quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Deputada Bia Kicis lamenta quebra do sigilo de fonte e expõe conluio da velha imprensa com a CPI


Em sua live semanal, a deputada federal Bia Kicis lamentou a quebra do sigilo de fonte no caso de uma ex-estagiária do Supremo Tribunal Federal, assim como o papel a que se prestou a velha imprensa neste e em outros casos relacionados à CPI. A identidade da ex-estagiária, que era fonte do jornalista Allan dos Santos, foi revelada pela velha imprensa após o compartilhamento de dados de inquéritos sigilosos do ministro Alexandre de Moraes com a CPI da pandemia. 

Bia Kicis explicou que falar sobre o ambiente de trabalho, como fez a ex-estagiária, não é crime. A deputada disse: “isso não é crime. Pode ser o que for, mas não é crime, para ela estar sendo investigada pela PF. E, com relação a Allan dos Santos, que é um jornalista, ela era fonte dele. Com relação ao sigilo da fonte, é algo tão sério que é garantido pela Constituição Federal. O art. 5º, XIV da Constituição,  garante o sigilo da fonte. A deputada apontou que “é a primeira vez que se quebra sigilo da fonte no Brasil”, e acrescentou: “O Allan teve ainda sua conta no Instagram bloqueada pela 2ª vez, censurada, e no mesmo dia em que 2 jornalistas foram premiados com o Nobel da Paz por defenderem a liberdade de imprensa”.

A deputada também comentou nota do Antagonista, que afirmou que ela e a deputada Carla Zambelli devem ser indiciadas pela CPI. Bia Kicis disse: “O Antagonista adora dar notícia ruim a meu respeito, e da Carla Zambelli também. Eles têm uma certa fixação com algumas pessoas”. A deputada comentou a suposta acusação e afirmou: ‘eu acho uma vergonha um veículo que se diz de imprensa bater palma para esse tipo de maluquice. A mídia deveria defender a imunidade parlamentar, porque isso é a Constituição, e não ficar batendo palma pra maluco. Não ficar batendo palma para maluco, para maluquice, para sandice de quem quer encontrar crime na atividade parlamentar. E inventa. Inventa crime de fake news, que não existe esse tipo penal, e coisas desse tipo. Eu fico indignada de ver veículo de imprensa fazendo isso”.

A interação entre a velha imprensa e o comando da CPI foi uma das marcas dessa Comissão, admitida pelo próprio relator, senador Renan Calheiros, que afirmou que a “imprensa” chegou a sugerir estratégias de investigação. Dados de inquéritos conduzidos no Supremo Tribunal Federal foram compartilhados com a CPI e então vazados para a velha imprensa, que então expôs pessoas e empresas, tratando atos comuns como se fossem crimes. 

No caso da ex-estagiária do STF, o jornal Folha de São Paulo, que expôs a fonte de Allan dos Santos, afirmou que os diálogos estão contidos no inquérito das “Fake News”, também conhecido como “Inquérito do Fim do Mundo”. Se a informação for verdadeira, os diálogos estavam em poder do Supremo há mais de um ano, mas foi a matéria do jornal que deu causa à investigação da ex-estagiária. Enquanto era interrogada pela Polícia Federal, a ex-estagiária foi alvo de busca e apreensão em sua casa, em operação acompanhada por uma equipe de uma grande emissora. O conteúdo de seu depoimento também foi exposto por essa mesma emissora minutos após seu encerramento. 

Essa dinâmica de divulgação de “notícias”, seguida por quebras de sigilo e devassas, para depois expor novamente as pessoas, é constante na CPI e nos inquéritos conduzidos nas cortes superiores, com pouca ou nenhuma participação do Ministério Público. Em um desses inquéritos, a sede da Folha Política foi invadida e todos os equipamentos foram apreendidos. O inquérito foi arquivado por falta de indícios de crime, mas os dados foram compartilhados com outros inquéritos e com a CPI. Atualmente, o jornal tem toda a sua renda apreendida, a mando do ministro Luís Felipe Salomão, do Tribunal Superior Eleitoral, que decidiu impedir o funcionamento de sites e canais conservadores privando-os de sua fonte de renda. A decisão teve o respaldo e aplauso do ministro do STF Luís Roberto Barroso, que é presidente do TSE. 

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