terça-feira, 27 de julho de 2021

Bolsonaro rebate críticas, defende eleições democráticas e diz: ‘Os bons tinham que ter a mesma audácia dos maus’


O presidente Jair Bolsonaro conversou com cidadãos nos portões do palácio da Alvorada, quando fez um longo desabafo sobre as críticas que recebe, a incompreensão do funcionamento do governo federal, e a oposição ao voto impresso auditável. 

Bolsonaro disse: “Ontem eu vetei um projeto, muito bom. Fui obrigado a vetar, porque, quando o parlamentar não apresenta fonte de custeio, se eu sancionar, estou incurso em crime de responsabilidade. Daí eu veto, apanho porque vetei. Falta de conhecimento do pessoal. Agora, se votar uma coisa lá e o presidente sancionar aqui resolvesse esses assuntos, resolveria os assuntos do Brasil todo, quiçá do mundo todo. É só votar lá, eu sancionar aqui, tá resolvido. Um pedaço de papel, se não tiver responsabilidade no que está escrito nele, não ajuda em nada a gente. Tratava do câncer esse projeto, e estou apanhando da imprensa porque vetei. Mas o parlamentar não indicou a fonte de custeio. Quem vai pagar a despesa? Igual eu vetei, um tempo atrás, internet para todo mundo. “Ah, ele vetou!” A fatura estava em torno de 3,5 bilhões não previstos no orçamento. 

Alguém vota lá um salário mínimo de 10 mil, eu sanciono aqui, tá resolvido o assunto. É isso mesmo? É assim que faz? Então, falta… Tem que apresentar a fonte de custeio, pô. Dinheiro vem de aumentar o imposto ou criar um novo imposto. O cara faz lá, faz demagogia, e vem com a fatura para eu pagar aqui. O parlamentar pode votar o que ele bem entender, sim ou não, não é questionado. Ele é inviolável por qualquer palavra, opinião e voto. Agora, se eu sancionar ou vetar o que vem na minha cabeça, eu estou incurso em crime de responsabilidade”.

O presidente acrescentou: “É igual à questão do fundão. O fundão foi criado em 2017, eu não era presidente, era o presidente Michel Temer. E toda vez que tem eleições, o que a lei manda fazer? Pega o valor anterior, bota a inflação em cima, é o novo fundão. Então, num caso desses, eu não posso vetar, porque, se eu vetar, estou deixando de cumprir a lei de 2017. Neste caso, no fundão, extrapolaram. Então, eu posso vetar. Vetar o quê? O excesso. Já estão me criticando. De vez em quando, dá vontade de falar: vocês merecem os presidentes que tiveram anteriormente. Merecem. Porque fazer as coisas, sem responsabilidade…. Não é fácil”.

Bolsonaro prosseguiu: “Pode ver: inflação no Brasil. Tem inflação de alimentos, sim. E está tendo no mundo todo. Em função de quê? Dessa pandemia. Parece que só no Brasil tem inflação, o tempo todo crítica ao governo. Aumento do gás. Quanto custa um botijão de gás lá onde ele é engarrafado? Custa 45 reais. Qual é o imposto federal no gás? É zero. Eu zerei. Chega a 110 no final da linha. O pessoal critica a mim. Procura o seu governador, vê quanto é o ICMS que ele está cobrando de vocês. Cobrem do governador, não cobrem de mim. Eu zerei o imposto do gás. Eu falei ontem aqui: quanto custa em média o litro de combustível na refinaria? Custa 1,85 em média. Um posto ontem, não sei em que lugar. No nordeste. Tá 6,10. Procura saber quanto o governador tá cobrando de ICMS. Então… pode me criticar, eu erro também. (...)  Agora, você apanhar o tempo todo sem motivo… por parte de grande parte da mídia, por parte de algumas autoridades por aí… eles querem a volta da impunidade e da corrupção.  Eu falo: dois anos e meio sem corrupção. Aí me acusam de ser corrupto com uma vacina que não foi comprada”. 

Bolsonaro comparou: “É igual à questão: estão contra o voto democrático, agora. O que é o voto democrático? Você tem que ter certeza de que, pra quem você votou, o voto foi para aquela pessoa. Estão contra por quê? Por que os mesmos que tiraram o Lula da cadeia, os mesmos que tornaram elegível, vão contar os votos. Precisa falar alguma coisa mais? Por que são contra o voto democrático, aquele que tem papel do lado. Ninguém vai escrever nada no papel. O papel vai estar lá na maquininha, você confere o papel, o papel cai dentro da urna. Você não bota a mão no papel. E aí alguns falam de retrocesso”. 

O presidente relatou a conversa que teve com um radialista: “Ontem teve uma resposta muito bacana aqui. Foi numa rádio, entrevista ontem. Rádio da Paraíba. Todo dia eu falo com uma rádio. Já tá provocando ciúme. Nossa urna é de 96. Aí eu perguntei pro radialista: se os bancos usassem a mesma arma para combater a fraude no banco, a invasão de contas, a mesma tecnologia de 96, o que aconteceria hoje em dia? Tudo quebrado! A nossa urna não aperfeiçoou!  Eu, quinta-feira, vou mostrar alguma coisa que aconteceu no segundo turno de 2014. Inacreditável. E olha que quem geralmente quer fraudar e dar golpe, geralmente, no mundo todo, é quem está no poder. Eu estou no poder e quero exatamente o contrário. Estamos contra. E o pessoal acredita nessa urna eletrônica. Quem acredita nisso?”

Bolsonaro explicou a importância das próximas eleições, dizendo: “Outra coisa, pessoal: quem se eleger em 22 indica mais dois ministros do Supremo no primeiro semestre de 23. Olha o que está em jogo, pessoal. Olha o que acontece em outros países da América do Sul, o que está acontecendo quando a esquerda volta ao poder. Voltou na Argentina, agora. Em 2019 eu falei o que ia acontecer. Os argentinos já estão fugindo pro Brasil. Os brasileiros vão fugir pra onde?”.

Convidado a participar de um dos atos pelo voto impresso auditável do próximo dia 1º, Bolsonaro disse: “Quando eu participo, tem um simbolismo, pessoal. Eu não posso participar de qualquer movimento, com todo o respeito a vocês. Para eu participar de um movimento, tem uma logística muito grande. Na campanha, tentaram me matar. Não é se acovardar, não. Mas a gente sabe o que os caras querem”.

O presidente acrescentou: “Pode ver: eu sou bem recebido em todo lugar do Brasil. O outro não pode tomar uma pinga no bar que é criticado. Já que ele tem 49% de intenção de votos, por que ele não sai nas ruas? Se ele está tão bem assim, por que ele é contra o voto impresso? O voto democrático? Ele é contra. Agora: tiraram o Lula da cadeia, tornaram ele elegível, para não ser presidente? Ele só pode ser numa condição: na fraude. Não tem outra alternativa. Você pode ver: no governo desses caras, pelo menos duas vezes por semana, tinha escândalo de corrupção, na Petrobras, no BNDES. Dinheiro nosso em Angola, na Venezuela, em Cuba. A Caixa Econômica era um festival de roubalheira, Banco do Brasil, todo mundo mandava lá. Os Correios deram prejuízo.  Os fundos de pensões estatais foram arrebentados pelo PT. Será que o pessoal esquece tão rapidamente o que aconteceu? Não tem nenhum escândalo de corrupção no meu governo. Se tiver, somos os primeiros a apurar. Que pode acontecer, pode. Agora, esquecem que pegamos a pandemia pela frente, onde muitos governadores destruíram empregos, destruíram o ganha-pão do povo, obrigando a ficar em casa. Você não pode dar uma ordem - fique em casa - e não dar os meios para a pessoa sobreviver. Quase 40 milhões de pessoas trabalhavam de manhã para comer de noite. Tiraram isso dos caras. A covardia que fizeram. E dizem que era para proteger a vida. Que proteção de vida? A fome também mata!”. 

Bolsonaro lembrou: “O prefeito de SP, já falecido, mandou soldar porta de aço de comércio. Pessoas que nunca sentiram necessidade na vida, nunca esteve no meio do povo, se arvorando como defensor do povo. Nenhum faz o que eu faço, andar no meio do povo. Fui acusado, agora, pela CPI, de “motoqueiro”. A anta amazônica me acusa de ser motoqueiro. Eu vou estar, no sábado agora… vou inaugurar um hospital do câncer lá em Prudente, eu mandei pegar a data exata que foi pedido o credenciamento do hospital, a certificação. São vários anos. Por que não certificaram antes? A certificação era à base de quê? De conversinha escondida em algum lugar? Comigo não tem esse papo, não, é na hora. Preencheu os requisitos, é na hora”. O presidente criticou a CPI: “A CPI não quer investigar desvios de recursos. O Carlos Gabas, operador do Consórcio Nordeste, sumiu com 49 milhões. Não recebeu um respirador sequer. Me acusam de corrupto com uma vacina que eu não comprei, não paguei um centavo”. 

A um cidadão que afirmou que os “bons” não conseguem agir com eficiência, Bolsonaro respondeu: “Os bons tinham que ter a mesma audácia dos maus”. 


Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...