quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Senador Marcos Rogério aponta 'imbecilidade' de Lula ao conceder coletiva após confronto na CPI


O senador Marcos Rogério, em entrevista coletiva concedida após a sessão de hoje da CPI da pandemia, também conhecida como “CPI do Circo”, “CPI da Cortina de Fumaça” e “Tribunal de Renan Calheiros”, fez duras críticas ao comando da CPI e explicou como a CPI está se tornando um “tribunal de cerceamento da liberdade de expressão”. 

O senador disse que o depoimento do empresário Otávio Fakhoury nem deveria ter ocorrido. Marcos Rogério disse: “um depoimento daqueles que se revelam absolutamente desnecessário na CPI, exceto com relação a uma espécie de revanche, porque ele fez declarações que são declarações pré-conceituosas e foi rebatido na CPI, quanto aos demais conteúdos em que ele está sendo questionado, são conteúdos públicos. Não há necessidade de trazer alguém para prestar um depoimento na CPI quando aquilo que se está buscando já está tudo publicado. A CPI parece que se transformou num tribunal de cerceamento da liberdade de expressão”. 

O senador explicou: “Eu não concordo com tudo que ele disse, assim como eu não concordo com aquilo que Lula disse sobre a pandemia, com aquilo que Doria disse sobre a pandemia, e até com relação a outros, membros do governo. Tem coisas que eu concordo, tem coisas que não. Tá dentro do espaço de manifestação de cada um”.

O senador Marcos Rogério apontou que o comando da CPI usa critérios diferentes para definir a liberdade de expressão conforme a pessoa que fala. Ele disse: “quando é do lado deles, aí é liberdade de expressão. Quando é do lado do governo, ah, não. É “negacionista”, é “propagador de fake news”, é “alguém que está estimulando a morte de pessoas”. Como?”

O senador apontou os excessos e violações de direitos que vêm ocorrendo reiteradamente na Comissão. Marcos Rogério disse: “Eles falam de gabinete do ódio, mas o maior gabinete do ódio que nós temos é o gabinete da CPI da pandemia no senado federal. Eu nunca vi tantos maus-tratos, tanto assassinato de reputações, tantas ofensas, tantas agressões, tanto abuso de autoridade, como eu tenho visto acontecer em todas as sessões da CPI quando, sentado naquela cadeira de depoente, tem alguém que é do governo ou que gosta do governo do presidente Bolsonaro”.

O senador resumiu: “Quando quem está sentado ali é alguém que ataca o governo do presidente Bolsonaro, pode ser bandido, que é tratado como herói. Vários passaram por ali e tiveram esse tratamento. A CPI trata bandidos como herói e trata brasileiros do bem, brasileiros decentes, como o empresário Luciano Hang, como se fossem bandidos”. 

O senador exemplificou: “O ex-presidente [Lula] comemorou o surgimento da pandemia. Aí é liberdade de expressão. (...) a opinião dele é uma imbecilidade, mas ele tem o direito de dizer o que pensa. Como outros, também. Eu não preciso concordar. Mas eu defendo o direito da liberdade de expressão como uma garantia da Constituição”. 

Marcos Rogério disse ainda: “aquilo que é crime, que passa dos limites da liberdade, que se denuncie, enquadre e puna. Mas não dá pra querer fazer da CPI um tribunal de inquisição para determinar o que é liberdade de expressão e o que não é. A CPI está se transformando em um tribunal da censura. Não acho que seja esse o caminho”. 

A divisão de pessoas em “classes”, em que alguns têm direitos e outros não, além de recorrente na CPI, é também recorrente em inquéritos conduzidos nas Cortes superiores contra cidadãos conservadores ou que em algum momento manifestaram apoio ao presidente Bolsonaro. A própria velha imprensa, que colabora diretamente com os inquéritos, admite abertamente que a função deles é a perseguição a “bolsonaristas”, já que não há um tipo penal sendo investigado. Esses inquéritos promovem um intenso intercâmbio de informações com a CPI. 

Da mesma forma que o senador descreveu sobre a CPI, também nesses inquéritos quem se opõe ao governo Bolsonaro é tratado como herói e seus depoimentos, “relatórios” e “matérias” são admitidos como provas sem questionamentos, enquanto cidadãos de bem são perseguidos, alvo de devassas, quebras de sigilos, buscas e apreensões, prisões, e confisco de bens. 

Toda a renda da Folha Política está sendo confiscada a mando do ministro Luís Felipe Salomão, do Tribunal Superior Eleitoral, em uma decisão que, segundo a velha imprensa, visa impedir o funcionamento de empresas escolhidas por ele. A decisão recebeu o apoio e aplauso do ministro do STF Luís Roberto Barroso, presidente do TSE.  

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