quinta-feira, 13 de setembro de 2018

‘Grande corrupção’, diz Moro sobre esquema no governo Beto Richa


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Ao autorizar a deflagração da Operação Piloto, fase 53 da Lava Jato, nesta terça, 11, que incluíram buscas nos endereços do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), o juiz Sérgio Moro observou que o esquema de corrupção supostamente instalado na gestão do tucano ‘não se trata de um crime trivial’.

“Reputo presente risco à ordem pública. O contexto não é de envolvimento ocasional em crimes de corrupção, mas da prática de crimes de grande corrupção e de complexas operações de lavagem de dinheiro”, pontuo o juiz.

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Moro destacou ‘pagamento de pelo menos 3,5 milhões de reais para direcionar licitação em favor do Grupo Odebrecht, com utilização de sofisticado sistema de ocultação e dissimulação do produto do crime, inclusive com utilização de contas secretas no exterior e diversas transações subreptícias no Brasil’.

Beto Richa é alvo de duas operações simultaneamente deflagradas nesta terça – a Operação Piloto, da Polícia Federal, e a Radiopatrulha, esta conduzida pelo Ministério Público estadual. O ex-governador, que é candidato ao Senado pelo PSDB, nas eleições 2018, foi preso por ordem da Justiça do Paraná. A mulher do tucano, Fernanda, e um irmão dele, Pepe Richa, também foram presos.

Na Lava Jato, o tucano foi alvo de buscas, ordenadas por Moro. Operação Piloto é uma referência ao codinome supostamente adotado nas planilhas da supermáquina de propinas da Odebrecht para se referir a Beto Richa.

Essa etapa da Lava Jato põe sob suspeita o ex-governador em esquema de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro via contrato firmado com a empreiteira Odebrecht para obras de duplicação da rodovia PR 323, no interior do Paraná.

Moro assinala que ‘há prova, em cognição sumária, de que (repasses ilícitos) foram submetidos a complexas operações de lavagem em esquema criminoso que transcende o produto do crime de corrupção em questão’.

O magistrado ordenou a prisão do braço direito de Beto Richa, o ex-chefe de gabinete no Governo do Estado, Deonilson Roldo. “Presentes os pressupostos da prisão preventiva, boas provas de materialidade e de autoria.”

“Em síntese, o caso envolve acusação de pagamento de vantagem indevida a Deonilson Roldo, por seu cargo de chefe de Gabinete do Governador do Estado do Paraná, propina esta paga pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, mediante operações financeiras em parte transnacionais, e que foi descoberto em investigações em trâmite perante este Juízo, inserindo-se no contexto dos processos da Operação Lava Jato”, observou Moro.

O juiz citou o empresário apontado como intermediário dos pagamentos de propinas a Beto Richa, Jorge Theodocio Atherino. “Prossegue a investigação para rastreamento completo dos valores e para elucidação completa de supostas operações de lavagem do próprio agente corrompido (Roldo), de Jorge Theodocio Atherino e associados.”

A Polícia Federal havia solicitado a prisão também de Luciano Ribeiro Pizzatto, delator do esquema de propinas no governo Richa. Mas a força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato se manifestou contrária à medida. “Relativamente a Luciano Ribeiro Pizzatto, reputo correta a ponderação do Ministério Público Federal”, escreveu Moro.

“Apesar de possíveis omissões em seu relato, isso não é suficiente para justificar a prisão preventiva. Deve ele ser confrontado com os fatos, após o que deve ser analisado se devem ser mantidos ou não os benefícios decorrentes da colaboração.”

O depoimento de Nelson Leal Júnior, diretor do Departamento de Estradas e Rodagens do Paraná, foi revelador, na avaliação de Moro.

Leal Júnior apontou corrupção e lavagem de ativos no contrato de duplicação da PR 323. “Insere-se em um contexto mais amplo, de um esquema de corrupção sistêmica, com cobrança sistemática de vantagem indevida de empresas fornecedoras de diversos setores do Governo do Estado do Paraná. Jorge Theodocio Atherino teria um papel central no recebimento e ocultação e dissimulação desses recursos. Deonilson Roldo seria um dos líderes do esquema criminoso e teria substituído Luis Abi Antoun, após a prisão deste, como o principal operador do esquema de arrecadação de recursos ilícitos de empresas fornecedoras do Governo do Estado.”

COM A PALAVRA, BETO RICHA

A defesa do ex-governador Beto Richa até agora não sabe qual a razão das ordens judiciais proferidas. A defesa do ainda não teve acesso à investigação.

COM A PALAVRA, O GOVERNO DO PARANÁ

Governo do Estado está colaborando com todas as investigações em curso.

A governadora Cida Borghetti ressalta que não aceita nenhum tipo de desvio de conduta dos seus funcionários e que criou a Divisão de Combate à Corrupção para reforçar o combate à esse tipo de crime. Hoje a divisão esta fazendo buscas e apreensão em uma operação que combate fraudes a licitação

O Governo do Estado vai aguardar a divulgação de mais informações a respeito dessa fase da Operação Lava Jato para tomar outras providências.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ROBERTO BRZEZINSKI NETO, QUE DEFENDE DEONILSON ROLDO

O advogado Roberto Brzezinski Neto, que defende Deonilson Roldo, afirmou que está analisando os autos e vai se pronunciar.

COM A PALAVRA, JORGE THEODOCIO ATHERINO

A reportagem está tentando contato com a defesa do empresário Jorge Theodocio Atherino. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, EZEQUIAS MOREIRA RODRIGUES

A reportagem está tentando contato com a defesa de Ezequias Moreira Rodrigues. O espaço está aberto para manifestação.

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Ricardo Brandt, Julia Affonso, Fausto Macedo e Katna Baran
O Estado de S.Paulo
Editado por Política na Rede
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