quarta-feira, 29 de julho de 2020

Toffoli se auto-intitula ‘editor de uma nação inteira’ e choca sociedade, que lembra que competências do STF são definidas pela Constituição





O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, chocou o Brasil ontem ao dizer, em uma live, que acredita que a Corte pode agir como o “editor de uma nação inteira, de um povo inteiro”. Sem considerar que brasileiros não são funcionários do Tribunal, Toffoli comparou a nação à redação de um órgão de imprensa. O presidente do STF disse: “Todo órgão de imprensa tem censura interna. Em que sentido? O seu acionista ou o seu editor, se ele verifica ali uma matéria que ele acha que não deve ir ao ar porque ela não é correta, ela não está devidamente checada, ele diz: ‘Não vai ao ar’. Aí o jornalista dele diz: ‘Mas eu tenho a liberdade de expressão de colocar isso ao ar?’. Entendeu? Não é à toa que todas as empresas de comunicação têm códigos de ética, códigos de conduta, de compromisso”, disse. “Nós, enquanto Judiciário, enquanto Suprema Corte, somos editores de um país inteiro, de uma nação inteira, de um povo inteiro”.


O deputado Paulo Martins comentou: “Não, o STF não é o editor da sociedade. Não em uma democracia . Inadmissível”.  Martins acrescentou: “Lembrei do título de um livro do Élio Gaspari. Já está escancarada”.

A deputada Major Fabiana lembrou: “O Art. 102 da Constituição elenca as competências do STF, adivinhem: não tem essa de ‘editor’”.

O Novo, no perfil oficial do partido, citou a frase do ministro e rebateu: “Nenhum membro ou instituição do Estado deve atuar como "editor" ou, na prática, como censurador. O NOVO condena esta declaração infeliz e reforça a defesa da liberdade de expressão”.

O deputado estadual Sérgio Victor disse: “Em nenhum lugar do mundo desenvolvido uma Suprema Corte é o 'Editor' do pensar ou do viver de cada cidadão. Isso só é possível no livro 1984 de George Orwell ou nas Ditaduras”.

O procurador Aílton Benedito lembrou: “Atuar como “editor” não está entre as competências do STF previstas pela Constituição”.

O jornalista Diego Escosteguy manifestou incredulidade com a afirmação do presidente do STF, dizendo: “Já imaginou o presidente de uma Suprema Corte dizendo que o tribunal é “editor de uma nação inteira” e que a “liberdade de expressão está a serviço da informação”? Já imaginou uma opinião pública que ficasse em silêncio diante desses disparates? Ou até os endossasse? Pois é”.

O jornalista Paulo Mathias comentou: “Se alguém ainda tinha dúvidas sobre a bolha autoritária em que vivem nossos ministros do STF, o presidente da Corte, Dias Toffoli, fez questão de esclarecer”.

O escritor Leandro Narloch questionou: “Se o STF é editor da sociedade, a sociedade pode editar o quadro de ministros do STF?”

O jornalista Silvio Grimaldo afirmou: “Dias Tofolli não é editor de p***** nenhuma, muito menos da nação inteira. Ele é só um medíocre com poder demais para uma inteligência muito limitada, nomeado juiz do STF por um bandido e cujo maior mérito na carreira jurídica é ser o amigo do amigo do meu pai”.

O jornalista Carlos Andreazza disse: “Ser editor pressupõe uma linha editorial - geralmente num negócio privado, exemplo, aliás, que Toffoli dá. No caso de um ministro do Supremo, ou a linha editorial é a Constituição ou haverá problemas”.

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