sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Paulo Guedes aponta ‘lobby’ político de poderosos para não pagar impostos e explica projeto do Gov. Bolsonaro


Em debate no Senado Federal, Paulo Guedes, ministro da Economia do Gov. Bolsonaro, expôs como detentores de “lobbies” utilizam a classe política para obter desonerações fiscais e explicou a necessidade de que os impostos sejam mais baixos para que todos possam pagar e não existam desonerações específicas e privilégios. Guedes também retrucou aqueles que criticam o seu trabalho afirmando que ele “promete e não entrega”.

O economista apontou: “Quando você tem impostos muito altos, o sistema todo fica disfuncional. Quem tem lobby vem a Brasília e consegue ser desonerado. Então, nós sabemos os setores que conseguem desoneração. Porque o imposto é muito alto, eles vêm aqui e se desoneram”. 

Ele complementou: “E quem tem poder econômico... Quem tem poder político vem aqui e se desonera e quem tem poder econômico entra na indústria de contencioso e aí começam advogados e escritórios de advocacia. O empresário, às vezes, deve R$10 bilhões para o Governo, ele prefere pagar R$2 bilhões. É causa comum R$2 bilhões, empresas grandes com causas de R$1 bilhão, R$2 bilhões, R$3 bilhões. Então, ele prefere pagar R$100 milhões ou R$200 milhões para o escritório de advocacia, e aí o contencioso chega a R$3,5 trilhões”. 

Ademais, ele frisou as distorções do sistema e a necessidade da reforma tributária: “Quer dizer, então, que, quando você tem desonerações de R$300 bilhões, isso significa que tem gente com cacife político para conseguir R$300 bilhões de desoneração e, quando tem um contencioso de R$3 trilhões, quer dizer que tem gente com cacife econômico para preferir pagar ao escritório de advocacia do que pagar ao Governo. Isso quer dizer que os impostos estão fora de lugar. Se os impostos forem mais baixos, todo mundo pagava, tinha menos contencioso e tinha menos desoneração. Então, esse é o nosso norte. É por aí que nós tentamos trabalhar”.

Neste contexto, Guedes refutou: “Nós vamos tentar fazer o maior esforço possível e, toda vez que eu falo que nós vamos fazer o maior esforço possível, aí vem aquela narrativa pouco gentil, para não usar uma palavra diferente, que é dizer: ‘Ah ele prometeu’. Nós prometemos o melhor esforço possível. Aí vem uma pandemia, as reformas atrasam, não cumprem. Quem controla o timing das reformas é a política. ‘Ah o Ministro prometeu e não entregou. Ele é o Ministro que promete e não entrega’. Quer dizer, só quem está aqui em Brasília e conhece a nossa luta diária é que consegue compreender o que está acontecendo, em vez dessa narrativa pouco compreensiva e destrutiva, às vezes: ’Ah ele promete e não entrega, ele promete e não entrega’. Eu não vou descredenciar a democracia brasileira se a democracia brasileira tem seu custo de transição de funcionamento, que é normal. Você pode pensar um plano econômico e você o faz em pouco tempo. Agora, a execução leva bastante mais tempo, e é normal, e é compreensível”.

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