sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Após cirurgia, Bolsonaro não deverá estar apto a fazer campanha de rua antes do primeiro turno


Imagem: Reprodução  / Redes Sociais
Após passar por uma cirurgia de grande porte, incluindo uma colostomia (exteriorização do intestino grosso para a criação de uma saída para as fezes na parede abdominal), o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) dificilmente será liberado pelos médicos a fazer campanha de rua antes do primeiro turno das eleições, marcado para 7 de outubro. Dependendo da recuperação do candidato, o impedimento pode ser estendido até o segundo turno do pleito, agendado para o dia 28 do mesmo mês.

As estimativas foram feitas por gastrocirurgiões ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo considerando a evolução de pacientes com quadros parecidos com o do político. Em geral, eles só são autorizados a retornar ao trabalho e às atividades normais no período de um a dois meses após a operação.

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A cautela se justifica pela extensão da cirurgia e pelos cuidados necessários com a bolsa de colostomia, que é colada ao corpo para receber as fezes. “Assumindo que tudo corra bem, sem infecções ou outras complicações, o paciente costuma ficar pelo menos uma semana internado e cerca de um mês afastado do trabalho. No caso de um indivíduo como ele, que estava fazendo agendas no meio da multidão, em que era carregado nos braços, acho difícil a retomada desse tipo de atividade antes de quatro semanas”, declarou Guilherme Cotti, cirurgião do aparelho digestivo do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

O gastrocirurgião Eduardo Grecco, da Faculdade de Medicina do ABC, concorda que seria imprudente retomar agendas públicas antes do primeiro turno. “Ele deverá ficar um mês em repouso, podendo sair apenas para pequenos trajetos. Isso o impossibilitaria de fazer campanha até o primeiro turno. Passado o primeiro mês em casa, ele deverá estar adaptado ao novo estilo de vida com a bolsa, podendo sair normalmente”, disse.

A equipe médica que atendeu Bolsonaro em Juiz de Fora, onde ocorreu o ataque, já havia declarado na quinta-feira, 6, que o candidato não deverá ter alta antes de uma semana a dez dias.

De acordo com Cotti, lesões como as sofridas por Bolsonaro exigem cirurgia de grande porte porque é preciso abrir de imediato o abdome do paciente para localizar e reparar os órgãos afetados. “Nesses casos, costuma ser feita uma incisão de cerca de 25 a 30 centímetros, dependendo da estatura do paciente”, detalhou o cirurgião.

Uma das maiores preocupações nesses casos é fazer a limpeza da cavidade abdominal, que, por causa das perfurações, costuma ser contaminada com material fecal e bactérias. Essa é a principal razão para a realização da colostomia: impedir a passagem de fezes pelas áreas lesionadas e suturadas e diminuir, assim, o risco de infecções. Pacientes com esse quadro costumam ficar de dois a três meses com a bolsa de colostomia até serem submetidos a outro procedimento cirúrgico para reconstruir o trânsito intestinal normal.

De acordo com a equipe médica da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, responsável pelo atendimento de emergência e pela cirurgia, o candidato chegou à unidade em estado grave, com pressão baixa e em choque. Foram constatadas lesões nos intestinos grosso e delgado e na artéria mesentérica superior, que leva sangue da aorta ao intestino. A perfuração do vaso levou Bolsonaro a sofrer hemorragia extensa. O político chegou a perder três litros de sangue e recebeu transfusão.

Na manhã desta sexta-feira, 7, o candidato foi transferido da Santa Casa mineira para o Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista. Ele passaria por uma avaliação de especialistas da instituição e o primeiro boletim médico deverá ser divulgado na tarde desta sexta.

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Carla Bridi e Fabiana Cambricoli
O Estado de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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