sábado, 4 de janeiro de 2020

A Datena, Bolsonaro fala sobre as consequências para o Brasil do conflito entre EUA e Irã





O presidente Jair Bolsonaro concedeu uma entrevista ao programa Brasil Urgente, de José Luiz Datena. O apresentador queria saber a opinião do presidente sobre os possíveis desdobramentos e consequências para o Brasil caso o conflito entre os Estados Unidos e o Irã venha a se intensificar. 

Datena citou as manifestações da China e da Rússia, que reprovaram o ataque americano. Bolsonaro disse que não acredita que essas grandes potências nucleares entrem em um conflito. Para Bolsonaro, as declarações dos chefes de estado fazem parte de uma estratégia comercial, não necessariamente entrando em uma questão de supremacia bélica. 

O presidente afirmou que, na segunda-feira, terá uma reunião com seus ministros, para avaliar o impacto do conflito no preço do petróleo. Lembrando que houve uma alta do preço do petróleo após um ataque de drones na Arábia Saudita, Bolsonaro disse que a expectativa é de que o atual aumento do petróleo dure pouco tempo. Caso o conflito se alongue no tempo, a situação será reavaliada. 

O presidente disse que sabe o quanto o preço dos combustíveis impacta a nossa economia, e sabe que o povo quer que o preço diminua. Bolsonaro apontou que o Brasil segue os preços internacionais do petróleo e que não vai tabelar o preço do combustível. E questionou por que o preço na bomba é muito maior do que nas refinarias. Bolsonaro disse: “são monopólios que não são fáceis de ser desfeitos”. O presidente também apontou que os governadores dos estados ganham com os altos preços dos combustíveis, através da arrecadação de ICMS, e falou da dificuldade de se fazer mudanças. 

Bolsonaro disse que não acredita que o presidente Trump tenha agido com fins eleitorais. E disse que o Brasil não tem condições de se envolver. Bolsonaro disse: “Nossa linha é pacífica, porque afinal de contas, não temos poder nuclear como outros países”. 

Respondendo à insistência do apresentador, que queria saber se ele falou com Trump, Bolsonaro contou como foi a conversa entre os presidentes por ocasião do anúncio, por Trump, de que aumentaria a sobretaxa sobre o aço e o alumínio. Bolsonaro contou que Trump ligou para ele e conversaram como velhos amigos. Bolsonaro explicou que não havia aumento artificial do dólar e descreveu a situação econômica, e não houve a sobretaxa. Para Bolsonaro, “ninguém cedeu para ninguém”; o que houve foi compreensão mútua. 

Bolsonaro disse que nenhum país do mundo quer guerra, mas apontou que o Irã vem se distanciando da comunidade internacional. O presidente relatou que, em suas viagens, sentiu que países como a Arábia Saudita e Qatar têm interesse em ampliar o comércio conosco. Por outro lado, países que dão guarida a terroristas tendem a ficar cada vez mais isolados. 

O presidente disse que as grandes potências do petróleo já sabem que há uma tendência crescente de diminuir o uso de combustíveis fósseis. Bolsonaro disse: “se houver um conflito de longa duração, o mundo todo vai sofrer com a alta do petróleo. Por outro lado, isso acelera a busca por outras fontes de energia”. O presidente lembrou que, no Brasil, estamos estudando novas fontes de energia. Bolsonaro disse: “crescimento econômico implica em consumo de energia. E essa energia não pode vir só de combustíveis fósseis”. 

Para Bolsonaro, a melhor maneira de diminuir a dependência em relação a esse tipo de conflito é investir em tecnologia. O presidente apontou, entretanto, alguns obstáculos. Bolsonaro mencionou a ação da ANEEL, que propôs taxar a geração de energia solar, na contramão do que se faz no mundo. Bolsonaro lembrou que as agências são herança do governo FHC e que, muitas vezes, têm mais poder que os ministérios. Bolsonaro também lembrou a importância de se investir em educação para chegar ao desenvolvimento de novas tecnologias, e lembrou que será necessário muito tempo para recuperar o estrago feito por governos anteriores nessa área. 

Questionado se o Brasil pode ganhar com o conflito entre Estados Unidos e Irã, Bolsonaro disse que ninguém ganha com um conflito armado de longa duração. O presidente disse: “Todo mundo perde um pouco. Uns vão perder menos, outros vão perder mais. Quem é mais fraco vai perder mais. O país mais forte faz valer a sua vontade”. E apontou: “O Brasil, para se inserir nesse mundo onde possa falar em pé de igualdade com outros países, tem que se desenvolver muito”.

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