terça-feira, 14 de agosto de 2018

'Minha avaliação é que o Lula congelou, sequestrou o PT', diz Eduardo Jorge


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Em entrevista ao jornalista Joelmir Tavares, da Folha de S. Paulo, o candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva, Eduardo Jorge, lembra que ambos já pertenceram ao PT e lamenta os rumos tomados pelo partido. Para Eduardo Jorge, "Lula congelou, sequestrou o PT" e "hoje quem manda são os caciques". 


Leia abaixo trecho da entrevista: 


O sr. foi petista de 1980 a 2003. Como vê a dependência do PT em relação a Lula? 
Uma coisa que compartilho com a Marina é que na redemocratização brasileira os dois partidos mais importantes foram PSDB e PT. Apesar das coisas boas que fizeram, são igualmente responsáveis pela crise atual. Mas os erros que tiveram não querem dizer que não tenham salvação.
Minha avaliação é que o Lula congelou, sequestrou o PT. O PT chegou aonde chegou porque sua grande força foi a democracia interna. O partido tinha uma composição que acomodava desde os católicos mais à esquerda até os trotskitas mais delirantes [risos], como uma facção que acreditava que a revolução viria de Marte. 
À medida que o partido foi entrando nas divisões de poder, alcançando prefeituras, entrando em relações com grandes empresas e sindicatos, o poder econômico foi se enraizando e sombreando, diminuindo cada vez mais a democracia da base. Hoje quem manda são os caciques.

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Lula virou um cacique? 
Ele é o cacique-mor. Isso está corroendo o principal patrimônio do partido, que era a democracia. É péssimo, é humilhante um partido que nasceu pela democracia, pela força da base, depender em tudo de um oráculo. Vão lá os sacerdotes Gleisi [Hoffmann], [Fernando] Haddad, consultar o oráculo. Aí saem de lá: “O oráculo falou isso, falou aquilo”.

A candidatura dele é uma imposição também? 
Sim, porque morreu a democracia interna, ou quase morreu, não sei. Atrofiou-se ao ponto de ter hoje uma liderança desse tipo, uma liderança quase tipo um rei Sol. E isso é uma necessidade de manter o poder centralizado na mão de uma pessoa e de seus absolutamente confiáveis delegados. A necessidade de manter o controle da esquerda no Brasil, na América do Sul. Esse método é insustentável.

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