sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Ex-diretor da Petrobras volta a dizer que Lula recebeu propina de estaleiros


Imagem: Ailton de Freitas / Ag. O Globo
O ex-diretor da Petrobras Renato Duque voltou a afirmar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu parte da propina paga pelos estaleiros contratados pela Sete Brasil para fornecer navios-sondas para a Petrobras. Interrogado nesta sexta-feira pelo juiz Sergio Moro, Duque disse que os valores a Lula seriam pagos pelos estaleiro Enseada Paraguaçu, que tinha como sócios Odebrecht, OAS e UTC.

— O estaleiro onde a Odebrecht era sócia ficaria com o Lula — afirmou Duque, referindo-se sobre quem pagaria a cada parte recebedora da propina.

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Segundo ele, os pagamentos a José Dirceu seriam feitos pela Engevix, por meio do operador Milton Pascovitch, e as empreiteiras Queiroz Galvão e Camargo Côrrea, sócias no estaleiro Atlântico Sul, fariam o repasse para o PT.

Duque repetiu que a propina foi negociada com os estaleiros por Pedro Barusco, à semelhança do que ocorria na Petrobras, e que ouviu do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto que os dois terços da propina destinados ao partido seriam, na verdade, divididos entre Lula, o ex-ministro José Dirceu e a legenda.

A proposta, que inicialmente era dividir a propina metade para "Casa", que correspondia a funcionários da Sete Brasil e da Petrobras, e para o PT, acabou, segundo ele, modificada por ordem do ex-ministro Antonio Palocci. Palocci teria exigido dois terços para o PT e os pagamentos de propina, que correspondiam a 28 sondas, seriam divididos entre os estaleiros. A Lula, segundo ele, coube pagamentos referentes a seis sondas do Estaleiro Paraguaçu.

Quando a propina foi acertada, Duque já havia saído da Petrobras. Afirmou ter recebido porque parte do dinheiro destinado à "Casa" foi depositado, a pedido de Barusco, numa conta dele no Banco Cramer. Pelo empréstimo da conta ele ficaria com 10% do valor e Barusco com 90%. Outra parte do dinheiro da "Casa" iria direto para Barusco, Eduardo Costa Vaz Musa e João Carlos Medeiros Ferraz, que presidiu a Sete Brasil.

A conta foi aberta por Duque por sugestão do lobista Júlio Camargo. O executivo disse que a abertura foi feita pelo próprio dono do banco Cramer, na Suíça.

Duque já foi condenado pela Lava-Jato em sete ações penais e as penas, somadas, ultrapassam 76 anos de prisão. Ele ainda não conseguiu fechar acordo de delação premiada. No processo em que foi interrogado, é acusado de receber propina do estaleiro Jurong, representado por Guilherme Esteves de Jesus.

Embora tenha dito que dividiria o dinheiro recebido em sua conta na Suíça com Barusco, Duque disse que não chegou a fazer a transferência. A Moro ele disse ainda ter transferido US$ 1 milhão para Roberto Gonçalves, que foi gerente da Petrobras, apenas por "reconhecimento" de ele ter participado do processo de definição da compra de sondas, como era "institucionalizado" na estatal.

Em nota, a assessoria de Lula afirmou que "o ex-presidente teve todas as suas contas vasculhadas e jamais recebeu valores ilegais ou teve em Palocci seu representante para receber qualquer valor. Não vamos comentar declarações sem nenhuma provas de presos que buscam fechar acordos para obter benefícios judiciais."

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Cleide Carvalho 
O Globo
Editado por Política na Rede
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