon. A diferença é que, neste dia, ao invés de um falso servidor fazer a entrega, a encomenda foi levada pelo motorista da família Cabral.

Para recebê-la, segundo os promotores, a própria diretora da unidade, Rita de Cássia. Ela foi, de acordo com o MP, garantir o privilégio para a ex-primeira dama mesmo estando de folga.

E não parou por aí. Todas as presas de nível superior da unidade puderam ficar até meia-noite fora das celas. Detentas que não tinham o 3º grau completo ficaram trancadas nas celas a partir das 17h do 31 de dezembro de 2016.

Tratamento diferente para Adriana Ancelmo

A ex-primeira-dama ainda tinha garantido, segundo os promotores, privilégios no dia-a-dia da unidade.

A cela de Adriana Ancelmo não era revistada e ela poderia comprar comida na cantina na hora que quisesse, já as outras detentas tinham horas definidas para adquirir alimentos.

Adriana Ancelmo também não podia ser chamada de "presa" e era dispensada de se levantar em qualquer revista de agentes na unidade.

Uma agente penitenciária chegou a ser advertida por tratar Adriana Ancelmo como uma detenta comum.

"E o mais absurdo, está no fato de que mesmo diante de tantas irregularidades e evidências cotidianas, a cúpula da Seap mantinha-se em peculiar estado de normalidade. Todos os atos ilícitos eram prontamente acompanhados de justificativas, algumas pueris, outras mais bem alinhavadas, todas no limite do inaceitável", escreveu os promotores do Gaesp na Ação Civil.

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Marco Antônio Martins
G1
Editado por Política na Rede 
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