quarta-feira, 7 de abril de 2021

Advogado dá lição para ministros do Supremo em plena sessão do STF, Fux se ofende e rebate


Durante o julgamento da ação que analisa se governadores e prefeitos podem restringir direitos fundamentais, especificamente se podem suprimir a liberdade de culto, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, ofendeu-se com um advogado que citou Jesus. Fux repreendeu o advogado e adiantou que a decisão do Supremo será uma “escolha trágica”. 

Em sua intervenção, o  advogado do Partido Trabalhista Brasileiro, Luiz Gustavo Pereira da Cunha, lembrou aos ministros que a liberdade religiosa é uma das liberdades mais elementares do ser humano, e é protegida pela Constituição brasileira, em seu art. 5º, inciso VI. O advogado também disse: “não se pode permitir que em nome de uma grave crise sanitária, se autorize a instalação de um verdadeiro estado de exceção, que não respeita a Constituição Federal”. O advogado apontou ainda que “nem em tempos de guerra fecharam as igrejas. Fechamento de igrejas é ato típico de regimes totalitários”. 

Ao concluir sua fala, o advogado afirmou que tentar obrigar os cristãos a cultos subterrâneos e clandestinos não terá efeito, pois “a Casa do Senhor nunca fecha”. O advogado fez um apelo, dizendo: “para aqueles que hoje votarão pelo fechamento da Casa do Senhor, cito Lucas 23: 34: “Então ele ergueu seus olhos para o céu e disse: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem””.

O ministro Luiz Fux reagiu à citação de Cristo, repreendendo o advogado. Fux apontou que, na citação de Cristo, “a misericórdia divina é solicitada aos destinatários que se omitem diante dos males”, e argumentou que o Supremo Tribunal Federal não se omitiu, mas foi pronto e célere. O ministro disse: “essa é uma matéria que nos impõe uma escolha trágica e que nós temos responsabilidade suficiente para enfrentá-la”. O ministro acrescentou: “com toda a ética e serenidade, eu repugno essa imputação graciosa da lição de Jesus”.


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