sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Na primeira entrevista após o atentado, Bolsonaro defende Paulo Guedes


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Na primeira entrevista que concede desde que sofreu um atentado a faca há duas semanas, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) defendeu seu guru econômico, Paulo Guedes, que foi envolvido em uma polêmica após a colunista Mônica Bergamo dizer que ele pretendia recriar a CPMF. 

"O Paulo segue firme", disse, sobre boatos de que ele poderia se afastar da campanha após cancelar uma série de eventos em que falaria sobre seus planos para a área econômica. O economista já foi anunciado como ministro da Fazenda em caso de vitória do atual líder da corrida ao Planalto.

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Segundo o candidato, Guedes nunca defendeu a volta da CPMF, que esteve em vigência de 1997 a 2007. "Isso é uma distorção. Ele apenas está estudando alternativas. Tudo terá de passar pelo meu crivo", afirmou.

Bolsonaro falou por breves quatro minutos ao telefone com o repórter Igor Gielow, do jornal Folha de S. Paulo, de seu quarto no hospital Albert Einstein, onde se recupera de duas cirurgias. "Foi barra pesada. Eu quase morri, estou aqui por um milagre. Mas estou bem, meu bom humor voltou", disse.

Ele minimizou a repercussão da suposta recriação da CPMF: "Olha, ele não tem experiência política. O cara dá uma palestra de uma hora, fala uma coisa por segundos e a imprensa cai de porrada nele", disse, em referência a uma proposta de simplificação tributária e de alíquota única de 20% do Imposto de Renda para quem ganha mais de cinco salários mínimos, feita em uma palestra de investidores.

"Se ele usa a palavra IVA (Imposto de Valor Agregado) e não CPMF, não tem confusão nenhuma. Parece uma boa ideia, vamos estudar. A alíquota única do IR para quem ganha mais é uma boa ideia", afirmou ele. Sua voz, muito debilitada no vídeo divulgado por seu filho Eduardo no domingo (16), estava praticamente normal, apenas um pouco rouca.

Guedes conversou nesta sexta (21) com Bolsonaro por telefone e irá visitá-lo no Einstein neste sábado.

Até aqui, o deputado só havia se manifestado por meio de vídeos gravados. "Eu cumpro rigorosamente as ordens médicas. É impossível eu ir para a rua ou participar de debates antes do primeiro turno. Vou fazer participações pela internet", disse. Seus filhos, que tocam a campanha em sua ausência, haviam levantado publicamente a hipótese de Bolsonaro participar do último debate televisivo antes do pleito, no dia 4, na Rede Globo.

"Acho que terei alta nos próximos dias, mas continuo com muito antibiótico", afirmou.

Ele se queixou bastante da campanha do PSDB, que vem batendo duro em sua imagem na propaganda eleitoral gratuita. "Vejo com muita tristeza o Geraldo Alckmin, uma pessoa em quem eu já votei. Ele pegou pesado. Eu não esperava isso dele, mas a verdade é que ele não é diferente do PT", disse.

"Eu não tenho tempo para rebater esse festival de baixaria. Podia perguntar da merenda, da obra do Rodoanel, da Odebrecht", disse, elencando denúncias contra a gestão do tucano, ex-governador de São Paulo. "É covardia do Alckmin."

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Igor Gielow
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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