sábado, 21 de agosto de 2021

Bolsonaro defende impeachment de Alexandre de Moraes e diz que pedirá o de Barroso nos próximos dias


Em entrevista coletiva, o presidente Jair Bolsonaro defendeu o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que enviou ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Bolsonaro disse: “O que eu mais quero é paz, é tranquilidade, as garantias para a nossa população de todos os incisos previstos, preconizados lá no art. 5º da nossa Constituição. Só isso, mais nada”. 

Questionado sobre a operação ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes que atingiu os cantores Sérgio Reis e Zé Trovão, além do deputado Otoni de Paula e outras pessoas, Bolsonaro lembrou que os inquéritos conduzidos pelo ministro são irregulares, e defendeu a liberdade de expressão, lembrando que é uma garantia constitucional que deve ser respeitada por todos. 

Bolsonaro disse: 

Temos um inquérito, no nosso entendimento, que nasceu de forma irregular. Nós entendemos que tem que ter a participação do Ministério Público. Não vou entrar em detalhes se a ação foi proposta pelo ministro Alexandre ou se pelo PGR. Tudo começou errado lá atrás. Ou nós seguimos as leis, ou cada um começa a interpretá-las da maneira que melhor lhe interessa. 

O que nós precisamos no Brasil é paz, é tranquilidade, é harmonia, é respeito. É harmonia e independência entre os poderes. 

Se você for nos incisos do art. 5º, lá tem direitos e garantias individuais. 

O próprio Alexandre de Moraes, por ocasião da sua sabatina no Senado, ele começa dizendo: “reafirmo minha independência, meu respeito para com a Constituição, minha devoção para com as liberdades individuais”. Então, o mínimo que a gente espera dele é respeitar isso que ele falou na Comissão da sabatina dele no Senado lá atrás, e também respeitar a Constituição. 

O presidente apontou ainda que, na vida pública, ninguém é imune a críticas, e não se pode usar o poder do Estado para calar opositores. Bolsonaro disse: 

Acredito que ninguém mais do que eu no Brasil é atacado. Até pela própria mídia, em parte, da grande mídia brasileira. Eu mantenho a minha posição. Atacam, eu e a minha família, a todo instante. Agora, não podemos, ao ser atacados, pelo poder de usar uma caneta para contra-atacar, usá-la. Temos que ter tranquilidade, caso contrário, o Brasil pode mergulhar numa situação que ninguém quer. 

Eu já disse na minha nota de sábado passado: sei das consequências internas e externas de uma ruptura. Não quero isso, não provoco e não desejo. Agora, essa série de medidas que passa pelo STF, por uma pessoa apenas, Alexandre de Moraes, está trazendo inquietação para todos nós. 

O presidente lembrou que o povo tem direito à manifestação e apontou que tentar impedir as manifestações depõe contra o próprio agente que tenta reprimir: 

Dia 7 de setembro. Podia ser outro dia qualquer. É direito do povo se manifestar contra quem quer que seja. Logicamente, de forma civilizada. Espero que ocorra dia 7 dessa maneira. Tenho certeza de que vai ser dessa maneira. 

Quanto mais tentam segurar pessoas que querem se manifestar, num feriado nacional marcante, no meu entender, pior fica para essa pessoa. 

Ao ser questionado por que não pediu também o impeachment do ministro Luís Roberto Barroso, Bolsonaro explicou que pretende fazê-lo em breve. O presidente disse: “Vamos por partes, né? Não precisa um pedido atrás do outro. Não é fácil fazer um pedido, tem que ter muito equilíbrio, tem que buscar materialidade, tem que estudar bastante. Não pode apresentar por apresentar. Então, priorizamos esse pedido do Alexandre de Moraes e, nos próximos dias, ultimaremos o segundo pedido. Eu espero que o Senado processe isso, afinal de contas está embasado no art .52 da nossa Constituição”. 

O presidente falou ainda sobre suas expectativas sobre as manifestações marcadas para o dia 7 de setembro: 

Quem marcou não fui eu. Quem começou esse movimentonão fui eu, veio espontâneo por parte do povo, como todos os movimentos anteriores. Eu, pela primeira vez, estou anunciando que vou participar dos dois movimentos. Pela manhã, na Esplanada, em Brasília, e à tarde na Paulista. 

Agora: tudo poderia ser feito, pela outra parte, para ajudar a diminuir a temperatura. Esses inquéritos nasceram já com vícios, como a própria então procuradora Raquel Dodge falou lá atrás. Essas prisões foram arbitrárias. No art. 220 da constituição, inciso ou parágrafo segundo, se não me engano, fala da liberdade de expressão. E ponto final. É respeitar isso aí. 

Ou vivemos numa democracia ou não vivemos. E a liberdade de opinião, desde que seja de forma espontânea, né, que é proibido o anonimato, ela é bem-vinda. 

Se fosse contra mim um dia, é sinal que eu tinha que fazer uma reflexão onde estava errando para redirecionar meu posicionamento. Então… movimentos, pessoas, a população de maneira geral, estão entendendo que é uma data marcante. Estamos nos aproximando do ducentésimo da nossa Independência.


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