segunda-feira, 24 de junho de 2019

Procurador desafia jornal a publicar a íntegra das conversas de seus jornalistas com membros da Lava Jato


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
O procurador Aílton Benedito fez uma série de críticas ao jornal que decidiu publicar trechos de supostas conversas entre os procuradores da operação Lava Jato e o ministro Sérgio Moro, que, à época das supostas conversas, era o juiz da 13ª Vara Federal. O procurador lembrou que o jornal, que ele chama de “ex-jornal”, fez acusações sem provas contra a campanha do então candidato Jair Bolsonaro, às vésperas das eleições, e questiona se esse veículo pode garantir a autenticidade do material que recebeu. 



Ouça: 


O procurador disse: “Segundo ex-jornal, ‘ao examinar material, reportagem não detectou indício de que ele possa ter sido adulterado’. Então, ficamos combinados assim: ex-jornal especializado em divulgação de Fake News contra as ‘tias do WhatsApp’ deve ser considerado garantia de autenticidade”.

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O jornal afirmou que acredita na autenticidade do material porque encontrou nele conversas mantidas por seus próprios jornalistas com membros da operação Lava Jato. O procurador questionou se o jornal pretende publicar essas comunicações, já que também seriam de interesse público. Aílton Benedito perguntou: “O ex-jornal especializado em divulgação de Fake News contra as ‘tias do WhatsApp’ vai publicar os supostos diálogos que seus jornalistas, no exercício da sua profissão, teriam eventualmente mantido com os integrantes da Lava Jato, e que foram também hackeados criminosamente?”. E acrescentou: “O ex-jornal especializado em divulgação de Fake News contra as ‘tias do WhatsApp’ poderia dar alguma autenticidade aos supostos diálogos hackeados criminosamente, se publicasse na íntegra os diálogos que seus próprios jornalistas mantiveram com os integrantes da Lava Jato”.

O procurador também criticou duramente o fato de o jornal publicar trechos do material sem apresentar a íntegra às autoridades. Aílton Benedito disse: “Pode-se preservar a liberdade de imprensa na divulgação do material hackeado criminosamente de integrantes da Lava Jato, mas não há impedimento jurídico a que se obriguem os seus detentores atuais a entregar cópia integral do conteúdo às autoridades do Estado para investigações. É público e notório que os detentores do material extraído criminosamente de celulares de integrantes da Lava Jato o estão explorando nos seus exclusivos interesses. O Estado não pode permanecer inerte, enquanto o produto do crime é usado em benefício de criminosos”.

O procurador fez uma enquete, com uma situação hipotética em que um “suposto jornal recebe 1 fuzil com denúncia anônima contra 50 pessoas que o teriam usado para extorquir e roubar 207 milhões. O mesmo jornal publica diariamente o nome dos denunciados, mas não entrega a arma às autoridades competentes. E aí?”. Até o momento da publicação deste artigo, 47% das pessoas que responderam à enquete defendiam a prisão dos criminosos; 31% responderam que “isso não é jornalismo”; 20% consideraram tratar-se de “assassinato de reputações”; e apenas 1% considerou tratar-se de “liberdade de imprensa”. 

O procurador defendeu ainda que o ministro Sérgio Moro e os membros da operação Lava Jato desenvolvam uma estratégia para reagir aos crimes de que estão sendo vítimas. Benedito disse: 

Está faltando estratégia a Moro e à Lava Jato para reagir ao crime de hackeamento de celulares de que estão sendo vítimas. A cada acusação parcial manipulada que respondem sem que todo o conteúdo venha a público dão verossimilhança às supostas mensagens.
Tudo que os bandidos desejam, para que possam cometer seus crimes com tranquilidade, sem nenhum risco, é que suas vítimas tentem se justificar como pessoas legais perante eles, a fim de que não sejam ameaçadas, roubadas, estupradas, assassinadas etc.
As vítimas a toda hora são ameaçadas, constrangidas, chantageadas para que se justifiquem perante os criminosos e seus comparsas, quando esses deveriam estar presos e respondendo pelos crimes praticados. São as ‘instituições que estão funcionando’.
O ex-jornal especializado em divulgação de Fake News contra as ‘tias do WhatsApp’ pode colaborar na elucidação dos fatos. Basta publicar os supostos diálogos dos seus jornalistas com integrantes da Lava Jato, e que foram também hackeados criminosamente. São de interesse público.

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Correio do Poder
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