domingo, 29 de novembro de 2020

Bolsonaro manda recado para Barroso, do STF e do TSE, defende voto impresso e critica sistema eleitoral


Em coletiva de imprensa após votar no Rio de Janeiro, o presidente Jair Bolsonaro rebateu declarações de Luís Roberto Barroso, ministro do STF e presidente do TSE, no que tange à confiabilidade do sistema eleitoral e no que toca ao voto impresso e às urnas eletrônicas. 

Bolsonaro encetou: “O que espero do sistema eleitoral brasileiro? Que possamos ter, em 2022, um sistema seguro, que possa dar garantias ao eleitor de que o voto efetivamente possa ir para a pessoa em quem ele votou. A questão do voto impresso é uma necessidade, está na boca do povo. Desde há muito, eu luto por isso”.

Ademais, o chefe de Estado salientou que não cabe ao Judiciário impedir alterações propugnadas pelo Executivo e pelo Legislativo: “As reclamações são muitas. Não adianta bater no peito e dizer que é seguro. Não tem como comprovar. Estamos vendo o trabalho de hackers aqui e até fora do Brasil. O voto impresso é uma necessidade, tenho conversado com lideranças no Congresso. Pretendemos, no começo do ano que vem, partir para isso. A decisão é do Poder Executivo e do Poder Legislativo, a busca do voto impresso”.

No que concerne ao resultado das eleições e ao resultado de candidatos apoiados, Bolsonaro rebateu jornalistas: “Vocês me acusam...eu fiz carreata para alguém? Comício para alguém? Passeata com alguém? Eu, discretamente, emprestei meu nome para alguns candidatos e está decidido. O povo decidiu e não tem o que discutir isso aí. Deixo bem claro: Em 2016, o Doria, apoiado pelo Alckmin foi eleito no primeiro turno. Em 2018, o Alckmin nem foi para o segundo turno”.

Neste contexto, ele acrescentou: “A cada dois anos, a coisa muda. Não existe derrota para A, B ou C. Outra coisa: tem o pleito federal, presidente vale para o Brasil todo. Governadores, deputados federais. Nos pequenos municípios, não há aquele clamor. Não adianta fazer campanha em município pequeno, ali, todos se conhecem, a pessoa é eleita por sua vida pregressa, o entendimento de cada eleitor lá. Agora, presidente, deputado federal, é outra coisa. As pessoas votam em valores mais altos, mais importantes do que temas corriqueiros de eleições municipais, locais”.

O presidente da República manifestou, ainda, sua desconfiança em virtude de irregularidades ocorridas em 2018: “Olha, nós temos que ouvir todo mundo. Pode ser que alguma reclamação não proceda, mas são muitas. Em 2018, eu creio que só fui eleito porque tive muitos, muitos votos. Tinha reclamações de que ia votar no 17 e não conseguia votar, votava no 13. O que aconteceu em muitas? Colocavam um pingo de cola na tecla 7, não conseguia votar no 17. Isso é uma adulteração, forçando a barra. Sobre o voto eletrônico, basta ver onde essa votação é feita. Basicamente, é aqui no Brasil. Tem de haver uma forma mais confiável para você votar. A apuração tem que ser pública, não pode ter meia dúzia de pessoas para contar votos no Brasil todo. Isso está errado, está até na própria Constituição, a apuração tem de ser pública”.

Dessa forma, ele voltou a rechaçar declarações do ministro Barroso: “Conseguimos, em 2018, que hackers do bem adentrassem a sala-cofre. Não tivemos problemas. Tenho ouvido falar sobre possíveis fraudes. Pretendo, brevemente, mostrar para vocês a apuração minuto a minuto que acontecia no TSE. Era alternado. No primeiro minuto, ganhei. No segundo, Haddad. Assim, ia alternando. Estatisticamente, é impossível. É o mesmo que eu contar os grãos de areia da Praia de Copacabana. O voto impresso fica atrás de um visor, o eleitor confere e cai dentro de uma urna. Qualquer delegado de partido pode pedir a recontagem naquela hora. Você vai ter a comprovação no eletrônico e no papel. É pedir muito? No meu entender, quem não quer entender isso, eu não sei o que pensa da democracia. Alguns falam em voto por telefone. Tem gente que nunca entrou na casa de ninguém, pessoal mais humilde, de comunidade, para saber. Seria mais complicado que o que temos atualmente. Poderia ter regiões tomadas por violência, comunidades que não têm a segurança devida. As pessoas votariam por telefone no candidato indicado por aquela ‘autoridade’, entre aspas”.


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