quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Ministro de Bolsonaro dá resposta contundente a embaixador chinês: ‘tom e conteúdo ofensivo e desrespeitoso’, ‘não contribui para o avanço das relações’


O Ministério das Relações Exteriores respondeu à Embaixada da China após o embaixador daquele país publicar, nas redes sociais, críticas ao deputado Eduardo Bolsonaro, que foram reproduzidas no site da Embaixada. Na Declaração, o porta-voz da embaixada chinesa sugere que, caso “o deputado Eduardo Bolsonaro e algumas personalidades” continuem a expressar suas opiniões sobre a China, o país poderia promover alguma retaliação ao Brasil. O texto diz: “Instamos essas personalidades a deixar de seguir a retórica da extrema direita norte-americana, cessar as desinformações e calúnias sobre a China e a amizade sino-brasileira, e evitar ir longe demais no caminho equivocado, tendo em vista os interesses de ambos os povos e a tendência geral da parceria bilateral. Caso contrário, vão arcar com as consequências negativas e carregar a responsabilidade histórica de perturbar a normalidade da parceria China-Brasil”.

A resposta do Ministério das Relações Exteriores aponta à Embaixada que existem caminhos diplomáticos apropriados para discutir a relação entre os países e lembra que uma das regras da diplomacia é o respeito à soberania dos países. O texto aponta: “O Brasil é um país democrático, com plena separação de poderes, vigência do Estado de Direito e liberdade de expressão. Espera-se que a Embaixada da República Popular da China, em suas manifestações, respeite esses fundamentos do ordenamento constitucional brasileiro”. 

Ouça a íntegra do texto enviado pelo Ministério das Relações Exteriores à Embaixada da China no Brasil:  


Urgentíssimo

O Ministério das Relações Exteriores cumprimenta a Embaixada da República Popular da China e, com referência ao texto intitulado "Declaração do porta-voz da Embaixada da China no Brasil sobre comentários difamatórios de um deputado federal brasileiro", publicado em 24 de novembro corrente nas redes sociais da Embaixada da República Popular da China em Brasília, tem a honra de observar e recordar o que segue:

Não é apropriado aos agentes diplomáticos da República Popular da China no Brasil tratarem dos assuntos da relação Brasil-China através das redes sociais. Os canais diplomáticos estão abertos e devem ser utilizados. O tratamento de temas de interesse comum por parte de agentes diplomáticos da República Popular da China no Brasil através das redes sociais não é construtivo, cria fricções completamente desnecessárias e apenas serve aos interesses daqueles que porventura não desejem promover as boas relações entre o Brasil e a China. O tom e conteúdo ofensivo e desrespeitoso da referida "Declaração" prejudica a imagem da China junto à opinião pública brasileira.

As preocupações da China com declarações de um Deputado Federal brasileiro Já haviam sido transmitidas por essa Embaixada ao Ministério das Relações Exteriores e serão tratadas da maneira apropriada.

É altamente inadequado que a Embaixada da República Popular da China se pronuncie sobre as relações do Brasil com terceiros países, tendo presente que a Embaixada do Brasil em Pequim não se pronuncia sobre as relações da República Popular da China com terceiros países.

O governo brasileiro tem-se abstido de qualquer manifestação sobre assuntos da República Popular da China que atraem grande atenção da opinião pública mundial. Da mesma forma, o governo brasileiro espera que a Embaixada da República Popular da China se abstenha de manifestar-se sobre assuntos da República Federativa do Brasil. Especialmente, não cabe à Embaixada da República Popular da China opinar sobre as aspirações e interesses da sociedade brasileira, assim como a Embaixada do Brasil na República Popular da China se abstém de opinar sobre as aspirações e interesses da sociedade chinesa.

O Brasil é um país democrático, com plena separação de poderes, vigência do Estado de Direito e liberdade de expressão. Espera-se que a Embaixada da República Popular da China, em suas manifestações, respeite esses fundamentos do ordenamento constitucional brasileiro, assim como a Embaixada do Brasil na República Popular da China respeita o ordenamento constitucional chinês.

O governo brasileiro deseja manter e promover as excelentes relações entre o Brasil e a China. Desrespeitar a diversidade de pensamento e opinião existente no Brasil, garantida por nossa Constituição democrática e por nossa legislação, não contribui para o avanço das relações.

As relações Brasil-China são extremamente densas, maduras e mutuamente benéficas, tal como ficou patente na recente teleconferência entre o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Emesto Araújo, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, no dia 18 de setembro de 2020. Essas relações, na visão do governo brasileiro, não dependem do encaminhamento de um único tema, já que existem múltiplas áreas com grande potencial de cooperação profícua. O conteúdo e o tom da mencionada "Declaração" não são compatíveis com essa qualidade e profundidade das relações bilaterais. 

O governo brasileiro toma decisões soberanas sobre temas de interesse estratégico do Brasil pensando no futuro do povo brasileiro, do mesmo modo que reconhece ao governo da República Popular da China a faculdade de tomar suas decisões soberanas. O respeito mútuo às respectivas soberanias é fundamental para as ótimas relações que temos desenvolvido.

O Ministério das Relações Exteriores aproveita a oportunidade para renovar à Embaixada da República Popular da China os protestos de sua mais alta estima e consideração.

Brasília, em 25 de novembro de 2020. 


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