quinta-feira, 29 de julho de 2021

Ministros de Bolsonaro rebatem jornalista sobre ‘parabéns’ a Miranda, narrativa da CPI e corrupção


Em coletiva de imprensa, os ministros Marcelo Queiroga, da Saúde, e Wagner Rosário, da Controladoria-Geral da União, apresentaram o relatório realizado pela CGU sobre o contrato entre o Ministério da Saúde e a empresa produtora da Covaxin. O contrato foi alvo de intensa especulação, em especial por parte do comando da CPI da pandemia, também conhecida como “CPI do Circo”, “CPI da Cortina de Fumaça” e “Tribunal de Renan Calheiros”. Ao abrirem para questões da velha imprensa, os ministros também responderam sobre outras narrativas da CPI, como a hipótese de que o governo federal poderia ter comprado vacinas da Pfizer antes, ou que o governo teria comprado Covaxin caso não fosse alertado pelos irmãos Miranda.  

Ao ser questionado sobre uma suposta aceleração da compra no caso da Covaxin, Wagner Rosário argumentou: “Você está chegando a uma conclusão, nós temos duas situações bastante diferentes e você coloca no mesmo ponto. Temos uma contratação mais célere no caso de Covaxin e Sputnik devido a uma MP vigente que autorizava diversos procedimentos que não eram autorizados antes. Segundo ponto: a oferta de vacinas depende de cláusulas contratuais, prazos de entrega (...). Comparar essas duas questões não é correto. Eu só abriria investigação contra o Ministério da Saúde se houvesse suspeita de irregularidade na Pfizer, mas não existe. O que existe são ilações de que poderia ter recebido antes. Se comprar vacina antes fosse garantia de recebimento, o Canadá tinha vacinado sua população antes de todo mundo. Comprou antes de todo mundo, mas não teve condições de vacinar na celeridade que queria porque não tinham vacinas disponíveis. Uma coisa é oferta e outra é entrega”

Respondendo sobre o irmão do deputado Luís Miranda, o CGU disse: “Quanto ao servidor, ele recebe um salário para fazer o que fez. Todo o sistema de defesa do governo está em três linhas. A primeira linha é o servidor. Ele fez o papel dele. A fiscal do contrato detectou. A irregularidade não estava na ‘invoice’. Não vamos misturar os fatos. O servidor fez o que ele fez pelo que recebe por mês para fazer. Não vamos misturar as situações”. Wagner Rosário explicou: “O canal de denúncia não é procurar irmão, é regularizar dentro do governo, o que dá muito mais efetividade ao processo em vez de ficar conversando por fora da atividade de trabalho”.

O ministro Queiroga, por sua vez, pontuou: “Não foram usados recursos públicos para a aquisição da vacina. Quem vai apurar responsabilidades, inclusive criminais, é a Polícia Federal. Exonerei o funcionário com base no ‘in dubio pro societate’, não fiz nenhum juízo de valor. Só o devido processo legal vai comprovar (...). O Governo Bolsonaro tem tolerância zero com atos de corrupção, é isso que o presidente passa aos seus ministros”. Rosário, por seu turno, voltou a rebater o jornalista: “O que a gente detectou não se relaciona com a denúncia de Miranda. E mais: não temos certeza, ainda, se as ‘invoices’ foram encaminhadas no dia 18 ou no dia 22. Estamos fazendo uma perícia para verificar se o documento foi enviado ou não. A ida para se levar problemas pode ser toda uma falsidade. Os controles internos estão funcionando, os fatos foram detectados”.


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