quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Senador petista tenta impedir exibição de vídeo na CPI e Girão e Marcos Rogério reagem


Durante sessão da CPI da pandemia, também conhecida como “CPI do Circo”, “CPI da Cortina de Fumaça” e “Tribunal de Renan Calheiros”, o senador Eduardo Girão relatou a sua experiência na CPI da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, que investiga as fraudes do Consórcio Nordeste, e reiterou seus apelos para que a CPI do senado investigue os desvios de recursos federais. 

O senador disse: “Não tem mais como essa comissão evitar, ignorar, não trazer aqui pelo menos uma pessoa responsável por esse escândalo, esse calote do Consórcio Nordeste. O que eu presenciei ontem é estarrecedor. Ontem, foi um dos dias mais esperados. O senhor Carlos Gabas, diretor-executivo do Consórcio Nordeste, esteve na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Com Habeas Corpus debaixo do braço, não respondeu a nenhum questionamento”.

O senador Eduardo Girão comparou as atitudes nas duas CPIs: “Senadores falaram, aqui, no depoimento de Carlos Wizard, que o silêncio era comprometedor, que o silêncio dizia muito, e que presumia a culpa. Quero ver se vale, agora, para o que aconteceu ontem no Consórcio Nordeste. Um ex-ministro de Estado passar por uma situação dessa. Ele era da cozinha do Palácio do Planalto em governos anteriores [gestões do PT]. A verdade vai prevalecer, a justiça vai prevalecer”.

No ensejo, o senador petista Jean Paul tentou impedir a veiculação de um vídeo trazido pelo senador Eduardo Girão. O senador Marcos Rogério rebateu: “Está no objeto da investigação. O da Carla Zambelli [exibido durante o depoimento de Luciano Hang] tinha?”. Posteriormente, Girão exibiu o vídeo apontando “falcatruas brutais” com o dinheiro público que teriam sido praticadas pelo Consórcio Nordeste. Nesta toada, o senador Girão complementou: “Gabas está sendo blindado nesta CPI. A verdade vai aparecer. É escabroso”.

A investigação seletiva, em que alguns são blindados mesmo com fortes indícios de corrupção, enquanto outros são tratados como criminosos mesmo sem indício de crime, foi uma das principais marcas da CPI. Diferentemente da CPI do Rio Grande do Norte, onde o depoente foi dispensado ao manifestar sua intenção de permanecer em silêncio, na CPI do senado os depoentes foram humilhados e destratados, questionados sobre assuntos sem qualquer relação com o objeto da comissão, e dezenas de pessoas e empresas ainda tiveram seus sigilos quebrados, inclusive por períodos muito anteriores ao início da pandemia, sem justificativa plausível. 

Esses excessos se inserem em um contexto maior de perseguição política que marca o momento atual do País, em que, em CPIs e em inquéritos conduzidos nas cortes superiores, cidadãos são presos, censurados, têm seus sigilos quebrados e seus bens apreendidos, sem justificativa legal, com base em “matérias” da velha imprensa. Os dados obtidos com a quebra de sigilos, então, são vazados para a mesma velha imprensa, que expõe as pessoas em matérias que sugerem crimes onde não há, e dá causa a novas medidas abusivas. 

Hoje, uma ex-estagiária do Supremo Tribunal Federal sofreu uma busca e apreensão enquanto prestava depoimento à Polícia Federal, por uma matéria que expôs suas conversas com o jornalista Allan dos Santos. Segundo o jornal que publicou a matéria, os diálogos estavam nos autos do inquérito das “Fake News”, compartilhado com a CPI. Caso esta afirmativa esteja correta, os dados estavam em poder do Supremo Tribunal Federal há mais de um ano, mas o interrogatório e a busca e apreensão só ocorreram após vazamento para a Folha de S. Paulo. 

A Folha Política, que teve todos os seus equipamentos apreendidos a mando de Alexandre de Moraes, atualmente tem toda a sua renda confiscada a mando do ministro Luís Felipe Salomão, do Tribunal Superior Eleitoral, em decisão aplaudida pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF, presidente do TSE. Segundo a velha imprensa, que participa ativamente dos inquéritos, a intenção é impedir o funcionamento da empresa, privando-a de sua fonte de renda. 

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