sábado, 24 de abril de 2021

Bolsonaro abre o jogo sobre artigo 142, Forças Armadas nas ruas, STF e ‘colocar o time em campo’


Em entrevista ao apresentador Sikêra Júnior, do programa Alerta Nacional, o presidente Jair Bolsonaro foi enfático ao responder a questionamentos de que poderia estar se aproximando o momento de ele tomar ações mais “enérgicas” e “bater na mesa”.

Sikêra declarou: “Eu vou fazer uma pergunta bem ‘povo’, bem do eleitor do Bolsonaro. Acredite, há uma cobrança bem forte em cima deste apresentador, deste elenco, desta equipe. Sabem da importância que dou ao presidente Jair Bolsonaro, ao conservadorismo brasileiro”. Neste contexto, o apresentador questionou: “Há uma cobrança do povo no seguinte sentido: não está na hora de uma reação mais enérgica do presidente da República, não está na hora de ele bater na mesa e dizer: ‘opa, vamos parar com isso, vocês estão atrapalhando o Brasil, vocês estão prejudicando o povo brasileiro’. Não está na hora, presidente?”.

Bolsonaro respondeu abordando interpretações no que tange ao artigo 142 da Constituição Federal e abordou que tem planos concretos de como atuar em uma situação de caos: “O pessoal fala no artigo 142. Ele é pela manutenção da lei e da ordem. Não é para a gente intervir. O que que eu me preparo? Não vou entrar em detalhes. Um caos no Brasil. Essa política de toque de recolher é um absurdo. É um absurdo isso aí. Se tivermos problemas, nós temos um plano de como entrar em campo. E eu tenho falado. Eu falo ‘o meu’. O pessoal fala que não. Eu sou o chefe supremo das Forças Armadas. O nosso Exército, as nossas Forças Armadas, se precisar, iremos para as ruas, não para manter o povo dentro de casa, mas para restabelecer todo o artigo 5º da Constituição”.

Dessa forma, o  mandatário salientou que as Forças Armadas irão cumprir eventual decreto destinado a suprimir atos arbitrários de autoridades: “As Forças Armadas, se eu decretar isso, vai ser cumprido esse decreto. As Forças Armadas podem ir para a rua um dia, sim, dentro das quatro linhas da Constituição para fazer cumprir o artigo 5º. Direito de ir e vir. Acabar com essa covardia de toque de recolher, por direito ao trabalho, liberdade religiosa, de culto. Cumprir tudo aquilo que está sendo descumprido por parte de alguns governadores e de alguns poucos prefeitos, mas atrapalha toda a sociedade”.

No ensejo, o chefe de Estado voltou a proferir severas críticas ao STF: “É um poder excessivo que, lamentavelmente, o Supremo Tribunal Federal delegou. Qualquer decreto, de qualquer governador, qualquer prefeito, levar um transtorno à sociedade, de onde vem a indignação que você fala ‘tá chegando a hora’. Agora, o que acontece? Eu não posso extrapolar. E isso que alguns querem: que a gente extrapole”. 

Ademais, Bolsonaro assestou a covardia de determinadas autoridades, além de afiançar que está em sintonia com seus ministros: “Eu estou junto com meus 23 ministros. Você pega e, da Damares ao Braga Netto [ministro da Defesa], todos os 23 praticamente conversados sobre isso aí, o que fazer se um caos generalizado se implantar no Brasil pela fome, pela maneira covarde como alguns querem impor essas medidas, estão impondo certas medidas restritivas. Digo mais: o caldo só não entornou no ano passado em função do auxílio emergencial. Se não fosse isso, 38 milhões de pessoas, chamadas de invisíveis, de informais, iriam com fome para a rua. Agora, não temos como manter por muito tempo o auxílio emergencial. Por isso que ele vem diminuindo”.

Neste contexto, o representante advertiu para os riscos do endividamento do país:  “O pessoal fala, é fácil falar: mantém R$600,00. Por mês, se gastava, se endividava em torno de R$50 bilhões. Você não aguenta. É igual a você ir a um banco e pedir um empréstimo. Um, mais um, mais um e, daqui a pouco, você quebrou. Agora: o Brasil não pode quebrar. Nós temos responsabilidade. Eu sempre disse: nós temos dois problemas pela frente: o vírus e o desemprego, que tinham de ser tratados de forma simultânea e com responsabilidade”.

Bolsonaro criticou, ademais, o alheamento da imprensa e de autoridades quanto à situação do povo: “Eu converso com o povo. Amanhã, vou estar na rua de novo. E a imprensa...a imprensa, em vez de me acompanhar, falar o que está acontecendo. Eu estou no meio do povo, meu Deus do Céu. Eu não posso ficar preso no Palácio da Alvorada. Comendo bem, tem tudo lá dentro...Não posso ficar lá e vendo o povo lá fora se virando”.

Nesta esteira, ele convidou: “Gostaria que a maioria ou grande parte dos chefes do Executivo municipais, estaduais, fizessem o que eu faço. Para ver o que está acontecendo. Estive na comunidade de Chaparral em Brasília. Estive em quatro casas. A mulher era manicure - era manicure, não é mais. Ganhava em torno de R$3 mil por mês. Zero! ‘Pode abrir a geladeira, minha senhora?’. Você abre e tem um chuchu lá dentro. ‘Como a senhora sobrevive?’. É um povo humilde. Agora, esse povo tem limite também. Alguns acham que pode continuar oprimindo que não vai ter consequências”.

Desse modo, o presidente voltou a salientar que os cidadãos podem confiar em sua atuação e nas Forças Armadas: “Se tivermos problemas sérios, pode ter certeza que nós vamos entrar em campo para resolver o assunto e acabar com essa palhaçada de alguns simplesmente ignorarem as necessidades básicas desse povo e quererem manter presos dentro de casa”.

O dignitário mencionou os governos de Lula e Dilma, comparando: “Eu peguei uma casa completamente bagunçada. Ética, moral e economicamente. Alguns acham que eu tenho o poder de resolver na hora. Muita coisa, nós estamos resolvendo de verdade. Aqueles ataques à família. Na escola, aquele péssimo currículo escolar. A roubalheira. Eu peguei um Brasil onde estatais davam prejuízo de dezenas de bilhões de reais e agora dão lucro de dezenas de bilhões de reais. Dou um exemplo: Itaipu Binacional: tinha um lucro de R$100 milhões, investia R$100 milhões por ano. Estamos investindo R$2,5 bilhões só na Itaipu Binacional. Alongando aeroporto de Foz do Iguaçu, nova ponte do Paraguai, atendemos cerca de 40 municípios da região com recursos da Itaipu Binacional”.

Dessarte, o dignitário frisou: “Caixa Econômica Federal: os lucros, do Governo Lula até agora, têm crescido a uma razão geométrica, assustadoramente, apesar de o Pedro, da Caixa, ter reduzido a taxa de juros do cheque especial, ter atendido a Santa Casa, criado mais agências pelo Brasil. Agora, a pressão é muito grande”.


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