segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Parlamentares se manifestam contra retirada de direitos políticos de policiais, juízes e membros do MP


O projeto aprovado pela Câmara dos Deputados, que impede membros do Ministério Público, juízes, membros das Forças Armadas e policiais de se candidatarem antes de uma quarentena de quatro anos revoltou cidadãos e parlamentares, que denunciaram a retirada de direitos políticos de uma classe de cidadãos. 

O deputado estadual Coronel Sandro afirmou: “Por 273 a 211 foi aprovada na Câmara  a medida que impõe quarentena de 4 anos para juízes, promotores, militares e policiais que quiserem disputar eleições. Enquanto isso, parlamentar toma posse mesmo estando preso, e ex presidiário pode se candidatar ao cargo máximo do país”. O deputado acrescentou: “O PM/Policial prende, o promotor denuncia e o juiz julga. Desses, só o preso será candidato, se elege e vai perseguir os outros quatro”.

O deputado General Girão disse: “Vejam a incoerência do Congresso. Um condenado e ex-presidiário se torna elegível pelo STF, e a casa não se manifesta. Bastou a bancada militar encorajar futuros candidatos com ficha limpa, a Câmara vota contra.  Ficha suja pode concorrer. Militares, só depois de uma quarentena”. 

A deputada Bia Kicis disse: “É um absurdo atrás do outro”.

O senador Jorginho Mello apontou: “A gente vê o Lula sair direto da cadeia para se candidatar a presidente e o militar da ativa tem que esperar quatro anos”.

O deputado estadual Tenente-Coronel Zucco  desabafou: “A quarentena imposta a policiais, militares, juízes e promotores aprovada é uma medida discriminatória inadmissível. Bandidos condenados em várias instâncias, com culpa comprovada, estão soltos e pior: aptos (!) a concorrer em 2022. Chega de impunidade e injustiça!”.

O senador Styvenson Valentim questionou: “No apagar das luzes retornaram a insistência de deixar MILITARES, POLICIAIS, MAGISTRADOS E PROMOTORES FORA DAS ELEIÇÕES. DEMOCRACIA SELETIVA É ASSIM. Por que será que alguns políticos têm essa implicância com esses profissionais? Você sabe responder?”

O deputado estadual Gilberto Silva disse: “O policial prende um bandido, que é denunciado pelo promotor que é julgado pelo juiz… No final, dessas quatro pessoas só o bandido pode ser candidato para representar o povo. Foi assim que a maioria da Câmara dos Deputados votou ontem, dá para acreditar? Onde fica o Art. 5?”

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot disse: “Inacreditável! Sem o menor sentido! Eh eita depois de eita, parece que não tem fim”.

O deputado Bibo Nunes ironizou: “Eu sou contra quarentena para qualquer profissão ser candidato e jamais votaria a favor de quarentena para juízes, visando impedir Moro de ser candidato, até porque ele tem chance zero de eleição”. 

A deputada Alê Silva disse: “A quarentena de policiais que tinha sido derrubada na Câmara semana passada, foi ressuscitada hoje por 273 x 211. Deve agora seguir para o Senado e depois para o veto ou sanção  presidencial. Vamos continuar lutando para desfazer essa injustiça”. 

O senador Marcos do Val disse: “Inacreditável!  O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou na última terça-feira (15),  emenda ao projeto do novo Código Eleitoral (PLP 112/21), em que juízes ou membros do Ministério Público, guardas municipais, policiais militares, federais, rodoviários federais, civis e integrantes das Forças Armadas cumpram um período de quarentena para que possam concorrer em eleições. De acordo com a emenda, as categorias citadas terão de se afastar das suas funções quatro anos antes do pleito. Deixo claro que sou contrário a essa quarentena que foi aprovada e ressalto que essa proposta é um risco a nossa democracia”.

O deputado federal Coronel Tadeu relatou: “Lamentável! Anteriormente nós havíamos conseguido a retirada da quarentena dos policiais militares do novo código eleitoral, mas, ontem, novamente foi adicionada à proposta. O policial é um cidadão como qualquer outro, retirar seus direitos políticos é de um segregacionismo absurdo e inaceitável e essa imposição acabará inviabilizando a representação da categoria”.

O deputado Marcel Van Hattem, ainda durante a sessão em que a quarentena foi aprovada, desabafou, dizendo: “não é possível fazer essa diferenciação entre cidadãos”. O deputado acrescentou: “Infelizmente mais um retrocesso: aprovada quarentena de quatro anos para policiais, juízes e promotores poderem concorrer a partir de 2026. Agora o Senado pode derrubar a matéria”.


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