sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Na cadeia, Eduardo Cunha divulga carta nas redes sociais e defende candidatura de Lula


Imagem: Rodolfo Buhrer / Reuters
Preso desde outubro de 2016, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha divulgou uma carta em sua página oficial no Facebook para comentar o cenário eleitoral argumentar e contra sua própria prisão. Na mensagem, ele defende que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso no âmbito da Operação Lava Jato, tenha o direito de concorrer à Presidência. Cunha ainda destaca que a eleição de 2018 será a primeira em 20 anos que ele não disputará, e divulga a candidatura da filha, Danielle Cunha, a deputada federal.

O ex-deputado se posiciona como adversário dos governos do PT e "o principal responsável por sua queda", mas diz que Lula deveria ser derrotado nas urnas. "O petista não deve ser eleito pelo custo que impôs ao povo com sua desastrada escolha, mas jamais impedido de disputar", escreve. Ele ainda se compara ao ex-presidente ao dizer que seria um "troféu político".

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Cunha critica as atuais regras eleitorais, que devem eleger parlamentares "no pior dos modelos políticos", e afirma que o Congresso está "totalmente desvinculado de suas propostas e compromissos". Ele defende a adoção do parlamentarismo no País, citando os modelos francês e português, com partidos obrigados a aderir à um programa de governo.

"Para o futuro, o país não terá outra alternativa, que não seja a de adotar o parlamentarismo", escreve. Cunha ainda faz um alerta sobre a continuidade da crise política no País. "O eleitor precisa estar atento que alguns dos candidatos a presidente, se eleito forem, correm o risco de não durarem um ano de governo." 

Processos. Cunha se diz vítima de perseguição, condenado sem provas "baseado exclusivamente na palavra de um delator", e que prisões preventivas estariam sendo transformadas em "prisões perpétuas". O ex-deputado, no entando, foi condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e já cumpre pena.

Na ocasião, em novembro do ano passado, o tribunal reduziu em 10 meses a pena do ex-deputado. O emedebista havia sido condenado a 15 anos e 4 meses pelo juiz federal Sérgio Moro pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele foi acusado de receber US$ 1,5 milhão em propina na compra de um campo petrolífero em Benin, na África, pela Petrobrás, em 2011. Os valores teriam sido recebidos em contas na Suíça.

Outra condenação veio há cerca de dois meses. O juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, o condenou a 24 anos e 10 meses por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional. A sentença foi resultado da Operação Sépsis, que investiga desvios no Fundo de Investimento do FGTS. 

Cunha foi preso cerca de um mês após ter seu mandato cassado pela Câmara por quebra do decoro parlamentar. O deputado foi acusado de mentir à CPI da Petrobras ao negar, durante depoimento em março de 2015, ser titular de contas no exterior. Documentos apresentados à Procuradoria-Geral da República pelo Ministério Público da Suíça mostravam a assinatura do deputado na abertura de contas na Suíça.

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Tulio Kruse
O Estado de S.Paulo
Editado por Política na Rede
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