segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Comitiva quis usar convenção para esconder a bagagem milionária do vice da Guiné Equatorial


Imagem: Divulgação
Os diplomatas e integrantes da comitiva do vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Nguema Obiang Mangue, pensavam em usar a imunidade garantida a diplomatas pela Convenção de Viena para passar pela alfândega as malas com 20 relógios com diamantes avaliados em US$ 15 milhões e com US$ 1,4 milhão e R$ 55 mil. A PF ouviu os depoimentos do secretário da embaixada do país africano, dois seguranças e um criado do vice-presidente, conhecido como Teodorin.

Oumkeltoum Habchi, de 46 anos, afirmou que trabalha com seu patrão há 3 anos. Ele admitiu ter arrumado a mala do político e colocado os relógios na bagagem. “Ele (Teodorin) sempre viaja com os relógios”, afirmou para os policiais. Os relógios ficam no quarto do vice-presidente. Felipe Ndumu Osa Nchama, de 44, contou aos federais que era o diretor-adjunto de segurança do investigado. Ele negou ter conhecimento do conteúdo da bagagem do chefe, mas contou que o político vem ao Brasil desde 2003, “sendo sempre bem recebido”.

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O chefe da segurança do vice-presidente, Marcelino Olo Mba Nseng, de 56 anos, afirmou que carregava uma das maletas de Teodorin. Ele afirmou que o patrão, depois de pousar no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, ia embarcar em um helicóptero. Ficariam todos hospedados no Hotel Tivoli. Nseng contou que o chefe estava no Brasil para se tratamento médico, sem no entanto saber em qual hospital ele seria tratado ou quanto tempo devia demorar a estadia. Também disse que não sabia para onde iria Teodorin quando deixasse o Brasil. Ele contou que a comitiva contatou o Itamaraty.

Os federais ouviram ainda o depoimento do secretário-geral da embaixada da Guiné Equatorial, Leminio Akuben Mba Mikue, de 41 anos, afirmou que as bagagens pertenciam a Teodorin e, portanto, estavam protegidas pela Convenção de Viena. Mas o Itamaraty sugeriu à Receita que as malas do vice-presidente fossem revistadas. “Os relógios eram itens pessoal do vice-presidente”, afirmou. Mikue afirmou que depois de fazer tratamento médico no Brasil, o vice-presidente rumaria para Singapura, em missão oficial.

Por fim, os federais ouviram o auditor fiscal Alessandro Grisi Pessoa, que contou ter primeiro revistado o avião que transportara o presidente da Guiné e mandara lacrar no cofre da aeronave 2 armas de fogo que não haviam sido declaradas pela comitiva. Contou que o grupo da Guiné Equatorial tentou sair da área de fiscalização sem passar as malas pelo Raio-X. Ele afirmou que somente o vice-presidente havia sido dispensado da inspeção. Pessoa contou que os integrantes da comitiva não foram dispensados da revista. Além disso, havia fundada suspeita – o grupo carregava malas pesadas.

Ele disse que o grupo se negava a permitir a inspeção das malas, alegando que elas pertenciam ao vice-presidente. O fiscal afirmou que a imunidade para fins tributários e fiscais abrange apenas malas diplomáticas e do corpo consular. Este não seria o caso do vice-presidente. Além disso “na presença de fundada suspeita, nenhuma isenção fiscal prevaleceria”. O auditor contou que foi feito um teste pela Receita que constatou que as pedras nos relógios encontrados nas malas eram, de fato, diamantes.

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Marcelo Godoy
O Estado de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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