sábado, 8 de setembro de 2018

'Justificar ou compreender a atitude de canalhas homicidas é, na realidade, aprová-la por completo', diz promotor sobre 'defesa' do homem que tentou matar Bolsonaro


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
Em resposta à profusão de pessoas e setores da imprensa que afirmam que a tentativa de assassinato do candidato Jair Bolsonaro seria uma "reação" a um "discurso" do próprio candidato, o promotor Rodrigo Merli Antunes, que atua no Tribunal do Júri de Guarulhos, afirma que culpar a vítima não é uma atitude aceitável: "justificar ou compreender a atitude de canalhas homicidas é, na realidade, aprová-la por completo". 


Leia abaixo o texto do promotor Rodrigo Merli Antunes: 

A CULPA É DA VÍTIMA
Há 15 anos atuando no Tribunal do Júri, já ouvi essa idiotice de muitos réus assassinos que ajudei a condenar. No entanto, não sabia que o universo de beócios pudesse ser maior que o desses criminosos. Refiro-me ao episódio envolvendo um dos candidatos à presidência, o qual fora covardemente atacado não por um louco, mas sim por um intolerante que não consegue ouvir aquilo que lhe desagrada. 
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Independente do leitor ter simpatia ou não pelo presidenciável, é fato que ele e seus seguidores nunca defenderam a violência gratuita e contra inocentes. Aliás, nunca vi eles realizarem algo parecido. Até onde sei, pregam apenas o direito de defesa pela força contra agressões injustas e providenciadas por bandidos, e não por conta da convicção de dissidentes. Em outras palavras, o deputado não foi vítima da suposta “violência” que propaga, mas sim daquela que combate. 
Justificar ou compreender a atitude de canalhas homicidas é, na realidade, aprová-la por completo. Se o leitor é contra o estupro de uma moça que sai na rua com trajes curtos e insinuantes (e espero que seja), tem que ser também contra aquilo que aconteceu com o candidato em debate. Discursos, críticas, opiniões, brincadeiras e ironias, por mais desagradáveis e infelizes que possam ser, não dão ensejo a ataques físicos como o que fora providenciado. 
Por outro lado, reações violentas a uma prévia agressão  criminosa são sim expressamente admitidas pela própria lei penal. Mas, o curioso é observar que a sociedade brasileira tolera a primeira hipótese, mas abomina por completo a segunda. 
Por isso acaba justificando a ação delitiva do facínora, mas se opõe frontalmente à defesa armada daquele que foi ofendido. Coisa mesmo de maluco esquizofrênico! É isso que muitos se tornaram! 
Definitivamente, o Brasil está doente. Precisa de um remédio. E espero que ele venha logo. Como dito pelo professor e filósofo Olavo de Carvalho, “a gente percebe que um país está doente e falido moralmente quando a candidatura de um militar à presidência da república é tida por absurda, mas a de um presidiário é aceita como normal”. Exatamente por isso é que me solidarizo sempre com a vítima e não com o criminoso. Exatamente por isso é que digo expressamente: Força deputado! Levanta capitão!

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Correio do Poder
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