terça-feira, 20 de abril de 2021

General Heleno abre o jogo sobre ato ‘estapafúrdio’ de ministro do STF, Bolsonaro e ‘consequências imprevisíveis’


Ao ser entrevistado no programa Sem Censura, da TV Brasil, emissora do Governo Federal, o General Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional do Governo Bolsonaro, respondeu ao questionamento da jornalista Juliana Braga a respeito de sua declaração quanto a “consequências imprevisíveis” de um possível ato de Celso de Mello, então ministro do STF, em 2020. A nota emitida por Heleno referia-se à possível apreensão do aparelho de celular do presidente Jair Bolsonaro.

Em 22 de maio de 2020, o oficial declarou: “O pedido de apreensão do celular do Presidente da República é inconcebível e, até certo ponto, inacreditável. Caso se efetivasse, seria uma afronta à autoridade máxima do Poder Executivo e uma interferência inadmissível de outro Poder na privacidade do Presidente da República e na segurança institucional do País. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República alerta as autoridades constituídas que tal atitude é uma evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

Em resposta à jornalista durante entrevista ocorrida nesta segunda-feira, o general encetou: “Quando eu falo em consequências imprevisíveis, é porque elas continuam a ser imprevisíveis. Se fossem, eu teria dito quais eram”.

Após a jornalista mencionar que muitos interpretaram a nota como uma ameaça, Heleno justificou: “Na oportunidade, sendo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, eu vi a figura do presidente da República, não do Jair Bolsonaro, do presidente, algo que é primordial que não seja violado. Vi uma violação à privacidade do presidente da República feita de uma forma absolutamente estapafúrdia e, para mim, sem nenhum fundamento”.

Neste contexto, ele acrescentou: “Seria uma ordem do então ministro do STF para apreender o celular do presidente da República, é estapafúrdio, é sair totalmente das quatro linhas da Constituição”.


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