terça-feira, 5 de outubro de 2021

Senador Marcos Rogério escancara hipocrisia e contradições de Renan Calheiros frente a frente na CPI


Durante sessão da CPI da pandemia, também conhecida como “CPI do Circo”, “CPI da Cortina de Fumaça” e “Tribunal de Renan Calheiros”, o senador Marcos Rogério apontou mais uma das contradições observadas naquela comissão. O senador mostrou que, embora o comando da CPI estivesse acusando, de forma virulenta, o depoente por um contrato sem licitação, o senador Renan Calheiros, quando presidiu o senado, também contratou a mesma empresa sem licitação. Marcos Rogério disse: “Essa empresa foi contratada, inclusive, pelo Senado Federal, sem licitação. E vendia tarifas com passagens cinco vezes mais caras do que o praticado no mercado. Na época, alguns senadores questionaram, reclamaram (...). O relator cobra que foi contratada sem licitação, mas o Senado contratou sem licitação. Eu sei que vossas excelências estão em um esforço grande para desviar o foco, mas o Brasil sabe o que está acontecendo. A questão é: o mesmo que cobrou licitação para contratação no Governo Bolsonaro foi o mesmo que contratou sem licitação, na época, essa empresa para vender passagens para o Senado Federal. Renan Calheiros. Foi na gestão de Renan”.

Após Renan Calheiros afirmar que as declarações de Marcos Rogério seriam uma “covardia”, Marcos Rogério retrucou: “A empresa foi contratada com um método, vossa excelência que a contratou assim. Há uma incoerência. O que foi praticado lá atrás e o que foi praticado agora. Se houve erro lá atrás ou agora, apure-se, identifique-se os responsáveis, puna-se. Com base nos fatos, não em narrativas. Onde estão as provas?”

O senador Marcos Rogério explicou: “Narrativa não é prova. Nem aqui e nem em nenhum outro lugar. Nós estamos cheios de narrativas, o tempo todo. O método utilizado por essa CPI, desde o começo, para inquirir as testemunhas, é aquele que primeiro acusa. Fundamenta a narrativa acusatória e, depois, faz uma pergunta genérica, exige-se do depoente uma resposta com ‘sim’ ou ‘não’ e, quando o depoente tenta articular uma resposta, diz que não, que não é isso que perguntou, partindo para outra narrativa também acusatória”.

Marcos Rogério prosseguiu: “Se tem uma coisa que não interessa nesta CPI, na linha da condução do interrogatório, é a busca dos fatos, das evidências. O que interessa aqui é a narrativa. Não tem compromisso em extrair de quem está depondo a visão dele, seja como testemunha, seja como partícipe. O que interessa é o preâmbulo que é feito, a narrativa, para perguntar ‘sim’ ou ‘não’. O que interessa é a acusação”

Caso semelhante ocorreu na semana passada, quando o comando da CPI dizia, em tom acusatório, que o empresário Luciano Hang teria patrocinado alguns sites. Quando o empresário relatou que o senador Kajuru também pediu patrocínio, o senador Renan Calheiros imediatamente esclareceu que não havia crime em pedir patrocínio nem em patrocinar. O senador só não esclareceu por que estava, até então, tratando a conduta como se fosse crime. 

Esse padrão de acusar seletivamente, com base em narrativas, além do tratamento hostil a pessoas que apoiam o presidente Bolsonaro, é constante na CPI e também em inquéritos conduzidos nas cortes superiores, com os quais a CPI promove intenso intercâmbio de informações sigilosas. 

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